Pesquisadores das Ciência Sociais, como Sociologia e Psicologia, apontam que o movimento Romântico gerou algumas crenças sobre o amor que prejudicam os relacionamentos amorosos – como já debatemos aqui em outros posts.

Muitos dos ideais românticos são inalcançáveis. Contudo, não são poucos os casais que almejam manter este tipo de relacionamento. Quando suas expectativas são frustradas, sofrem, por terem tentado  encaixar seus relacionamentos de vida real em modelos de contos de fada ou hollywoodianos. Questionam-se sobre qual o problema deles.

Relacionamentos compromissados

Com tantas mudanças acontecendo na era digital, as crenças românticas devem ser repensadas. Os compromissos devem estar mais claros, de forma a satisfazer ambas as pessoas envolvidas, a longo prazo.

Estas modificações tecnológicas demandam diálogo e, para tanto, é necessária uma comunicação clara, franca, e aceitação. Mas, em geral, os temas tabus não costumam ser abordados ‘preventivamente’. Talvez seja o medo de por tudo a perder – o que acaba aumentando a chance de realmente não se manter. Porém, é justo antes de formalizarem a união que fica mais fácil conhecer os valores do par e negociar os que podem ser os do casal.

Pressão para casar

Os relacionamentos amorosos se tornaram o centro de vida para muitas pessoas, ao contrário do que aconteceu ao longo da história da humanidade. Antes o fator determinante da união era a combinação econômica.

Até meados do século 20, os casamentos duravam praticamente toda a vida – até que a morte separasse. A duração não implicava em felicidade, algo que se persegue hoje. Felicidade não era um requisito procurado ou então era algo muito diferente do que se espera hoje no Ocidente. 

Hoje, a vida amorosa pode significar sua qualidade da vida como um todo, como disse a psicoterapeuta Esther Perel, em uma das suas muitas apresentações sobre o amor contemporâneo. Há quem considere um ‘atestado de competência emocional’ e sofra muito por estar sem um relacionamento amoroso.

Como então fazer com que o seu relacionamento dê certo?

Pesquisadores sugerem  avaliar as expectativas que se têm sobre relacionamentos e negociar acordos que fortaleçam os vínculos. E, claro, agir de forma compromissada com os valores que o casal estabeleceu.  Mas para isto o diálogo tem de ser estabelecido.

E quais são os assuntos que os casais têm mais dificuldade de conversar? Alguns deles são as finanças, as respectivas famílias, passado amoroso e infidelidade. É quase um pensamento mágico: evitam estes temas tabus por ansiedade, como se falar deles aumentasse a chance de provocar a separação.

Contrariamente a isto, pode-se levar em conta o dito popular “o combinado não sai caro” . Relacionamentos amorosos mais transparentes podem ser mais duráveis.

Mito desmentido

Recentemente, The Gottmann Institute, especializado em pesquisas sobre casamentos,  publicou um texto contrariando uma das crenças do amor romântico: de que casais não devem ir dormir brigados. As pesquisas do instituto apontam que, muitas vezes, o melhor a fazer pelo relacionamento é esperar um tempo para poder conversar. Os ânimos se acalmam e o diálogo se torna possível

Discussões não apontam para o fim e podem ser melhores do que o silêncio

Muitas vezes, o silêncio prolongado demonstra a indisposição para negociar – ou sinaliza a desistência de mudar algo na dinâmica amorosa.

A forma de discutir porém é importante e, por isto, devem-se treinar habilidades de comunicação. É preciso desenvolver uma escuta compassiva e atenta.

Muitas vezes só se consegue isto em um processo de psicoterapia.  Oprah Winfrey, em uma apresentação na Escola de Negócios de Stanford, mencionou 3 perguntas que, segundo ela, a ajudaram em várias situações (não apenas em relacionamentos amorosos mas, também). São elas:

  • “Você me ouviu?”
  • “Você me enxergou?”
  • ” E o que eu disse significou alguma coisa pra você?” 

Muitas vezes quem inicia a discussão fala de forma magoada, ressentida – às vezes agressiva. Ao acusar, a outra pessoa se fecha e já não consegue ouvir o que está sendo reivindicado. Só quer se defender. Com a comunicação do casal bloqueada, deve-se recorrer à ajuda profissional. 

Terapia de Casal ou Terapia Pré-Matrimonial

O que uniu o casal ainda se mantém? O quanto cada um mudou? Com o passar do tempo, ambas as pessoas vão se modificando e, podem ter se desviado do que se propunham no início.

Ainda existem valores em comum? O que mudou? Algum dos dois é mais inflexível? Viver a dois demanda flexibilidade e treino. Amar é uma habilidade, que pode ser treinada e aprendida, como diz o filósofo Alain de Botton.

É importante ter consciência das dificuldades de cada um. Mas, o relacionamento amoroso demanda compaixão, abertura e compromisso com os valores – individuais e do casal. Nem todas as brigas valerão a pena – algumas coisas podem ser relevadas. O excesso de expectativas faz muita gente desistir fácil de um relacionamento, por não ter atingido o sonho, por ficar em um cabo de guerra.

A vida real demanda que se busque a solução para os problemas. E isto inclui aprender a lidar com suas frustrações e feridas emocionais, que muitas vezes são trazidas da família de origem. Demanda flexibilidade psicológica e cognitiva.   

Além da Terapia de Casal,  a Terapia Pré-Matrimonial  surge como alternativa para casais de namorados em dúvida sobre se devem ou não ir em frente.

Neste tipo de terapia, os casais conversam sobre assuntos “espinhosos”. Assim, podem se conhecer mais profundamente antes do grande desafio da convivência diária. Ao falarem de seus valores, terão de estabelecer acordos e aprenderem a negociar e a aceitar o outro como ele é.

Não será este o verdadeiro amor: aceitar a outra pessoa como ela é, sem tentar modificá-la? Casar com a esperança de mudar a outra pessoa, em geral, leva à decepção. Tanto quanto você, a pessoa amada  é humana. Por isto, ambas são passíveis de erro  – e também merecedoras de perdão.

Aumente sua tolerância e a flexibilidade consigo e com o seu par.  Procure ajuda especializada, faça psicoterapia.

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Thays Babo é Mestre em Psicologia Clínica pela Puc-Rio, com formação em TCC pelo CPAF-RIO e extensão em Terapia de Aceitação e Compromisso pelo IPq (USP). Atende a jovens e adultos em terapia individual, pré-matrimonial ou de casal, em Copacabana.

As “boas” brigas