Mais de um mês depois da estreia, fui conferir o filme que conta a história de Chico Xavier. Médium mineiro, popularizou o espiritismo no Brasil ao publicar centenas de livros. Tornou-se uma das figuras mais controversas da história do país. Foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz, mas, infelizmente, faleceu sem ter este reconhecimento de seu trabalho. Talvez tenha sido melhor assim e nem lhe agradasse tanto holofote. O reconhecimento das massas certamente lhe era mais caro.
O filme atraiu não só os espiritualistas e os kardecistas. Muitos céticos que compareceram gostaram do tratamento cinematográfico deste homem carismático, interpretado em sua juventude por Angelo Antonio. Para interpretá-lo, da maturidade ao fim da vida, Nelson Xavier assumiu o papel. O resto do elenco está ótimo – especialmente Tony Ramos e Cristiane Torlone – fazendo valer o ingresso mesmo para os que são descrentes. A interpretação de Emmanuel, guia espiritual de Chico, poderia ter recebido uma direção mais simpática. Talvez a escolha tenha se dado para reforçar a importância da disciplina frente a uma missão tão especial, mas penso que uma atuação tão seca e formal pode ser algo que afaste mais do que atraia admiradores. Mas esta minha impressão pode ser porque eu não li as biografias de Chico – só fui leitora de parte de sua obra. Vai que o que se diz sobre os seres iluminados – que estão sempre bem humorados e felizes – não se aplique genericamente a todos…?
A ênfase na disciplina fica clara logo no primeiro encontro ‘face a face’ (se é que podemos dizer assim), entre Chico e Emmanuel. Quando Chico enfim consegue ver seu guia, lhe pergunta do que precisaria para dar conta de sua missão. Emmanuel responde: “Em primeiro lugar, disciplina. Em segundo lugar, disciplina. Em terceiro lugar, disciplina”. Nada fácil, mas Chico tirou de letra.
Que Chico era um poço de generosidade, todo mundo sabia. E o filme mostra também uma faceta bem humorada do médium, até em um dos pontos que muitos se apegam: o simples fato de ter comprado uma peruca faz muitos detratores do espiritismo enfatizarem um possível lado vaidoso do médium. Vale ver a resposta de Chico à interpelação de Emmanuel sobre a ‘excentricidade’ de usá-la.
Acreditando ou não em múltiplas existências, vale a pena ver o filme. Talvez o único problema para quem não entende bem o tema – ou para os que duvidam da veracidade de tudo – é o excesso de cenas em que Chico colabora para afastar espíritos obsessores – que se assemelha bastante ao que foi descrito nos Evangelhos, como prática de Jesus. Para quem opta pelo ceticismo, assistir permite entender um pouco da história recente da religiosidade de nosso povo. E vale lembrar que o trabalho de Chico Xavier também influiu em casos da justiça brasileira, o que, no mínimo, rende bons papos entre amigos …
Tudo pode dar certo, de Woody Allen, virou unanimidade entre os fãs brasileiros do diretor, mesmo sem ter sido sucesso nos Estados Unidos, talvez pela visão acidamente ‘pessimista’ do protagonista. Boris Yellnikoff – porta-voz da vez de Woody Allen – é interpretado por Larry David , co-autor da série Seinfeld. É possível que as bilheterias fracas se devam, mais uma vez, ao fato de Allen mirar sobre a sociedade americana e suas hipocrisias para disparar suas críticas.
Mas, vamos à história: o filme mostra o improvável encontro de um professor universitário, Boris, e uma linda jovem americana, interiorana. Mal humorado, ateu e pessimista, Boris já tentara suicídio, quando casado, tendo por consequência ficado manco. Obsessivo compulsivo, ele acolhe em sua casa uma jovem interiorana, burra feito uma porta, com o insuportável nome de Melodie St. Ann Celestine – que mostra bem o quanto sua família de origem é religiosa. Melodie pede para ficar uma noite e vai ficando várias – até se instalar de vez na vida de Boris, que se revela menos durão do que parecia a princípio.
