Archive for November, 2008

Festejando o novo ciclo

“Adeus, ano velho, feliz ano novo, que tudo se realize, no ano que vai nascer… muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender”.

Como ouvi em uma palestra há alguns anos, esta música de ano Novo expressa bem a  “normose” da sociedade… Os votos por felicidade estão em coisas poucas. Ok, saúde é imprenscindível, o dinheiro bem vindo – mas queremos mais da vida, não queremos? Talvez a música dos Titãs (Comida) fale mais do que alegra à alma. (Para quem esqueceu, a letra diz: “a gente não quer só dinheiro / A gente quer dinheiro / E felicidade/ a gente não quer só dinheiro / a gente quer inteiro / E não pela metade…“).

Queremos felicidade, força, coragem, amigos, vitórias, compreensão, entendimento, paz… Enfim,muito se pode falar sobre o que desejamos para a vida. Mas foquemos na musiquinha, ou melhor, nesta época, que deveria ser de interiorização. Estamos frente ao fim de ciclo e início de outro – um ano novo.

Esta reflexão, muitas vezes é evitada, “deprime”. E  nas cidades grandes, desde outubro, já se vêem lojas com decoração natalina, prontas para vender, abrindo a temporada oficial de Natal. Em alguns dias, começará o caos no trânsito (no Rio, principalmente, engarrafamentos quilométricos, agravados com a árvore da Lagoa, para fazer um marketing de banco!!!) e  a pressa das pessoas saírem de seu trabalho – ou para irem às compras e gastarem todo o 13o ou para se unirem a amigos em comemorações de final de ano. Tudo isto nos desvia do nosso foco, da nossa meta. Com esta perspectiva, para muita gente, esta época, que deveria ser festiva, torna-se sinônimo de suplício: se pudessem, dormiriam no início de dezembro para só acordar depois de 2 de janeiro.

No entanto, os rituais, em si, são importantes para o indivíduo. A proximidade com o Natal e Ano Novo induz a um balanço das coisas boas e ruins que passamos ao longo dos últimos 365 dias, permitindo um distanciamento crítico para avaliar o que fizemos de certo e errado, o que planejamos bem, as pessoas que passaram pela nossa vida, as que ficaram. E deixa questões:o que poderemos fazer melhor – ou simplesmente diferente – no ano que se iniciará.

Claro que nem sempre isto é fácil, há coisas que não dependem diretamente de nossa vontade, perdas e separações. A saída é desenvolver a força interior para resistir às turbulências da vida. Crescer, mudar, lidar com os fracassos ou perdas  dói, se não estamos embotados.

Mas a vida está aí,  para ser vivida, apreendida, significativa e com significado – que cada um dá.

Começar (ou fechar) o ano, buscando ajuda psicoterápica para alcançar o significado das experiências que se atravessam, por vontade própria ou não, é uma alternativa saudável e madura, ainda que vá contra o “senso comum” de que tudo vai ser diferente pelo simples romper do ano novo.

Crise no mundo, no Brasil, e no consultório

E fechando o terceiro trimestre de 2008, o mundo se deparou com uma nova crise econômica mundial. Na era da globalização, tudo interligado, os efeitos da descoberta de que não se vivia na realidade ainda estão sendo descobertos. Apesar do otimismo local, com promessas de que o Brasil será pouco afetado, certamente já se sabe do adiamento de investimentos.

Como não podia deixar de ser, em momentos como este, também na clínica se ouve a crise . A clientela muitas vezes se assusta e retrai, suspende projetos pessoais.

Apesar de toda a turbulência, é um momento crucial de apostar em si mesmo, nos recursos criativos para superar o momento e buscar novos horizontes. Afinal, crise significa também oportunidade e o espaço terapêutico é um bom lugar onde se podem explorar as várias possibilidades…