Archive for January, 2009

Benjamin Button e o tempo

Começo confessando que não li o romance de Scott Fitzgerald. Confesso ainda mais: nem sabia da existência do romance – na verdade, um drama.  Faço o alerta  e a confissão de ignorância pois minhas reflexões são baseadas exclusivamente no filme. O longa metragem tem ótimo elenco e a história  gira em torno de Brad Pitt (Benjamin Button) que repete a parceria com Cate Blanchet (Daisy, companheira de Button em sua jornada) do premiadíssimo Babel - a que não assisti ainda.

Para quem também não leu o conto, resumirei bem sucintamente. Adianto que o filme é ‘todo bom’:elenco impecável, bela fotografia, maquilagem primorosa, direção de arte… Com isto, concorre a 13 estatuetas no Oscar de 2009. Tomara que tenha melhor sorte do que no Globo de Ouro – não conseguiu nenhum por lá.

Vamos à sinopse.  Benjamin Button nasce com aparência e saúde de velho. O culpado? Talvez o relógio da cidade, cujos ponteiros giravam ao contrário. Rejeitado por seu pai (por motivos que não vou adiantar aqui), é abandonado e criado por uma mulher estéril, que o adota, apesar dos péssimos prognósticos e das dificuldades financeiras. E assim vai acontecendo um milagre: o bebê velho vai resistindo, sobrevivendo e… bem, vale a pena ir ver o filme, mesmo que, como já disseram por aí, tenham sido feitas muitas alterações no texto original.



Não sei vocês, mas eu já recebi dezenas de vezes um email – atribuído ora a Charles Chaplin, ora a Woody Allen :o – com um texto que diz que a vida é injusta, que deveríamos nascer velhos e irmos rejuvenescendo, até voltarmos ao ponto do orgasmo em que fomos gerados (ok, nem todos, nem todos ;) ). Nunca concordei muito com a frase mas pesquisando mais sobre o filme, descobri que Fitzgerald se inspirou na seguinte frase de Mark Twain : “A  vida  seria  infinitamente mais  feliz  se  pudéssemos nascer aos 80 anos e gradualmente chegar aos 18” (ver em http://cultura.updateordie.com/cinema/2009/01/06/o-curioso-caso-de-benjamin-button , blog que me fez querer ler o livro).

Para quem acha mesmo que a alteração na linearidade da vida seria a melhor forma de viver, o filme mostra que não é bem assim. Não importa em que direção o ponteiro do relógio gire, a passagem do tempo sempre angustia a maioria de nós, mortais. Indica nossa finitude. Indica que enfrentaremos perdas. Benjamin se prepara para suas perdas, vive intensamente, sem grandes questionamentos. Mas a angústia aparece, talvez de forma pior do que para nós, que temos um destino em comum, na vida real.

Quem for ao cinema sem  interesse no talento do ator ou na história pode achar o filme muito lento. Lento e longo – são 166 minutos de filme. Brad Pitt custa a surgir com o visual que conhecemos desde Thelma e Louise e que conquistou milhares de fãs.  Poderíamos fazer um “antes” e “depois”. O ‘antes’ é como um velhinho ‘jovem’, descobrindo a vida, como se vê abaixo:



A partir daí, tem-se a impressão de que o tempo do filme acelera. Teria ele já tinha aprendido o de melhor da vida. Ou não? E aí surge o visual que conhecemos, até quase o final do filme.

Quando crianças, sonha-se que o tempo dispare para obter a liberdade e independência que supostamente os adultos têm. Mais uma ilusão. Tempo e liberdade – já seria outro tema ou é o mesmo?



Duas frases se destacam no trailer: “A vida só pode ser entendida em retrospectiva. E só pode ser vivida olhando-se pra frente“. A essência deste pensamento, de Kierkegaard, me remeteu ao desabafo de uma das pacientes terminais do psiquiatra americano Irvin Yalom, que disse “a existência não pode ser adiada“. Já que este é o tópico das ‘confissões’, confesso que esta frase me orientou desde que a li, há anos. Ela une o foco no ‘aqui e agora’ dos existencialistas com o pensamento oriental que, por razões bem diversas, recomenda o mesmo.

O filme é docemente triste, uma análise sobre a passagem do tempo e o  fato de que não se pode pará-lo ou antecipá-lo, em momento nenhum de nossas vidas, por mais que o queiramos. Pode ser visto como um ode ao amor incondicional, ao amor com desapego.