Este inusitado casamento completa um ano, para a estupefação dos amigos de professor. Seria improvável que durasse muito, não pela diferença de idade, mas pela arrogância intelectual de Boris. Achando-se extremamente inteligente (nem sabemos se ele é) , Boris tripudia de seus alunos – crianças a quem ensina xadrez. E não faz diferente com Melodie, não a poupando por sua ingenuidade e ignorância. Mas, a ignorância neste caso é uma bênção: ela não sofre por isto! Simplesmente porque não o entende. Pelo contrário, o admira profundamente e absorve o que ele fala; sai repetindo, como um papagaio, que não sabe ao certo o que reproduz. E para quem é narcisista, ter alguém que o ecoe é bastante sedutor… Aos poucos, ambos vão se modificando no convívio diário. Afinal, como con-viver e se manter igual?
É então que a mãe de Melodie a reencontra, em Nova Iorque. Recém separada, fica extremamente decepcionada com a escolha da filha e resolve intervir. Afinal, projeta na filha (que tem uma beleza angelical, digna do nome, e que já fora premiada em vários concursos) tudo o que ela mesma não tinha conseguido realizar. E, ao longo deste processo de intervenção, a mãe vai ela mesma se modificando, em contato com os intelectuais nova-iorquinos. E, de repente, o pai de Melodie também reaparece. Fica também decepcionado com a escolha da filha, de queixo caído com as mudanças da ex-exposa mas, ele mesmo vai passar por grandes mudanças…
Tudo isto é dirigido com um ritmo acelerado. Em pouco mais de uma hora, muitas reviravoltas na vida das personagens acontecem, sem que descambe para o drama, em momento algum. Pelo contrário, é deboche puro. Nem as separações são tratadas de forma melancólica. No final, fica a sensação de que é uma outra brincadeira de Allen, com os clichês dos clichês, que Boris faz questão de denunciar. Visto pelos olhos de Allen, toda a sociedade americana é altamente caricaturável… E com as legendas do trailer abaixo, ainda mais risível
Dizer que ‘o tempo voa’ é um clichês dos mais manjados. Mas, nos últimos meses, tem sido o ‘mantra’ que mais repito. Como compôs Chico, em Almanaque, “a ampulheta do tempo disparou”. To sempre me desculpando com amigos e parentes para quem ando sumida…
O blog tem refletido isto: quase não tenho postado, desde a época do Oscar. E assim mesmo, deixei de comentar O Segredo dos seus Olhos, Um homem sério e Um sonho possível. Destes, realmente o que mais me inspiraria um texto seria O segredo (a que assisti 2 vezes no cinema e provavelmente reverei algumas vezes em DVD). Filmaço que traz à discussão o amor, a lealdade, a amizade, o medo de se envolver e de se magoar, o senso de justiça, ética e muito mais.
Dos concorrentes, deixei por ver alguns que foram muito bem recomendados: A fita branca, O mensageiro e O direito de amar (que título mal traduzido, Dio mio). A fita ainda está em cartaz, em alguns cinemas do circuito Estação , ainda que em horários restritivos. Pelos comentários, é um daqueles que deve ser visto na telona. Prometo para breve, alguns comentários -tanto do que é bom, quanto do que é ruim – afinal, mesmo de filmes ‘bombas’ a gente pode tirar algo , como, por exemplo, o que não escolher…
O Oscar 2010 já se foi sem que todos os filmes estreassem no Rio de Janeiro. Como sempre, houve surpresas na premiação e a principal foi Guerra ao Terror – lançado diretamente em DVD – desbancar o favorito Avatar nas categorias Melhor Filme e Melhor Diretor, que ficou restrito aos prêmios técnicos.
