Archive for the ‘Posts da Thays’ Category

Adorável Regresso

Anunciado há meses, estava doida para ver Nosso Lar. Fui, na semana de estreia. Não sei se você recebeu um email falando da importância de prestigiar este filme na primeira semana, para que seja mais fácil sua colocação no mercado internacional. Parece que o público atendeu ao apelo, pois o cinema estava bem cheio. Que seja, afinal, ‘o mundo precisa de histórias felizes’. E Nosso Lar conta a possibilidade de ser eternamente feliz – se trabalharmos para isto.


Resuminho da história: André Luiz era um médico de bastante sucesso, bem realizado na vida profissional e familiar, e sua jornada após sua morte. No filme não fica claro, não lembro se no livro fala, se a doença é um câncer. Ao chegar no mundo espiritual, se depara com um cenário dantesco. A cenografia do Umbral (que corresponde ao que se descreve como Purgatório) foi inspirada nas gravuras de Gustave Doré, retratando O inferno, segundo Dante). André sofre um longo tempo sem entender porque estava ali. E fica ainda mais assustado com a acusação de suicídio. Ele tinha certeza de que não ser suicida. Em um determinado momento, já exausto, faz uma prece. Aí é então socorrido e levado para uma colônia espiritual, Nosso Lar.

É aí que muitos acham absurdo. Aliás, conheço muitos simpatizantes do kardecismo que acham a ideia de colônias uma ‘viagem’. Outros – e os mesmos – duvidam da existência de tanta ‘tecnologia’ – que Chico descreveu no início do século passado, antes mesmo de surgirem por aqui. A estes eu digo: “ué, veja então como se visse Harry Potter, como uma fantasia.” (No fundo, tenho uma esperança de que algo os ‘desperte’…)

Quando li o livro, uma única vez, há muitos anos, numa época em que devorava os livros kardecistas, tudo o que André Luiz ditou para Chico Xavier fez enorme sentido para mim. Como não faria? Já conhecia Platão e o que ele dizia sobre o Mundo das Ideias e que aqui é Mundo das Cópias, onde se está afastado da realidade, e que tudo aqui é cópia imperfeita, era totalmente lógico pra mim. Afinal, se o homem é capaz de construir maravilhas tecnológicas, o que espíritos mais evoluídos não conseguirão fazer com uma matéria mais sutil, menos densa? Ah, sim, para isto tem de se acreditar que há vida após a vida, que espíritos evoluem e que não se recomeça do zero. Conceito básico.

O filme é didático: o que se mostra é a importância da ação correta, do pensamento correto. A necessidade de combatermos nosso orgulho e apegos. A beber a santa água da paciência. :-) Simples atos nossos, no dia-a-dia, que parecem inofensivos, inócuos, revelam-se os construtores do futuro espiritual. Aconselharia a quem não conhece a história a assistir ao filme ‘desarmado/a’. E repensar a vida, com total responsabilidade. Uma crítica que li de um jornal de grande circulação nacional foi tão reducionista, que deu pena. Complicado mandar alguém resenhar um filme deste tipo sem conhecer as premissas básicas… Realmente, pode parecer algo positivista. Mas é a lei da física pura, 3a lei de Newton. O que é carma, senão “ação e reação”?

Ah, sim, em um primeiro momento, quando se pensa nisto a sério, pode-se advir uma grande carga de culpa: “Puxa, se sofro assim, devo ter sido uma peste!!!”. É bastante comum que pacientes de psicoterapia , que são espíritas, sintam uma enorme culpa, massacrante. Como ouvi uma vez de uma experiente psicoterapeuta, “Os pacientes espíritas são os piores, porque eles querem ser anjos antes de serem HUMANOS”. Na época, ainda nem estudava Psicologia, mas a afirmação mudou minha vida e a maneira de ver as coisas.

Enfim, o que o filme não teve tempo de mostrar é que não há necessidade de se soterrar sob a culpa. Muito pelo contrário. O caminho é a MUDANÇA. Isto só se percebe ao estudar mais a fundo a doutrina ou outras tradições espiritualistas. Tomara que a repercussão seja tamanha a ponto de este ser apenas o primeiro da série de livros de André Luiz. (Nossa, este tópico está quase virando de doutrinação. Melhor parar por aqui, com esta campanha: vá ao cinema, prestigie o filme e possibilite os próximos!) :-) Assista ao trailer clicando em:

nosso lar

Correndo por fora… Cartas para Julieta

Quando li a sinopse, pensei: “Mais uma surrada história de amor”. Com tanta coisa boa pra ver, como os filmes listados abaixo – que ainda não vi – e mais a estreia de Nosso Lar, era bastante improvável que eu escolhesse este. Mas com locações em Siena e Verona, a dica ‘turística’ que recebi prevaleceu. Afinal, eu adoro a Itália. :-)

Encarei a chuvinha no Rio, pensando que não fosse ter viv´alma no cinema mas, ó surpresa! A sala 1 do Laura Alvim estava lotada. Muitos casais e até famílias assistindo junto. Clima de romance no ar. O elenco é renomado: Amanda Seyfried, Vanessa Redgrave, Gael García Baernal . De desconhecido (pra mim) só Christopher Egan , que achei a cara do Heath Ledger – mais alguém achou?