A trajetória deste herói, sabe-se desde o início, é fadada ao fracasso. Se Benjamin  é impotente, como todos nós, frente à morte, desde o início sabe que não receberá um dos ‘presentes’ que temos da existência: dar um sentido à vida, ainda que no leito de morte. Benjamin sabia desde  sempre que seu  fim levaria  ao esquecimento, à inconsciência. Sairia da condição de humano, perderia sua memória.

Enfim, O curioso caso de Benjamin Buttoné um filme para ser visto não apenas como ‘a melhor diversão’, mas como uma profunda reflexão acerca de como vivemos nossas próprias vidas…

Rebeldes com causa

Há  18 anos foi aprovado o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Agora temos alguns anos para aprendermos as novas regras. Só que as reclamações não param, principalmente entre o pessoal mais velho – que já achava difícil aprender e agora é desafiado a desaprender e aprender novas regras.

Algumas pessoas dizem que não vão aderir. Gostaria de poder ser ‘rebelde com causa’, mas até por conta da minha profissão (aliás, das duas formações: Comunicação e Psicologia), não posso me dar a este luxo. Perdoem os erros que eu vier a cometer aqui, por força do hábito.

O que mais me entristeceu neste acordo foi a queda do trema. Gostei da reincorporação das letras ‘estrangeiras’ (K, W, Y)  mas, e as novas regras do hífen? Achei pavorosas. Os acentos diferenciais, que pouca gente sabia mesmo usar, caíram. Mas nem todos! Então, a confusão vai continuar ou piorar.

Foi dito que o acordo – com letra minúscula propositalmente, para não prestigiar ;) -  surgiu para evitar prejuízos comerciais ao Brasil e demais países que falam o Português. A Torre de Babel continua firme e forte.

Mas não posso deixar de considerar uma medida burra. Não seria  mais simples ter bons revisores para os tais acordos? A medida acaba de  condenar milhões de documentos, livros, jornais a uma repentina obsolescencia (já nem sei se acentuada ou não). Se você, ao ler isto, lembrar de algum bom motivo a favor do acordo, me diga…

Ah, mas pode-se argumentar que reformas já foram feitas antes, entre a minha alfabetização e a dos meus pais. A língua evolui, não podemos engessá-la. Porém, temos a questão da ecologia, mais premente agora. Não duvido muito de que algumas pessoas obsessivas vão querer substituir seus livros… Mas, acima de tudo, acho que a motivação principal não vai ser atendida: não consigo acreditar que os erros e prejuízos serão extintos!

E você? Vai aderir a qual das causas?

Maysa

Ao longo de 2 semanas, o país ficou fascinado com a minissérie Maysa, exibida pela Rede Globo. Muita gente que sequer era nascida na época em que viveu, que só a conheceu indiretamente, através dos comentários da família, gente que nem tinha ouvido falar da cantora, sentou-se hipnotizada frente à telinha.

E o que encantou na novela? Terá sido  apenas o ‘padrão globo de qualidade’, com produção e escalação do elenco impecáveis? O  carisma da atriz que encarnou a protagonista, Larissa Maciel, até então desconhecida aqui no Rio e que deve despontar para o sucesso?

Tenho quase certeza de que não. O que gerou comentários apaixonados (espalhados em blogs, comunidades e artigos de jornais) é a força da mulher Maysa. Uma mulher que ousou, foi contra a sociedade em busca do que considerava certo para si. Que abriu mão do conforto de um casamento – coisas que mesmo em pleno século 21, muitas mulheres ainda perseguem. Por isto, incomodava tanto nas antigas gerações, porque mostrava que seria possível, sim sobreviver. Logicamente, a minissérie deve ter filtrado muita coisa e glamourizou aspectos da cantora, com os quais seriam difíceis de conviver, na ‘vida real’. Ainda assim, a história da cantora despertou curiosidade e empatia na audiência.

Obviamente sempre há quem critique os ‘rebeldes’ da sociedade, dizendo que é melhor não investir em programas que retratem uma personalidade assim, que vai servir de ‘mau exemplo’. Bobagem. Sendo uma história real,  merece ser contada e conhecida, servindo de exemplo – seja para o que for.