Up! (que faturou o Melhor Animação e também concorria a Melhor Filme), Julie & Julia (que indicou mais uma vez Meryl Streep à Melhor Atriz) e Up in the Air (com o inacreditável título brasileiro de Amor sem Escalas, com George Clooney, que concorreu, juntamente com duas atrizes coadjuvantes) já foram comentados neste blog. Neste post, então, falarei de Educação (indicado a Melhor Roteiro e Melhor Atriz, e que saiu sem nenhum prêmio), Coração Louco (que deu o Oscar de Melhor Ator a Jeff Bridges) e O Segredo dos Seus Olhos (que arrebatou o Melhor Filme Estrangeiro).
Nos próximos dias, devem aparecer os comentários de alguns dos que faltam na minha lista: Fita branca, O Mensageiro e Direito de Amar (prefiro o título original: A single guy. Mas, fazer o quê, se os tradutores não fizeram o ciclo básico de um cursinho de inglês? )
Educação, filme roteirizado por Nick Hornby, conta a história de uma estudante inglesa, de 16 anos, nos anos 60. Filha única, sonha em ir para a Oxford, para fugir da vida restrita que tem. Aplicada, estuda francês e flerta com o existencialismo, destacando-se dentre suas amigas pela sua maturidade. Seu pai, interpretado por Alfred Molina, a restringe em tudo. Interfere no seu namoro com um colega de escola e deposita nela todas as expectativas de mudar de vida. E tudo muda no dia chuvoso – as usual , em Londres – em que conhece David, homem mais velho que se interessa por Jenny e passa a frequentar sua casa . Para surpresa da jovem, seu pai – tão repressor e antipático com o jovem namoradinho – se mostra encantado com o playboy e vai permitindo que Jenny saia para conhecer o mundo com ele. E logo Jenny descobre que tudo que a encanta não é exatamente tão bonito como parece.
Este não é mais um filme sobre amor. Podemos ver nele o rito de passagem de menina à mulher, de Core à Perséfone. Como o trailer sugere, há uma ‘educação’ que não é a escolar, tão importante quanto. Se você não viu o filme, melhor pular os parágrafos seguintes , que serão spoiler.
Como outros tantos filmes, a relação entre Jenny-David puer-sênex representa a atração entre jovem-velho (no caso, nem tão velho assim, mas o suficiente para fazer o contraponto entre a experiência e a ‘inocência’). Esta relação arquetípica traz conflitos mas também traz crescimento. O que é aparentemente simples história de atração e sedução da jovem pelo homem mais velho, experiente, que tanto vemos nas telas e na vida real, possibilita vários focos de análise.
Um deles pode ser a relação dos pais com a filha – outro exemplo do puer-senex. Como um pai tão conservador cede tão facilmente? Inicialmente, limita todas as possibilidades de crescimento e expansão da filha. Mas basta aparecer um cavalheiro com a possibilidade de conseguir um bom casamento para a filha que cede. Descrença no potencial da filha? Ou ainda um modelo de vida, vigente nos anos 60 – para algumas famílias, até hoje? Ou medo – como ele mesmo diz. Há um toque existencialismo na solução dos problemas pela protagonista, que não se vê determinada pelos pais que tem – apesar de poder contar com eles para se reestruturar, numa virada em que o próprio pai revê seus conceitos. Enfim, o crescimento veio para toda a família.
Além de podermos destrinchar a relação parental, um ponto que não pode deixar de passar é que David é um sociopata. Não que por seduzir uma adolescente – esta não é sua especialidade, pelo que ouvimos sua esposa dizer, surpresa ao constatar a juventude de Jenny. Ele é um charmoso 171, como tantos por aí, que conseguem dilapidar patrimônios alheios. Simpático, ‘boa gente’, com uma boa rede de contatos, mas usando expedientes bastante reprováveis para conseguir o que quer. Em seu diálogo com Jenny, quando justifica seu ‘trabalho’, frisa que a inteligência dela vai abrir caminhos que ele não conseguiria trilhar.
É um filme pra ver e rever. Como filmoterapia, pode ajudar também no diálogo entre pais e filhos.