Resumindo ao máximo: Amanda Seyfried é Sophie, noiva de Victor (Gael) e parte com ele para uma viagem pré-nupcial para Verona, cidade de Romeu e Julieta. Só que ele é workaholic e deixa a noiva com grande tempo para repensar  a relação dos dois. Sophie pretende ser escritora, e se surpreende ao encontrar as ’secretárias de Julieta Capuletto’. Para passar tempo, também mergulha no trabalho, buscando um tema para escrever. Por acaso, descobre, no  muro da casa de Julieta, uma carta ali deixada há 50 anos. Resolve ela mesma responder – e, dias depois, a remetente (interpretada por Vanessa Redgrave) aparece no local. Ambas partem, junto com o neto (Christopher Egan), em uma busca do romance perdido.

Cartas para Julieta tem momentos divertidos – se bem que os homens ficam mais entediados com filmes como este, típica comédia romântica, sem doses pesadas de humor, no entanto. Um deles reforça o estereótipo de como os italianos são sedutores, independente da idade ;-) . Aliás, estereótipos tem vários, mas vamos deixar passar… Fiquemos com a mensagem otimista, tipo ‘nunca é tarde para encontrar um grande amor perdido’. Ou ‘enfrente seus medos’ – inclusive de rejeição. Gente, será que isto foi spoiler?

O ponto ‘negativo’ é que dá uma vontade danada de comprar uma passagem pra Itália e ir conferir de perto as piazzas, os gellatti e a beleza daquele país, in loco. Mas, como nem sempre dá, tente pelo menos ver na telona , muito melhor do que ver em casa…

Lá nos minutos finais, uma pitada leve de filosofia existencialista: a maldição do “E se?” (what if?). Ou seja, o filme fala daquelas dúvidas que a gente arrasta pelo resto da vida, por não ter agido quando deveria, não ter apostado, por medo. O preço é carregar a tal culpa existencial. E a dúvida.

Sorte que tem gente que pode reverter e correr atrás do prejuízo. Cartas… dá um empurrão em quem precisa fazer as pazes com o passado. Afinal, pra que esperar 50 anos? A existência nem sempre é tão generosa…

Depois de A Origem…

Não sei bem quando e nem em que ordem mas, os próximos devem ser estes:

  • Meu Malvado Favorito,
  • Um doce Olhar
  • Coco Chanel e Stravinsky
  • Ponyo
  • “Then she found me” (título mais interessante no original).

Ó céus, qual deve ser o próximo? Sugestões?

A Origem – ou melhor, a história do herói atormentado

Ao sair do cinema, fiquei por dias sob o impacto da imagens de A Origem (Inception) e levei mais tempo do que o normal, para poder escrever algo decente. Mas como não tive tempo suficiente para aprofundar, resolvi deixar do jeito que está e esperar pelos comentários para poder debater.

Alguns amigos me diziam: “você TEM de ver A Origem, é Psicanálise pura”, o que me deixou ressabiada – afinal esta abordagem nunca foi a minha escolha. Adorei o que vi e discordo deles: o filme está mais para Jung do que para Freud. Ou, quem sabe, mais próximo da programação neurolinguística – afinal, o que seria uma inserção de ideia?

Mas, antes de começar a falar do filme propriamente e estragar o aspecto surpresa pra quem ainda não o viu, deixo o o primeiro conselho. Se você mora em uma cidade em que tenha cinema, por favor, sacuda a preguiça e vá ver o filme na telona. Ver no computador ou mesmo em uma televisão de tela gigantesca, em casa, não tem o mesmo impacto. O visual é muito bonito, remete à arte, a Escher, não é pra ser visto numa telinha em casa, por maior que seja a sua. A música, que em alguns momentos oprime, também pede um surround. Eu falei em Escher. A imagem abaixo ajuda a esclarecer porquê e reforça que o filme ‘pede’ uma telona. Espectadores mais jovens podem ver algumas cenas como referências a Hogwarth, mas creio que não são….

O roteiro e direção são de Cristopher Nolan. Mesmo não sendo conhecedora profunda do roteirista-diretor, assisti a seus Amnésia, Insônia , Batman – ao 1º, que me deixou insone – e O Grande Truque. Por esta filmografia, qualquer um já percebe seu prazer em confundir o espectador por muitos minutos até se revelar, no final… Ponto pra ele. Aliás, o filme tem tantos detalhes que para escrever algo decente teria de revê-lo …

Se você não se importa de perder o impacto de assistir ao filme de forma pura, com total surpresa – o que eu aconselho, muito, vá em frente. Se não, pare agora e só retorne depois da sessão.