Meu palpite é que  o que magnetizou a audiência foi a relação mãe-filho. A gente assistia assombrada às dificuldades de Maysa em conciliar o seu papel de cantora e mulher com o de mãe. Em uma sociedade, como a nossa, na qual a maternidade é considerada uma bênção, a ser honrada, e da qual sempre se espera sacrifício da mulher, a ‘padecer no paraíso’, a gente se tomava de dores pela dor e saudade do filho, Jayme Monjardim. Ao dirigir a minissérie, provavelmente muito do que ainda restava assombrando, provavelmente foi elaborado. Seus dois filhos (portanto netos da Maysa) o representaram, em diferentes épocas, e provavelmente puderam experimentar o que seu pai sentia na pele a cada abandono da mãe.

Soube de muitas pessoas profundamente tocadas por esta dificuldade, esta distância mãe-filho. O amor existia, não da forma ‘padrão’, nada que a deixasse suficientemente tranquila para abdicar de sua vida profissional e amorosa, do seu aspecto fêmea, para ser apenas mãe – que muitas vezes, e principalmente naquela época, deve renunciar à sua sexualidade. É o conflito entre o aspecto mulher (Afrodite-Vênus, na mitologia greco-romana) e o aspecto mãe (Deméter-Ceres), com que a maioria das mulheres contemporâneas se confrontam e desesperam. Qualquer sacrifício, a um dos dois aspectos da feminilidade, pode trazer muita frustração. É um preço a ser pago na escolha, seja por conciliar, seja por abdicar.

Em muitos momentos, a minissérie lembrou-me um trabalho analítico, profundo. Remeteu-me também as “Constelações familiares”, de Bert Hellinger.

Os tradicionalistas talvez nunca tivessem conseguido como Jayme Monjardim, perdoar sua mãe, reconhecê-la nas suas possibilidades e inteireza, aceitando-a. Estariam ainda paralisados, queixando-se do abandono, dos traumas, deixando a vida passar. Não foi o que ele fez e o resultado todo mundo pôde ver: com todas as dores e cicatrizes emocionais, o futuro dele foi tão brilhante quanto o que ela desejou e acalentou.

Alta rotatividade

Em minha primeira carteira de trabalho havia um texto, logo nas primeiras folhas, que dizia que registros profissionais falam muito de quem a portava. Nele era apontada a relação entre o tempo de emprego e personalidade. Assim, segundo podia-se interpretar, quem permanecesse no mesmo emprego longos anos  seria analisado  como alguém confiável, com estabilidade. Seria o que se dizia:  alguém que ‘vestia a camisa da empresa’. Lembro do meu pai ter me falado o mesmo, fazendo recomendações quando fui pro primeiro estágio.

Como profissional liberal, não sei dizer se o texto permanece na CTPS. Se mantido, está anacrônico. Lembrei dele hoje ao ler o artigo de Tom Coelho que, ao descrever o mercado de trabalho hoje, propõe reflexões interessantes, como quando fala em “promiscuidade corporativa” (no texto disponível em   http://www.tomcoelho.com.br/artigos/artigos.asp?r=141&busca=amante+argentina ) . Chamaram  minha atenção as ponderações do autor sobre o que estamos ensinando aos jovens. Vale ler!

Tenho a impressão que a alta rotatividade aqui no Brasil começou com os publicitários. A saída de Washington Olivetto da DPZ e, alguns anos depois, o vôo solo de Nizan Guanaes, talvez tenham influenciado um pouco o panorama geral – estava nos jornais. Com certeza, influenciou o mercado publicitário. Atualmente, há profissionais de RH que  aconselham ao profissional que mudem, que fiquem no máximo 5 anos em uma empresa. Rodando de uma para outra, ’somam-se competências’, ‘obtém-se uma visão globalizada’ etc etc. E outros consultores tentam vender estratégias para que as empresas retenham seus talentos. Enfim, há mercado para todos.

Como consequência da instabilidade do mercado profissional, vemos crescer o número de consultores. Alguns se lançam em busca mesmo de melhores salários e benefícios pois não contam com a ‘fidelidade’ da empresa, a ‘consideração’ que antigamente se tinha, o prestígio que se tinha no emprego quanto mais tempo de casa se acumulava. Em nome da lucratividade, a maioria das empresas se desumanizou, adotando uma política agressiva, embasada na lucratividade apenas. Aos funcionários, resta mesmo ir atrás das melhores ofertas e oportunidades. ”Cada um por si”.