Outro filme sobre superação é Coração Louco, filme pelo qual Jeff Bridges foi premiado. Trata-se de Bad Blake, cantor de música country que emburaca pelo caminho das drogas. Ao contrário de Ray e Johnny e June, que também retratam a luta, verídica, de astros contra drogas, desde o início de suas carreiras, conhecemos Bad Blake já em franca decadência, tocando por qualquer trocado, nos piores lugares possíveis. Além de sua dependência ao álcool e à nicotina, tem um ego inflado . Reluta em aceitar ajuda ou conselhos.
Além da evidente diferença de idade entre o par romântico, como em Educação, este filme também mostra que o sujeito tem o poder de escolha frente aos seus dramas pessoais. O que prefere: lamentar-se ou reerguer-se? Tanto em um como em outro, as jovens se mostram mais sábias e centradas, Mas Blake tem escolha de encarar seus aspectos sombrios – e, ao final de pouco mais do que 90 minutos, vemos que a saída escolhida possibilitou superar a si mesmo, apostando na criatividade.
E pra fechar este post, confabulemos sobre o premiado com Oscar de Melhor Filme Estrangeiro: O segredo de seus olhos. Ok, não vi os outros concorrentes da categoria, mas este filme mexe com o público, ao abordar em suas 2 horas e meia temas como amor, amizade, justiça – isto sem esquecer um rápido olhar sobre a situação política argentina nos anos 60. Mesmo quem, como eu, não é cineasta, percebe que o filme é um primor, muito bem filmado (detalhe: há uma cena em um estádio que TEM DE SER VISTA NO CINEMA!!!!). Conta com o carisma do onipresente Ricardo Darin e a graça de Guillermo Francella. Um pequeno couvert:
Não, pensando bem, O segredo dos seus olhos merece um post à parte, pela sua complexidade e sutileza. Então, aguarde, em breve …
Dia 7 de março, festa na Academia, em Los Angeles. Daqui até lá, tenho uma lista de filmes a conferir, mas acho que não tenho muita chance de ver entre hoje e amanhã.
(Eu preferia esta frase aí em cima. Não sei o que alegaram pra trocar a frase para “The Oscar goes to…” . Será para não aumentar a sensação de perda a quem é indicado e não leva? )
Para quem ainda não viu nenhum, vários já estão disponíveis em DVD e Blu-Ray. Sobre alguns já postei aqui. Mas alguns indicados, no entanto, por limitações pessoais, ficarão de fora da minha lista, como Bastardos Inglórios, Guerra ao Terror etc. Sinto muito, mas saio muito arrasada em filmes de guerra, então estes eu passo. Vantagens de não ser crítica de cinema, rsrsrs.
Abaixo vai a lista dos indicados, com comentários – totalmente pessoais – sobre os poucos a que já assisti.
Melhor Filme
Avatar (em cartaz – não vi mas não planejo também, os trailers foram suficientes pra ver que não é o meu estilo de filme)
Um Sonho Possível (estreia prevista para 19 de março)
Distrito 9 (DVD e Blu-ray)
Educação (em cartaz – vai receber um post aqui, daqui a alguns dias… )
Guerra ao Terror (em cartaz)
Bastardos Inglórios (já disponível em DVD)
Preciosa – Uma História de Esperança (em cartaz, vou conferir levando uma caixa de le€nços de papel)
Um Homem Sério (em cartaz)
Up – Altas Aventuras (já disponível em DVD e Blu-ray, muito bom, teria meu voto)
Amor Sem Escalas (em cartaz, já bloguei sobre ele. Teria meu voto também, se fosse possível. O nome dos meus dois indicados, em inglês, é quase igual: Up e Up in the Air)
Melhor Diretor
James Cameron – Avatar (em cartaz – não assisti mas, pelo histórico dele, nunquinha eu lhe daria um Oscar)
Kathryn Bigelow – Guerra ao Terror (em cartaz)
Quentin Tarantino – Bastardos Inglórios (já disponível em DVD – não vi e nem irei conferir)