Ok, você continuou , então vamos lá.

O elenco é estelar. Mesmo não sendo fã de Leonardo di Caprio (trauma por causa de Titanic?), reconheço que ele está bem, mais maduro, e convincente como alguém atormentado pelo passado e pelos erros cometidos. O sempre impecável Michael Caine tem uma rápida participação. Marion Cottillard interpreta sua esposa, morta, Mel. Ellen Page (Juno), Tom Hardy (500 Dias com ela), Tom Berenger,Cillian Murphy, bem como o sempre enigmático Ken Watanabe estão em sintonia fina. A história não é nada simples: Cobb é um especialista em adentrar a mente dos outros para roubar ideias. Há uma técnica que permite isto – não há muitos dados sobre o processo – desde que as pessoas adormeçam profundamente. No sono profundo, sugestões são feitas, a realidade é outra, e o tempo não é como o da vigília. Quem assistiu a Matrix, não vai deixar de ver semelhanças, como uma certa referência a conceitos budistas.

Em algumas cenas, a estética lembra games. O objetivo do jogo? Convencer um herdeiro de uma empresa gigante a dividir o seu negócio. para que o contratante de Cobb tenha maior lucro. Para isto, ao invés de roubar uma ideia, Cobb terá de implantá-la para poder recobrar sua liberdade e voltar para casa. Mas se Neo era um herói, podemos dizer que o caráter de Cobb é realmente ambíguo. Ele é um herói às avessas. Para conseguir no entanto entrar no labirinto do sonho, tem de se cercar de outras pessoas que o ajudem a sair desta, vitorioso. Não por acaso o nome da personagem de Ellen Page é Ariadne, famosa na mitologia por ter ensinado a Teseu como escapar do labirinto do Minotauro. Ariadne, na mitologia, se apaixona por Teseu. No filme fica o clima no ar – no seu empenho para ajudar Cobb a se livrar da sua culpa, relacionada com a morte da esposa, que fica presa em sua mente, sempre voltando e sabotando o que planeja, conscientemente. Fiquei com a impressão de que pode vir A Origem 2 pela frente.

O que será que nos faz torcer por heróis tortos? Será que é por que tentam se redimir dos erros passados? Ou por que tudo que querem é voltar às suas casas, como Ullysses? E por que tortos? Ora, quem gostaria de ter uma ideia roubada ou implantada? Onde fica a liberdade do sonhador? E onde está a ética? Se a gente já se incomoda tanto com as mensagens subliminares, a ponto de proibi-las, como não se indignar com a possibilidade de implante? E não é que, de certa forma, já vivemos isto com propagandas nos cercando em todos os lugares, onde antes havia vazio e espaço?

Então, não tem jeito, a gente se solidariza e torce pela redenção do bandido que vira mocinho – ainda que a sua vitória seja conseguir terminar, com sucesso, um ato tão anti-ético como implantar uma ideia. Para isto, adentra a mente da vítima e vasculha sua relação com o pai, que acaba de morrer. Manipula e transforma esta relação e, assim, garante sua liberdade. Cobb é corroído pela culpa pelo passado, sem se preocupar com o que faz no presente. E , como a gente sabe, culpa não adianta para nada: só nos prende ao passado, impedindo o crescimento.

Os sonhos induzidos parecem games, em que se tem um certo nível de controle. E é a margem de descontrole que faz de A Origem um filme de ação também. Nolan não foge ao script e ‘implanta’ cenas de de perseguição e luta, onde não se sabe mais quem é bandido, quem é mocinho. Eu sempre tinha achado que era incompetência minha, mas pelo visto, não… :-)

Como sonhos não são fáceis de explicar, porque fogem à linearidade, que a maioria de nós preza, este filme também nos deixa zonzos no início. Faltam informações sobre como ideias podem ser realmente implantadas. É um daqueles em que se ouve muita gente na saída comentando que não entendeu… Meus amigos junguianos podem fazer contribuições melhores certamente que ajudarão a quem ficou confuso, trazendo conceitos como anima, sombra, projeções

Para que estepost não seja infindável, passo a palavra a quem viu o filme… E se você ainda não o viu,deixo teaser. Clique aqui: a origem


 

Duas preciosidades


Gente, desculpe! estou meio enrolada de trabalho para postar aqui. To de passagem, rapidíssima, para compartilhar com vocês duas dicas de filmes que vão ficar para sempre na minha lembrança. Perdoem a formatação, está meio confusa, mas eu tinha de registrar estes dois filmes que, embora de estilos e nacionalidades diferentes, remetem a um passado bem recente: o século 20.

Um deles é O Pequeno Nicolau , filme francês que agrada pessoas de todas as idades – ainda que por motivos diferentes. Aos adultos, pelo saudosismo. As crianças, pela identificação com o protagonista.