Não por acaso, aumenta a procura por concursos públicos – e é muito raro saber de alguém que, tendo se tornado funcionário, abra mão das “garantias”. Mas também há uma relação esquisita: conquistada a estabilidade, muita gente se acomoda. Tal qual em casamentos. Não dá para não perceber a  semelhança entre relações trabalhistas e relacionamentos amorosos contemporâneos. Talvez a motivação das crises, em ambas as áreas, seja a mesma.

Pensando a nível macro, o que mudou, depois dos conselhos de meu pai, há mais de 20 anos, e hoje?

O mundo. Seus valores. O mercado profissional. O indivíduo.

Ampliando ainda mais, vemos que a mesma ‘rotatividade’ dos empregos e talentos está presente nas diversas relações. Os laços afetivos, cada vez mais frouxos, facilitam o rompimento dos relacionamentos , tão logo nada mais acrescente. Não só com a empresa, mas com a família, nos namoros, nos casamentos.

Atualmente, há estudiosos  sobre a contemporaneidade que descrevem a sociedade “líquida”.

Alguma alternativa à vista? como cada um de nós pode ir contra a maré?

Está aberto o debate…

Leia depois de ver

Se você ainda não assistiu a Queime depois de ler, último filme dos irmãos Cohen, melhor parar de ler agora e só voltar depois de ter assistido à mais nova produção da dupla.

Para mim, o filme foi uma agradável surpresa. Já tinha assistido a alguns outros da grife Cohen, mas confesso que estava meio temerosa, frente aos comentários de que era uma comédia de humor negro (tenho sérias restrições a este tipo de humor).

O elenco estelar atrai o público, mas os atores em papéis secundários também brilharam, fazendo valer a pena o ingresso.  Destaque para Brad Pitt, um personal trainer totalmente estapafúrdio e sem noção da enrascada em que estava se metendo. Fica a impressão de que ele se divertiu muito ao rodar o filme (dá até pra imaginar as gargalhadas dele se assistindo na telona).

Queime … custa um pouco a decolar. Obviamente, até isto foi calculado - o roteiro merece muitos elogios. Depois que se imprime o ritmo, o filme passa rápido, de forma divertida, usando um humor sarcástico para fazer uma crítica ácida da sociedade contemporânea. Cria tensão onde não há motivo para ficar tenso e nos choca em cenas em que só prevemos graça.  E mesmo chocados, não deixamos de rir.

O filme tem a cara da sociedade americana:  vários estereótipos estão presentes. E também não deixa de ser uma sátira aos filmes de espionagem, incluindo a eterna disputa entre CIA e FBI.

Sendo este um mundo globalizado, muito do que ali é satirizado também se encontra aqui.  São temas da contemporaneidade e o culto exagerado ao corpo é um deles. O filme começa a ganhar ritmo a partir da consulta com o cirurgião plástico (que nem seria um personagem secundário, estaria mais para terciário). E apesar de sua “desimportância”, é ele quem  incita Linda em sua busca frenética por  dinheiro para as 4 cirurgias plásticas, totalmente supérfluas. Já vimos este filme?

Linda se interessa por migalhas afetivas e busca relacionamentos pela internet, em sites de relacionamento. Possível adepta de slogans do tipo “Go for it“, ao longo das quase 2 horas de filme, passa por cima dos limites do bom senso, da ética pessoal, deixando de lado inclusive valores “intocáveis” como a amizade -tudo para conseguir atingir seu objetivo.

Já o looser Ozzie Cox, por achar que não foi reconhecido profissionalmente e ter sido colocado em disponibilidade, por problemas de alcoolismo, demite-se e planeja escrever um livro de memórias – sem nenhum apoio da mulher, Katie. Katie cai no riso frente aos seus planos, mas não dorme em serviço. Encarnando o estereótipo da mulher bem sucedida, mandona e sabidona, trai seu marido, não só sexualmente mas também financeiramente. Apesar de tanta esperteza, não tem a menor sensibilidade para avaliar o grau de comprometimento de seu amante (interpretado por George Clooney). Este, no entanto, tem um comportamento sexual compulsivo e seu caminho se  cruza com o de Linda, que também procura relacionamentos via internet. Há  cenas muito  engraçadas no relacionamento entre os dois.

A sucessão de confusões e bizarrices remete, de certa forma, às comédias de erros shakespeareanas - não pela leveza e final feliz, mas pelo absurdo das situações em que os personagens se metem.  Uma sucessão de erros que não poderia terminar bem – ainda que divirta os espectadores.