Lee Daniels – Preciosa – Uma História de Esperança (em cartaz)
Jason Reitman – Amor Sem Escalas (em cartaz )
Melhor Ator
Jeff Bridges – Coração Louco (assisti no dia da estreia, merece um post em breve)
George Clooney – Amor Sem Escalas (em cartaz. Acho que um Oscar para ele por este filme seria demais… A não ser que fosse pela escolha de atuar nele)
Colin Firth – Direito de Amar (em cartaz. Título ridículo em português. No original A single man)
Morgan Freeman – Invictus (em cartaz)
Jeremy Renner – Guerra ao Terror (em cartaz)
Ator Coadjuvante
Matt Damon – Invictus (em cartaz)
Woody Harrelson – O Mensageiro (em cartaz)
Christopher Plummer – The Last Station (estreia prevista para o primeiro semestre)
Stanley Tucci – Um Olhar do Paraíso (em cartaz)
Christoph Waltz – Bastardos Inglórios (disponível em DVD)
Melhor Atriz
Sandra Bullock – Um Sonho Possível (estreia prevista para 19 de março. A atriz é bem simpática e dizem que está muito bem. Abriria novas oportunidades… Mas que critério é este? rsrsrs)
Helen Mirren – The Last Station (prevista para o primeiro semestre)
Carey Mulligan – Educação (em cartaz)
Gabourey Sidibe – Preciosa – Uma História de Esperança (em cartaz)
Meryl Streep – Julie e Julia (em DVD e Blu-ray a partir de 18/03 – assisti a este, bloguei mas… acho que seria demais)
Melhor Atriz Coadjuvante
Penelope Cruz – Nine (em cartaz – muita forçação de barra. Nada espetacular. Por Maria Elena de Vicky Cristina ainda vá lá)
Vera Farmiga – Amor Sem Escalas (em cartaz )
Maggie Gyllenhaal – Coração Louco (em cartaz)
Anna Kendrick – Amor Sem Escalas (em cartaz – acho que seria uma boa escolha, mas ainda não conferi Preciosa)
Mo’Nique – Preciosa – Uma História de Esperança (em cartaz)
Melhor Roteiro Adaptado
Distrito 9 (já disponível em DVD e Blu-ray)
Educação (em cartaz)
In The Loop (sem previsão de estreia no Brasil)
Preciosa – Uma História de Esperança (em cartaz)
Amor Sem Escalas (em cartaz – e com post neste blog aqui )
Melhor Roteiro Original
Guerra ao Terror (em cartaz)
Bastardos Inglórios (já disponível em DVD)
O Mensageiro (em cartaz – vou conferir…)
Um Homem Sério (em cartaz – muito bem recomendado este novo filme dos Irmãos Cohen )
Up – Altas Aventuras (já disponível em DVD e Blu-ray)
Melhor Animação Longa-Metragem (amei Up!, não vi os outros mas pela história, daria o Oscar a ele. Ou deveria apenas ser o Melhor Filme? Bem, não sou eu que decido, rsrsrs)
Coraline (já disponível em DVD)
O Fantástico Sr. Raposo (breve em DVD)
A Princesa e o Sapo (em DVD a partir de 10/03)
The Secret of Kells (sem previsão de estreia no Brasil)
Up – Altas Aventuras (já disponível em DVD e Blu-ray)
Melhor Animação Curta-Metragem (não assisti a nenhum)
French Roast (sem previsão de exibição no Brasil)
Granny O´Grimn´s Sleeping Beauty (sem previsão de exibição no Brasil)
The Lady and the Reaper (La Dama e la Muerte) (sem previsão de exibição no Brasil)
Logorama (sem previsão de exibição no Brasil)
A Matter of Loaf and Death (sem previsão de exibição no Brasil)
Melhor Filme Estrangeiro
Ajami (Israel)
O Segredo dos Seus Olhos (Argentina – ótimo, devo rever pois tem umas frases espetaculares , boas de anotar e adotar na nossa vida pessoal)
O Leite da Amargura (Peru )
O Proeta (França – estreia prevista para 30 de abril)
A Fita Branca (Alemanha – a conferir, já sabendo que vou ficar bem arrasada… )
Nenhum documentário (longa e curta-metragem) tem estreia prevista no Brasil. Pode ser que, depois da premiação, os distribuidores mudem de ideia.