Quem gostou de A Culpa é do Fidel, deve gostar deste, que também mostra como a ingenuidade infantil pode ser encantadora. A possível chegada de um irmãozinho dispara a imaginação de Nicolau, que se mete em muitas trapalhadas com seus amigos. Nada que uma boa conversa com os pais não teria esclarecido. E quem não teve fantasias apavorantes, quando pequeno? Quem não tremia ao ouvir fábulas como as de João e Maria, abandonados pelo pais? Ou O Pequeno Polegar… Mesmo quem, como eu, não conhecia e nem leu nenhuma historinha de Nicolau ( criação de René Goscinny – um dos autores de Astérix, bem famosa na França), deverá sentir carinho por todos os personagens desta história, que se passa no final dos anos 50. Fiquei com saudade do tempo em que a infância era uma fase de ingenuidade – que não mais existirá  assim – pelo menos nos grandes centros urbanos.

São hilariantes os ‘tipos’ dos amigos de escola (o CDF, o comilão, o burro como uma porta, o riquinho), a relação com os professores, inspetores etc. Com isto, a plateia volta em sua própria infância. E a relação dos pais – entre eles e com o filho – são marcantes. Mulheres que tentaram aprender a dirigir com o marido ensinando, vão se identificar muito com a mãe de Nicolau. E os homens, pressionados pela rotina de trabalho, a vontade de ascender profissionalmente, o convívio com o vizinho, também. Enfim, tudo toca a gente. Só vendo ! Quando tiver mais tempo, volto aqui e falo sobre ele. Mas vocês podem postar à vontade sobre ele, se quiserem. Clique aqui embaixo para um tira-gosto – mais tarde vou tentar colocar os vídeos mais facilmente, mas to enrolada mesmo e vou ter de pedir ajuda… :-(

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O outro é o documentário brasileiro Uma noite em 1967, sobre a final do terceiro Festival da Música Brasileira, realizado pela Record, em outubro daquele ano.

Quem já era grandinho, na época, vai reviver o clima da época. As músicas premiadas fazem parte da memória de qualquer bom conhecedor de MPB. É muito interessante que alguns detalhes dos bastidores foram revelados aos músicos apenas na época da filmagem. É ótimo ver suas reações às informações …


Para quem era criança ou ainda nem tinha nascido, o filme serve como uma boa aula de história. Dá pra imaginar que, em algum momento do passado, Gilberto Gil foi um dos que entrou em uma passeata de protesto contra a guitarra eletrônica? Ou, hoje em dia, um repórter entrevistando alguém fumando?
Enfim, o documentário não é só uma ‘aula’ sobre a  música popular brasileira. É também sobre como se fazia televisão, ao vivo. A atuação de Sergio Ricardo, reagindo explosivamente às vaias, um marco da época. Não sei o que é melhor: vê-lo depois explicando o que se passou ou a opinião de outro entrevistado (esqueci o nome), falando que era uma coincidência ‘junguiana’ o fato dele quebrar a viola e a música vencedora, Ponteio, ter no refrão o verso: “Quem me dera agora, eu tivesse a viola pra cantar”). :-) Clique aqui embaixo (pode confiar):

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Enfim, imperdível! Se não pelas músicas (Ponteio, Domingo no Parque, Roda Viva, Alegria, Alegria e um inacreditável samba defendido por Roberto Carlos – desculpem, mas, esqueci o nome! não conhecia esta, que ficou em 5o lugar e não vou procurar no Google! Fica registrado o meu conhecimento superficial… ;-) ), pelo menos para ver Chico, Caetano (sendo ainda chamado de “Veloso”, Edu Lobo, Gil e Roberto Carlos) e mais Nelson Motta, Sergio Cabral (pai), dentre outros, em depoimentos deliciosos.

Uma flor no deserto

Ao final da projeção de Flor do Deserto, a afirmação de Simone de Beauvoir não saía da minha cabeça:  “Não se nasce mulher. Torna-se mulher”.  Se até hoje esta frase divide as opiniões, após o filme – baseado no bestseller sobre a vida da modelo somaliana, Waris Darie – a gente se inclina a concordar com ela.

Decididamente não é um filme ‘mulherzinha’. Flor do Deserto é para quem quer saber do que acontece além da nossa pele, de nossos umbigos e das fronteiras nacionais. Aborda temas tabus – sexualidade e identidade femininas – ao retratar uma prática corrente em muitos países, ainda hoje: a mutilação genital feminina. Diariamente, 6 mil meninas são submetidas, em condições terríveis. Muitas morrem porque, mesmo havendo vários modos de praticar esta atrocidade, sempre se têm condições subumanas. Morrem sangrando. As que sobrevivem podem sentir dores insuportáveis, por muitos anos.

Um pequeno parêntese: não defendo que todas as tradições devam ser abolidas, e que tudo deva ser ‘globalizado’ ou padronizado como ‘politicamente correto’. Mas as que humilham, matam, torturam, causam sofrimento físico e/ou psicológico, estas, sim, devem sofrer repúdio internacional. E punição do governo, para quem insistir em perpetuá-las. O difícil de combater a mutilação genital feminina é que, no fundo, ela se presta ao controle e domínio – no caso, dos homens sobre as mulheres. E muitos não querem abrir mão deste poder.

