Festejando o novo ciclo
“Adeus, ano velho, feliz ano novo, que tudo se realize, no ano que vai nascer… muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender”.
Como ouvi em uma palestra há alguns anos, esta música de ano Novo expressa bem a “normose” da sociedade… Os votos por felicidade estão em coisas poucas. Ok, saúde é imprenscindível, o dinheiro bem vindo – mas queremos mais da vida, não queremos? Talvez a música dos Titãs (Comida) fale mais do que alegra à alma. (Para quem esqueceu, a letra diz: “a gente não quer só dinheiro / A gente quer dinheiro / E felicidade/ a gente não quer só dinheiro / a gente quer inteiro / E não pela metade…“).
Queremos felicidade, força, coragem, amigos, vitórias, compreensão, entendimento, paz… Enfim,muito se pode falar sobre o que desejamos para a vida. Mas foquemos na musiquinha, ou melhor, nesta época, que deveria ser de interiorização. Estamos frente ao fim de ciclo e início de outro – um ano novo.
Esta reflexão, muitas vezes é evitada, “deprime”. E nas cidades grandes, desde outubro, já se vêem lojas com decoração natalina, prontas para vender, abrindo a temporada oficial de Natal. Em alguns dias, começará o caos no trânsito (no Rio, principalmente, engarrafamentos quilométricos, agravados com a árvore da Lagoa, para fazer um marketing de banco!!!) e a pressa das pessoas saírem de seu trabalho – ou para irem às compras e gastarem todo o 13o ou para se unirem a amigos em comemorações de final de ano. Tudo isto nos desvia do nosso foco, da nossa meta. Com esta perspectiva, para muita gente, esta época, que deveria ser festiva, torna-se sinônimo de suplício: se pudessem, dormiriam no início de dezembro para só acordar depois de 2 de janeiro.
No entanto, os rituais, em si, são importantes para o indivíduo. A proximidade com o Natal e Ano Novo induz a um balanço das coisas boas e ruins que passamos ao longo dos últimos 365 dias, permitindo um distanciamento crítico para avaliar o que fizemos de certo e errado, o que planejamos bem, as pessoas que passaram pela nossa vida, as que ficaram. E deixa questões:o que poderemos fazer melhor – ou simplesmente diferente – no ano que se iniciará.
Claro que nem sempre isto é fácil, há coisas que não dependem diretamente de nossa vontade, perdas e separações. A saída é desenvolver a força interior para resistir às turbulências da vida. Crescer, mudar, lidar com os fracassos ou perdas dói, se não estamos embotados.
Mas a vida está aí, para ser vivida, apreendida, significativa e com significado – que cada um dá.
Começar (ou fechar) o ano, buscando ajuda psicoterápica para alcançar o significado das experiências que se atravessam, por vontade própria ou não, é uma alternativa saudável e madura, ainda que vá contra o “senso comum” de que tudo vai ser diferente pelo simples romper do ano novo.