A riqueza psicológica das 5 personagens principais mereceria uma análise mais aprofundada. Seus relacionamentos teriam claras indicações para psicoterapia de casal, se fossem na verdade casais. O desconhecimento entre  parceiros sexuais (casados ou não)  é presente em todas as relações do filme, todos sofrendo de uma cegueira emocional. 

São caricaturas de pessoas que conhecemos, comuns. Gente que anda por aí, freqüenta nossos círculos, que quer se dar bem. Gente ambiciosa e hedonista,  pessoas que adotam máscaras sociais que não lhes caem bem. Algumas,  com o intuito de  ir além dos limites, em busca de uma pretensa felicidade.

Relacionamento virtual ou real?

Pesquisa realizada  pela firma Harris Interactive por encomenda  da Intel mostra o papel de destaque da  internet na vida dos adultos americanos. Foram entrevistados mais de 2 mil americanos e uma das perguntas era se preferiam ficar sem internet ou alguma outra atividade por duas semanas. Navegar na rede foi a opção primária de muitos adultos, confrontada com  o sexo:  46% das mulheres e 30% dos homens abririam mão de relações sexuais por duas semanas para não ficarem sem internet.

E surpreendentes 67% dos adultos entre 18 e 34 anos preferem a internet a assistir televisão.

A idade possivelmente influenciou nas respostas, apesar de não se poder comparar as faixas etárias estabelecidas: 39% dos homens (de 18 a 34 anos) abririam mão de sexo; entre mulheres de 28 a 34 anos a conexão seria a escolha de 49%, e de 52% entre mulheres de 35 a 44 anos.

De acordo com o site Digital Trends , 65% dos entrevistados diz ser impossível viver sem acessar e 71% diz que é importante possuir dispositivos conectados à rede.

A pesquisa não era só sobre relacionamentos, enfocando também a economia, hábitos de compra  etc.

Maiores detalhes estão em http://br.tecnologia.yahoo.com/article/16122008/7/tecnologia-americanos-preferem-internet-sexo.html

Não sei ainda de pesquisa semelhante relativa ao internauta brasileiro, mas creio que o resultado não seria muito diferente. Afinal, é sabido do enorme interesse pelo mundo virtual que se encontra na terra brasilis – haja visto o sucesso do site de relacionamentos orkut que, apesar de criado por um americano, teve maior sucesso junto aos brasileiros.

A idade é uma variável importante na análise desta pesquisa. Pessoas mais velhas,  que já experimentaram sua cota de relacionamentos e separações, podem estar com preguiça de lidar com todas as frustrações que certamente os contatos presenciais trazem. Ficam protegidas em suas casas, vivendo a fantasia mas se poupando do desgaste, do desperdício de energia, do risco de se expor na vida real. Não foi divulgado também o percentual de cada estado civil dentre os  que preferem a internet ao invés de TV (outra virtualidade) ou mesmo ao sexo.

Este panorama  angustiante remete a filmes como Denise está chamando e predispõe a uma explicação genérica. Antes de se abismar e sair  jogando pedras na vida “virtual”, seria bom perguntar: “que carências a internet supre?”, “Que vantagens ela traz”? “Que dores e prazeres impede?”, “O que ela ensina?”.  Logicamente,  cada pessoa que responde que prefere a virtualidade tem um histórico, maior ou menor, mais sofrido ou mais leve, que ficou de fora da pesquisa.

O fascínio do componente ‘fantasia’ sobre a realidade é óbvio. Então seria o caso de se analisar que realidade é esta, que se quer evitar. Outro aspecto é se, no final das contas, a internet não é o canal em que, para muitos, a comunicação é possível, se dando de alma a alma. Um espaço onde se abandonam as máscaras (no jargão junguiano, persona)  e com isto pode-se ser realmente quem é.

Cabe se perguntar: o que procuro, de que me defendo, o que evito, o que impeço de bom? A internet é a única forma possível de poder me realizar?

Respostas a estas perguntas podem ser difíceis de encontrar, ou dolorosas. E talvez tenha-se  aí uma indicação clara para psicoterapia. Afinal, a vida espera lá fora.

Ao mesmo tempo, é importante conhecer o que os estudiosos sobre internet falam sobre  relacionamentos que surgem mediados pelo computador. Adotando uma visão “apocalíptica”, desprezaremos conhecimentos importantes, apenas por uma postura reativa a uma nova modalidade de comunicação. O mesmo horror deve ter surgido quando o telefone foi criado. E também o rádio, a televisão…