Em termos cinematográficos, Flor do Deserto poderia ter virado um drama lacrimogêneo, do início ao fim, se caísse na mãos de um diretor errado. Mas, o filme tem momentos de humor, romance e cenas belíssimas no deserto e é mais um daqueles que ‘pedem’ telona. Logo no início, ao ver no elenco a atriz de Simplesmente Feliz (Sally Hawkins) – que detestei e sobre o qual escrevi um post (Simplesmente idiota – http://www.analista.psc.br/blog/?p=617), temi que ela repetisse o papel daquele filme, mas, felizmente, não. Outro detalhe importante: a música é poderosa, como pede a história da menina que, como tantas outras, por conta da dominação masculina, é submetida a uma mutilação em situações abomináveis. Eu confesso que não consegui encarar a cena propriamente dita. Não quer saber muito sobre o filme, antes de assistir a ele? Pare a leitura aqui…



Resumindo muitíssimo: Waris é uma jovem da Somália que vai morar em Londres. É uma sobrevivente a várias violências – a primeira perpetrada contra sua feminilidade, aos 3 anos de idade. Tinha tudo para ser mais uma dos milhões de mulheres que, ao sobreviverem, vão mantendo a tradição, passando adiante, submetendo suas filhas e netas, sem questionar. Mas, por mistérios que a Psicologia ainda não explicou, Waris tinha uma imensa força interior – era mesmo uma flor no deserto – e recusou-se a seguir o destino que lhe haviam traçado e foge de um casamento arranjado. A duras penas, vai parar em Londres e, apesar de todos os preconceitos que enfrentou inicialmente, consegue construir sua identidade.


Ao compreender o que haviam lhe feito, a diferença entre ela e as outras mulheres, sofreu intensamente. Numa das primeiras tentativas de ajuda, deu de cara com a tradição da qual fugira, na voz de um homem do mesmo país, que a questionou sobre o que iria fazer, em como iria contra os valores da família. E em flashback sabemos um pouco mais de sua história familiar.

Quando conseguiu, com ajuda de bons amigos, se lançar na profissão de modelo, esbarrando na ausência de visto, o glamour das passarelas não lhe bastou. Waris conscientizou-se do grande trabalho que tinha pela frente. E falando de sua vida, contando sua história , despertou a consciência de muitas outras pessoas que não sabiam da prática a qual milhares de meninas ainda hoje são submetidas. Ou, se sabiam, não tinham realmente pensado a respeito. O resultado disto é que, com seu trabalho – não só nas passarelas – vem mudando a vida de muitas mulheres submetidas à mesma ‘lei’.

Flor do Deserto então é um filme para homens e mulheres. Que sejam corajosos. Que fiquem incomodados na sua cadeira e sejam tocados. Que envolvam seus filhos e filhas no debate sobre o que é o poder, a dominação, o que é ser homem, o que é ser mulher. Sobre como é gostar de ser o que se é.

Flor do Deserto

Em breve, comentado aqui!

Estrela Brilhante


O novo filme da diretora neozelandesa Jane Campion, premiada por O piano, de 1993, decepciona quem vai atrás da paixão prometida no título (brasileiro) e no cartaz, que passa sensualidade, sem vulgaridade. ‘Paixão’, em geral, faz a imaginação disparar: esperam-se cenas calientes, adrenalina, que os sentidos sejam arrebatados em loucuras. Bane-se o bom senso. Não é sobre isto que Brilho de uma paixão vai tratar. Quem se interessa pela Psicologia do Amor (sim, existe este ramo da Psicologia) e pelos relacionamentos amorosos ao longo da História não sairá decepcionado da sala de projeção.


Aliás, este filme é um daqueles que se tem de assistir no cinema. A tela de tv, por maior que seja, prejudica bastante. Deixe-se arrebatar pela fotografia , uma das principais personagens na sala escura. A outra é a poesia: Estrela Brilhante, título original, é o nome de um dos poemas do protagonista. Para quem não tem o hábito de ler poesia, o filme não é ‘fácil’ por conta do vocabulário e das declamações que, juntamente com o ritmo, lento, podem causar sono para alguns espectadores.