Melhor Documentário Longa-Metragem
Burma Vj
The Cove
Food Inc.
The Most Dangerous Man In America: Daniel Ellsberg and the Pentagon Papers
Which Way Home
Melhor Documentário Curta-Metragem
Province
The Last Campaign of Governos Booth Gardner
The Last Truck: Closing of a GM Plant
Music by Prudence
Rabbit à la Berlin
Melhor Curta-Metragem (por enquanto, todos sem previsão de exibição no Brasil)
The Door
Instead of Abracadabra
Kavi
Miracle Fish
The New Tenants
Melhor Direção de Arte
Avatar (em cartaz)
O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus (estreia prevista para 7 de maio)
Nine (em cartaz – só pra não dar para Avatar, daria a ele. Mas to achando que Avatar vai levar…)
Sherlock Holmes (em cartaz)
The Young Victoria (sem previsão de estreia no Brasil)
Melhor Fotografia
Avatar (em cartaz)
Harry Potter e o Enigma do Príncipe (já disponível em DVD e Blu-ray e , inacreditavelmente, ainda não assisti!!!)
Guerra ao Terror (em cartaz)
Bastardos Inglórios (já disponível em DVD)
A Fita Branca (em cartaz)
Melhor Figurino
Brilho de Uma Paixão (estreia prevista para 14 de maio)
Coco Antes de Chanel (em DVD a partir de 11 de março, já comentado no blog)
O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus (estreia prevista para 7 de maio)
Nine (em cartaz)
The Young Victoria (sem previsão de estreia no Brasil)
Melhor Montagem
Avatar (em cartaz)
Distrito 9 (já disponível em DVD e Blu-ray)
Guerra ao Terror (em cartaz)
Bastardos Inglórios (já disponível em DVD)
Preciosa – Uma História de Esperança (em cartaz)
Melhor Trilha Sonora Original
Avatar (em cartaz)
O Fantástico Sr. Raposo
Guerra ao Terror (em cartaz)
Sherlock Holmes (em cartaz)
Up – Altas Aventuras (já disponível em DVD e Blu-ray)
Melhor Canção Original
“Almost There” – A Princesa e o Sapo (em DVD a partir de 10/03)
“Down in New Orleans” – A Princesa e o Sapo (em DVD a partir de 10/03)
“Loin De Paname” – Paris 36 (sem previsão de estreia no Brasil)
“Take it All” – Nine (em cartaz – não to lembrando desta música. Aliás, deste filme só gostei de 2 músicas, será uma delas?)
“The Weary Kind” – Coração Louco (country music)
Melhor Edição de Som
Avatar (em cartaz)
Guerra ao Terror (em cartaz)
Bastardos Inglórios (já disponível em DVD e Blu-ray)
Star Trek (já disponível em DVD e Blu-ray)
Up – Altas Aventuras (já disponível em DVD e Blu-ray)
Melhor Mixagem de Som
Avatar (em cartaz)
Guerra ao Terror (em cartaz)
Bastardos Inglórios (já disponível em DVD e Blu-ray)
Star Trek (já disponível em DVD e Blu-ray)
Transformers: A Vingança dos Derrotados (já disponível em DVD e Blu-ray)
Melhores Efeitos Especiais
Avatar (em cartaz)
Distrito 9 (já disponível em DVD e Blu-ray)
Star Trek (já disponível em DVD e Blu-ray)
Melhor Maquiagem
Il Divo (sem previsão de estreia no Brasil)
Star Trek (já disponível em DVD e Blu-ray)
The Young Victoria (sem previsão de estreia no Brasil)
Decididamente, quem decide a tradução dos títulos dos filmes no Brasil não é movido pelo amor à arte. O que conta é o amor à bilheteria. Exemplo recente é o filme Up in the Air, batizado como Amor sem escalas, estrelado por George Clooney. Convenhamos, a combinação título-astro tem tudo para render muito reais para os exibidores. Mas, se atrai hordas de mulheres, em busca de cenas românticas com o ator, deixa de fora do cinema homens e mulheres racionais, que não apostariam neste título, achando que é mais um filme ‘mulherzinha’, chick flick, de final feliz.
