Decididamente, quem decide a tradução dos títulos dos filmes no Brasil não é movido pelo amor à arte. O que conta é o amor à bilheteria. Exemplo recente é o filme Up in the Air, batizado como Amor sem escalas, estrelado por George Clooney. Convenhamos, a combinação título-astro tem tudo para render muito reais para os exibidores. Mas, se atrai hordas de mulheres, em busca de cenas românticas com o ator, deixa de fora do cinema homens e mulheres racionais, que não apostariam neste título, achando que é mais um filme ‘mulherzinha’, chick flick, de final feliz.
Para isto também contribui o trailer , que engana bem o público. Guardando a surpresa do filme (o que é bom), caprichou-se demais na seleção de cenas bem humoradas ou sexies – que não são sua real proposta. E as resenhas por aí focam na quantidade de milhas que o protagonista, Ryan Bingham, quer acumular – sem que isto seja a principal questão. (Como sabem, apesar de publicitária, sou idealista. Fiquei incomodada com o merchandising agressivo da empresa aérea, da locadora de automóveis e da rede de hoteis – que viabilizam a produção. Na minha visão romântica da arte, empresas fictícias seriam mais simpáticas ao espectador. Felizmente Hollywood não precisa da minha opinião para sobreviver. )
Então, não vá pensando que é mais uma comédia romântica bobinha, se não você vai se desiludir. Decepcionar é improvável, mas, dependendo da sua idade, do seu estado civil e profissional, você pode sentir um incômodo com as questões que Ryan Bingham enfrenta – a contragosto, não por escolha.
Não abandonei o blog, nem estou de férias, muito pelo contrário… Vim só dar um oi e desejar um ótimo findi e anunciar que o próximo post deve ser sobre a retrospectiva dos dvds que assisti em 2009. Nem todos de safra recente, vi alguns clássicos de Bergman, produções argentinas etc.
Quando sobrar um tempinho e acabar o levantamento, volto.
Em geral, as pessoas fazem a retrospectiva antes de terminar o ano… Mas só agora consegui fazer o levantamento de todos os filmes a que assisti em 2009 – no cinema. Esta é uma das vantagens de morar no Rio: na região em que moro disponho de várias salas de exibição. E, por mais que o barulhinho da pipoca do vizinho incomode (sério, um amigo suíço, quando morou nos Estados Unidos, não ia ao cinema por causa do barulho e cheiro desta mania americana importada para nós), prefiro sentir a reação do público à comodidade de ver em casa. Depois, se for o caso e o filme merecer, pode ser visto, revisto e decorado no DVD. Em breve, Blue-Ray.
A seguir, a minha lista. Vários destes filmes eu já comentei ao longo do ano passado aqui no blog, basta dar uma busca. Alguns dispõem até de trailer. Em itálico, os meus Top Five, com uma certa dó por ter deixado alguns de fora…
Queime depois de ler
O curioso caso de Benjamin Button Foi apenas um sonho
O leitor
Dúvida
Quem quer ser um milionário?
Noivas em guerra (concessão de carnaval, pra minha filha)
Milk
Simplesmente feliz (bomba do ano pra mim)
Delírios de consumo de Becky Bloom (outra concessão para ela, mas o pior foi constatar que não é tão ruim assim)
A mulher invisível (BRA)
Minhas adoráveis ex-namoradas
Apenas o fim (BRA)
Ele não está tão a fim de você
A verdade nua e crua (não sei se nesta ordem, lembrei ao acaso, era mais um chick flick)
Desejo e perigo (muito bom, mas não coube no Top 5) Paris
Caramelo (também muito bom, mas sobrou)
Se beber, não case (é, a vida é feita de concessões ) Horas de Verão
A Partida
Up (maldade deixar esta tocante animação de fora)
Amantes
O dia da saia (também merece aplausos, emociona. Entrará no circuito no Brasil?)
Turistas (só não é pior do que “Simplesmente feliz”)
Coco antes de Chanel
À deriva (BRA)
500 dias com ela
Abraços Partidos
Julie & Julia
Um namorado para minha esposa
Nova Iorque, eu te amo
Ainda não listei os que vi em DVD; alguns são preciosidades clássicas. Como os de Bergman – aliás, encarei uma maratona de 5 horas de Cenas de um Casamento, no Natal. Eu amei. Mas tem gente que dormiria no primeiro episódio. Ainda escrevo sobre ele, anotei várias frases inspiradoras!
E então? Destes, quais você viu? Qual ou quais você destaca?
O que faltou na minha lista?
Agora vou ficar atenta às estreias que a proximidade do Globo de Ouro e o Oscar propiciam. Sugira também! Até a próxima postagem
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Thays Babo é psicóloga e Mestre em Psicologia Clínica, pela Puc-Rio e atende em Ipanema.