A lentidão pode irritar os que gostam de filmes com muita ação, adrenalina e explosões. Mas o que se poderia esperar de um filme de época, sobre o relacionamento entre um poeta e sua amada? O poeta em questão é o romântico John Keats (Ben Wishaw), com 25 anos à epoca em que conhece sua eleita, Fanny Browne (Abbie Cornish, muito parecida com Nicole Kidman antes do botox). Fanny tinha então 19 anos e era sua vizinha. Criativa e talentosa, sua arte era a costura e se apaixona logo por Keats, que ainda estava iniciando na sua arte – a poesia. Ela faz de tudo para trazê-lo para mais perto dela e com isto vivem, romanticamente, aquilo sobre o que escrevem os poetas da época: o amor impossível, inalcançável. E não porque não fosse correspondido. A impossibilidade se dava por diferenças econômicas: Keats era um pobretão, morando de favor na casa de um amigo. A história se passa em 1818, quando seu talento ainda não reconhecido. Keats era incapaz de sustentar a amada.  No círculo que frequentavam, o casamento era muito importante e havia implicitamente um sistema de castas – sem este nome, é claro. Não havia tanta mobilidade social e por isto havia grande preocupação em vigiar o comportamento das moças para que não ficassem mal faladas, consequentemente perdendo um casamento proveitoso.

(Como nas resenhas anteriores, deixo a recomendação de não ler se não assistiu ao filme ainda, para não perder o pouco de surpresa que há nele.)

O que impede a união da jovem Fanny e John Keates é, portanto, a condição financeira do rapaz. Mas, pelo menos no filme, é o próprio Keats que se impede de desposá-la já que a família Brawne era bem receptiva ao poeta. A mãe não impedia sua idas e vindas para cortejar Fanny, a mais velha de 3 filhos, e mesmo sugere que ele volte em breve para casar com ela. Vemos ali uma família que já começa a ter autonomia frente à vigilância da sociedade, indo de certa forma contra os bons costumes. Não há acusações, o diálogo existe e todos os membros se respeitam e ajudam mutuamente. Aliás, que família! O título deveria ser ‘O brilho de uma família’. O elenco está impecável, principalmente a menininha que interpreta a irmã mais nova, Toots. Sempre que aparece, provoca um frisson nos espectadores. Pode ser que seja uma ‘licença poética’ da diretora – caso alguém saiba mais detalhes sobre a família Brawne, eu me interessaria bastante em saber, pois me parece uma precursora de um comportamento mais moderno.



A amizade entre Keats e Brown, que a princípio o ajuda financeiramente mas fica profundamente irritado com o envolvimento de Keats e Miss Brawne, deixa no ar uma possível atração homoerótica, não consumada. Brown faz de tudo para atrapalhar o romance. Até mesmo casar e se afastar de Keats, deixando-o em uma condição ainda mais penosa, financeiramente.

A postura do poeta é a que já conhecemos como típica do romantismo: sacrifica-se ainda jovem, sofre profundamente. John Keats, frente a possibilidade de ficar mais próximo ainda de mulher que ama, recusa-se e se mantém fiel a seus ideais: “tenho escrúpulos”. Não sucumbe à paixão, que fica no título brasileiro. O sentimento de um e outro é o amor puro, que sacrifica e vive de pequenos gestos e momentos. Quando percebe que não poderá mesmo ter a amada, Keats evita prejudicar seu futuro. Não quer que ela fique desmoralizada, impedindo-a de casar-se. Renuncia – de forma impensável aos ‘relacionamentos líquidos’ de hoje em dia, rotulados (erradamente?) como amor. Fanny retribui esta postura com uma fidelidade absoluta. Talvez espectadores das telenovelas – onde correntemente dados históricos são mudados para conquistar uma boa audiência e ter um final feliz- sintam-se bastante frustrados com o desfecho do filme, que se mantém fiel à vida real de Keats.

Brilho de uma paixão é, portanto, um filme que fará suspirar aqueles que sonham com amores que duram para sempre e se esforçam por ter um assim. Os que não entendem como é possível sacrificar-se (tornar sagrado) por uma história de amor ou acham que ‘a fila não anda, voa‘ provavelmente se entediarão. Fica a indicação para pessoas sensíveis.

As voltas que a vida dá…

Hoje, 2 de julho de 2010, foi um dia triste para grande parte do povo brasileiro. Tudo porque a Seleção Brasileira de Futebol foi desclassificada pela Holanda e deu adeus à possibilidade de ter o título inédito de hexacampeão. Nova chance agora só em 2014, quando sediaremos a Copa.


Não foi certamente a nossa pior derrota em uma Copa. Das que eu me lembro, marcantemente triste foi a de 82, quando fomos desclassificados pela Itália. (Talvez a derrota para o Uruguai, na final, em pleno Maracanã, tenha sido ainda mais dolorosa, não sei. Juro que não estava lá). Não tenho a pretensão, em um blog sobre psicologia, de fazer um revival – aliás, nem tenho competência técnica para isto. Mas, afinal, o que podemos tirar desta lição, para nossas vidas, individuais?

Várias lições são possíveis. Uma delas é básica e clichê: “o futebol é uma caixinha de surpresas”. Não sei quem foi o ‘filósofo’ que proferiu esta frase, mas foi uma definição perfeita. E sabe o que é melhor? É isto mesmo! O fator surpresa deve fazer parte das nossas vidas, sem que nos tire do eixo, sem que ’surtemos’. Na dúvida, consulte um/a psi! :D Brincadeiras à parte, foi por não saber lidar com o fator surpresa, que a equipe brasileira dançou hoje, após fazer um primeiro tempo empolgante. A torcida, enfim, começou a acreditar de novo na Seleção.

