Ansiedade, juntamente com a depressão, é um dos principais problemas de saúde mental na sociedade contemporânea. E continua crescendo vertiginosamente.  É impossível eliminá-la completamente,  principalmente quem vive nos grandes centros, . E também isto nem seria desejável, que a ansiedade nos fez sobreviver ao longo do tempo, fugindo de predadores. A ansiedade surge tanto frente a situações simples e banais  quanto em situações mais complexas, que envolvem decisões existenciais. É importante dizer que certa ansiedade é ‘normal’ e até esperada mas, quando passa a limitar a vida da pessoa, paralisando-a e restringindo sua liberdade de ação e de ir e vir, passa a ser patológica. 

Porém, é importante  aprender a lidar  com ela, distinguir quando ela é útil e necessária e quando apenas traz prejuízos. E é possível, sim, mantê-la em níveis aceitáveis, sem paralisar.

Nas redes sociais, muitas imagens e textos definem a ansiedade  como ‘excesso de preocupação com o futuro‘ o que causa, de certa forma, uma confusão entre ansiedade e expectativa. Na verdade, a ansiedade até se relaciona com expectativa (mais para negativa): espera-se o pior. Muitas vezes, os pensamentos são catastróficos, trazem  medo,  tolhem a iniciativa pessoal. Evitam-se situações para não entrar em contato com os pensamentos e sentimentos negativos, o que vai restringindo a liberdade de ação e as possibilidades de experiência.  Quem sofre de ansiedade muitas vezes acaba se afastando de suas amizades; alguns relacionamentos amorosos também não resistem. É difícil para quem não sofre do problema  entender o que se passa com a pessoa ansiosa. 

pensamentos negativos

Muitas vezes, tais  padrões de pensamento foram aprendidos na própria família. Uma pessoa muito próxima, responsável por uma criança, passa uma mensagem de que ‘o mundo é perigoso’, ‘pessoas não são confiáveis’, dentre outros. A criança se torna adolescente e depois adulta com este padrão, difícil de ser  ‘quebrado’. Quando percebe que muitas das suas preocupações não se concretizam, ao invés de relaxarem quanto a isto, começam a se julgar e, quanto mais  pensam “não posso sentir ansiedade” ou “vou ter uma ataque de ansiedade“, mais se sente ansiedade. A esquiva experiencial – fuga das situações em que se pode ter contato com a ansiedade – não permite que os  temores sejam desmentidos. Pelo contrário, quanto mais vezes se foge da situação,   mais se reforça o comportamento, já que não houve como ter uma experiência positiva que desmentisse o pensamento inicial.  

Os diferentes tipos de ansiedade e formas de tratamento

A ansiedade faz parte do quadro de vários transtornos como, por exemplo, Síndrome do Pânico, Fobia Específica, Fobia Social, Estresse Pós-Traumático e Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG).  No DSM-V, o capítulo  sobre Transtorno de Ansiedade fez algumas mudanças nos critérios diagnósticos. O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), Transtorno de Estresse Agudo e Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) foram realocados em novos capítulos.

Pesquisas mostram que o tratamento medicamentoso da ansiedade costuma ser mais eficiente quando combinado com a psicoterapia, que atua muitas vezes de forma preventiva. A pessoa aprende a não alimentar  pensamentos disfuncionais, reconhecendo seus padrões cognitivos. Ao identificar em que momentos surge, quais são os “gatilhos”, a pessoa aprende a lidar melhor com ela e também a assumir seu compromisso e responsabilidade com mudanças a serem feitas a fim de reduzir – ou conviver melhor – com sua ansiedade. Mudanças simples no estilo de vida, conciliando atividade física, prática de meditação e novos hábitos são alguns exemplos.

Abordagens mais indicadas para tratamento da ansiedade

A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) tem sido muito indicada pelos psiquiatras, pelo grande número de estudos científicos publicados, mostrando bons resultados no tratamento da ansiedade e de outros transtornos psíquicos. Ainda pouco conhecida no Brasil, a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), aos poucos, vem se firmando como uma abordagem terapêutica com eficácia no tratamento da ansiedade, dentre outros problemas.

Se você sofre com ansiedade, tem prejuízos na sua vida e percebe o quanto ela prejudica sua vida, seus relacionamentos e a sua vida profissional ou acadêmica, procure ajuda profissional: faça psicoterapia. E informe também às pessoas próximas sobre como elas podem ajudar você. 

______________________

Thays Babo é Psicóloga Clínica, Mestre pela Puc-Rio, com formação em TCC pelo CPAF-RIO e extensão em Terapia de Aceitação e Compromisso pelo IPq (USP). Atende a jovens e adultos em terapia individual, terapia de casal e pré-matrimonial, em Copacabana.

Ansiedade – quem nunca?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.