A surpresa já tinha nos desestruturado, nesta mesma Copa. Ao final do jogo contra a Coreia do Norte, aturdido com o cartão amarelo recebido por Ramirez no finalzinho do segundo tempo, o time vacilou. O adversário, muito fraco e que foi logo desclassificado, não perdeu a oportunidade de marcar seu gol – feito histórico para eles. Nesta partida eliminatória contra a Holanda, ao empatar, o time brasileiro, ao invés de mirar a virada – ou, pelo menos, levar a partida pros pênaltis – simplesmente se entregou, se desesperou. Não é a primeira vez que isto acontece.


Mas, não adianta ficarmos na lamentação: temos de ir em frente, a vida continua. Como disse Drummond, que depois da derrota de 82 escreveu uma belíssima crônica, publicada no dia seguinte no Jornal do Brasil, é ‘perder, ganhar, viver’. No texto, o escritor mineiro questiona qual seria o valor de ter a vitória garantida, de só ir buscar a taça, como se fosse nossa de direito. Confira aqui!

Drummond não testemunhou a mudança do futebol brasileiro, que tem sido bastante criticado por quem ainda quer ver futebol arte. No entanto, o que mais se vê são desvarios nos clubes, com jogadores se achando onipotentes. Como ídolos, muitos têm pés de barro, e alguns são vergonhosamente indisciplinados (o que deveria ser percebido como anti-esportivo…). Mesmo assim, são adorados por uma torcida que se projeta neles, se identificando muitas vezes por sua origem mais humilde. Enfim, este vínculo se retroalimenta e os jogadores seguem com uma conduta deslumbrada pela combinação de prestígio e poder de consumo que, de repente, conquistam, já que o esporte envolve cifras milionárias. A mídia os alça à condição de ídolos, sem terem o menor preparo emocional para isto. Bem, nem podemos falar isto da seleção escolhida por Dunga, que foi bem disciplinadinha. Mas , convenhamos, o que faltou foi equilíbrio emocional. Ainda são poucos os times que investem em Psicologia do Esporte (desconheço se havia na Copa algum apoio deste tipo, quem souber me informe).

Ser emocional é uma característica de boa parte dos brasileiros. Nossos atletas – de todas as modalidades esportivas, tanto homens quanto mulheres – são fortemente pressionáveis. Lembro-me de várias partidas já ‘ganhas’ que foram perdidas, no último minuto, por despreparo emocional. Em vôlei e basquete então, já perdi as contas. Está na hora dos dirigentes dos esportes apostarem em um trabalho sério, não só ‘muscular’ ou tático, mas de apoio ao atleta e às equipes, para resistirem tanto à pressão da torcida quanto à da mídia ou mesmo a reagir de forma focada mesmo às situações imprevistas, acontecidas em campo, enquanto a bola está rolando. Jogar só com o coração é pouco, não ganha partida, não ganha torneio.

E assim como é no futebol, é na vida. Não há garantias, não são sempre os mesmos vencedores, os mesmos perdedores. O futebol reflete a mesma impermanência de todas as coisas. Uns dias a gente ganha, hoje não. E, como lembra Drummond, vamos começar a trabalhar já que estamos na metade do ano?

Teste de fidelidade tosco




No final dos anos 80, um filme gerou uma polêmica e tanto: Atração Fatal. Dirigido por Adrian Lynn, tornou Glenn Close famosa e antipática para alguns, até hoje , por seu papel. A trama era simples: em um final de semana em que a esposa estava fora, Dan Gallagher ( Michael Douglas) tem um rápido affair com Alex Forrest (Glenn Close). Como ele não quis dar continuidade ao caso, Alex perseguiu Dann até as últimas consequências, revelando-se uma total desequilibrada, com as situações mais grotescas e pavorosas. Até hoje o filme é citado – com humor ou pavor – quando se fala de traição, para alertar dos riscos que uma simples escapadela encerra em si mesma.



Quando O preço da traição entrou em cartaz, com um elenco de primeira (Julianne Moore, Liam Neeson e a jovem Amanda Seyfried, mais famosa por aqui após Mamma Mia), não pensei duas vezes em conferir. Não sabia que era um remake de um filme francês (que vou tentar conferir em breve). O título em português não deixava dúvidas sobre do que se vai tratar: traição.


Desde as primeiras cenas, antipatizei com a protagonista, a excelente Julianne Moore, o que se manteve até o fim do filme. (Aliás, nenhuma das personagens me despertou particular simpatia). Resumo da ópera: Catherine e David formam um casal muito bem sucedido profissionalmente. Ela, ginecologista – ele, professor. As próprias escolhas profissionais poderiam ter algum significado , mas não são exploradas em momento algum no filme. A crise de casamento fica explicitada na noite do aniversário de David. Catherine organiza uma super festa surpresa para o marido, que se divide entre aulas nos EUA e no Canadá, onde moram. Detalhe: David não chega a tempo para a comemoração. Passa a noite fora, por ter perdido o avião. E Catherine fica frustrada, com a estupenda casa cheia de convidados.

No dia seguinte, Catherine e David não conseguem manter um diálogo decente. David se justifica, afinal a festa era surpresa. E revela o quanto o passar do tempo e o envelhecimento o apavoram. Muito magoada por achar que ele não se esforçara para voltar na véspera e insegura ao constatar o pavor dele com seu próprio envelhecimento, Catherine dá um significado todo especial ao SMS que ele recebe, mandado por uma aluna – certamente nada ‘bem intencionada’. O monstrinho de olhos verdes desperta na médica. Até aí tudo bem, por mais que seja questionável fuçar os torpedos do cônjuge. Mas, sejamos condescentes e demos um ‘desconto’: o bolo que ela levara deixaria qualquer mortal um tanto quanto chateada – e desconfiada. Paralelamente a isto, sabe-se lá porque, o filho do casal é totalmente indiferente à mãe, beirando à rebeldia.

Aviso: quem ainda não viu o filme – e que não gosta de saber o final da história – deve parar por aqui.

Catherine – que é uma ginecologista mas não entende nada de psicologia – ao invés de buscar ajuda em uma psicoterapia ou tentar uma simples “d r”, resolve inovar. Aproxima-se de Chloe (personagem de Amanda Seyfried, cujo nome batiza o título no original), que é uma garota de programa a quem observa sempre da janela de seu consultório. Pede para que seduza o seu marido. “Como assim?” Olha, pode parecer inverossímil, mas não duvido de que exista gente que faça isto. Quando o ciúme se instala, não se pode prever as consequências, por isto tem de sempre ser combatido. Jogar luzes sobre o problema e iluminá-lo são fundamentais para impedir seu poder de destruição.




Assim como não tive empatia por Catherine – apesar de concordar que ela tinha todo motivo para suspeitar do marido – Chloe, a garota de programa, não convence. Ela tem uma fala interessante, no início, ao dizer que sempre buscava algo de positivo nos seus clientes. Mas, pensando bem, não foge muito ao clichê cinematográfico sobre as prostitutas. Quase no final, fica claro o real interesse de Chloe. Sai do consultório da médica, após tentar pressioná-la a assumir um relacionamento (algo nunca imaginado por Catherine) – e parte para seduzir o filho do casal. Aí fiz o link: “vai virar um thriller, ou algo gênero ‘Atração fatal’”. Nada disto, a trama dá uma embolada no final e logo vêm os créditos finais.


Porém a personagem em si não fica bem delineada. Poderia ser uma carente, poderia ser uma sociopata – aliás, foi nisto que apostei, na medida em que contava particularidades em relação a David, apesar de Catherine ter querido retroceder. Ao ver que estava perdendo o desafio, Chloe se aproxima do filho do casal e o seduz, na casa dele. Foi aí que lembrei de Atração Fatal, imaginando ver a reedição de Alex Forrest. Porém, quando Chloe se deixa matar, a teoria psicopatológica na qual eu tinha apostado se mostrou furada. Ou seja, nada na personagem era consistente. A não ser que realmente ela tenha se apaixonado pela médica. A origem de tal paixão no entanto não fica clara. Começara antes mesmo de Catherine querer contratá-la, quando tenta fazer contato no banheiro de um restaurante chic? Enfim, a alma de Chloe não fica clara para o espectador – que pode computar tudo a uma falha de caráter, que muitos acham comum e esperado em profissionais do sexo.


E David? Depois de todas as turbulências e trapalhadas em que Catherine se mete, ele é decididamente o mais centrado e honesto do trio. Quando enfim Catherine se dá conta do plano de Chloe, fica arrependidíssima, claro. E a melhor cena do filme é quando ela reafirma o seu amor por ele. Desabafa, falando das suas inseguranças, frente ao seu próprio envelhecimento e mostrando o quanto o envelhecimento, nele, só o tornou mais atraente para ela.

Então o que O preço da traição nos deixa? Plagiando um antigo psicólogo brasileiro, diria que a principal mensagem é que ’sem comunicação, não há solução’. Outras seriam: 1) ‘o ciúme é uma droga – que não deve ser provada ou estimulada, nem por brincadeira’. 2) ‘em caso de crise no relacionamento, melhor buscar ajuda psicoterápica’, ao invés de improvisar com métodos, digamos, pouco ortodoxos… ;) 3) uma neurose não tratada pode ser muito destrutiva…

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Como Atração Fatal e outros filmes polêmicos, no final das contas se este não acrescenta nada como crescimento pessoal, serve pelo menos para um bate papo com amigos, pós-cinema, a fim de discutir o que se pode ou não considerar traição, o que se pode relevar ou não…