Para isto também contribui o trailer , que engana bem o público. Guardando a surpresa do filme (o que é bom), caprichou-se demais na seleção de cenas bem humoradas ou sexies – que não são sua real proposta. E as resenhas por aí focam na quantidade de milhas que o protagonista, Ryan Bingham, quer acumular – sem que isto seja a principal questão. (Como sabem, apesar de publicitária, sou idealista. Fiquei incomodada com o merchandising agressivo da empresa aérea, da locadora de automóveis e da rede de hoteis – que viabilizam a produção. Na minha visão romântica da arte, empresas fictícias seriam mais simpáticas ao espectador. Felizmente Hollywood não precisa da minha opinião para sobreviver. )
Então, não vá pensando que é mais uma comédia romântica bobinha, se não você vai se desiludir. Decepcionar é improvável, mas, dependendo da sua idade, do seu estado civil e profissional, você pode sentir um incômodo com as questões que Ryan Bingham enfrenta – a contragosto, não por escolha.
(Descobri pelo menos mais um trailer (para DVDs?), um pouco mais fiel ao incômodo despertado. Mas não foi este o que vi exaustivamente veiculado fora da internet. Após assisti-lo, decida se quer continuar na nossa viagem psicológica.) Não posso evitar falar do fechamento da história de Ryan, portanto, só continue a leitura após o trailer se quiser conhecer as milhas que nosso herói percorrerá. Sras. e Srs. Passageiros, com destino a si mesmos, boa viagem.
Ok, já que decidiu continuar a leitura, aperte o cinto…
Ryan Bingham tem um papel que a maioria consideraria indigesto: como consultor, viaja por todo o EUA para anunciar olho no olho a demissão, quando a chefia não tem coragem para tanto. Após a crise de 2008, trabalho é o que não falta e, além da experiência, Ryan acumula muitas milhas de viagem e privilégios dos programas de fidelidade. Ironicamente, não precisa manter fidelidade a nenhuma ‘pessoa física’ já que ninguém, em terra, o espera. Seu apartamento lembra mais um apart-hotel impessoal.
Um dia, seu chefe anuncia que adotarão uma nova política na empresa, fazendo os desligamentos de pessoal via web. As viagens serão canceladas e com isto poderão ter suas rotinas de volta. Tudo isto graças a ideia de uma jovem funcionária recém-formada, Natalie Keener, que conseguiu convencer a empresa dos benefícios da mudança, mostrando a enorme redução de custos.
O que seria motivo de alegria para seus companheiros de empresa, faz Ryan se desesperar. Além de todos os privilégios que perderá – inclusive a pontuação que pretende atingir, para ser um dos happy few da companhia aérea em questão -, para quem ele voltará? A ideia da possibilidade de, enfim, ter relacionamentos pessoais próximos, diários, não lhe serve como atrativo. Contesta o chefe, argumentando que o segredo do negócio é o toque humanista do encontro face a face. Ryan faz simulações com Natalie para provar ao chefe o quanto ela é despreparada – e ressaltar a sua própria expertise.
Percebendo que em alguns pontos Ryan tem mesmo razão, o chefe ordena que ele leve Natalie nas próximas viagens para treiná-la. Não era o que Ryan esperava, mas tem de aceitar a missão – caso contrário seria o olho da rua. Ao invés de desistir rapidamente, Natalie vai amadurecendo e ganhando projeção na empresa – o que é uma ameaça direta ao experiente Ryan.
Pouco antes das viagens com Natalie, Ryan conhece Alex. Não é só o nome desta mulher que é nada feminino. Sua postura está bem distante do que se diz da feminilidade arquetípica. Sexualmente agressiva, ela mesma se define como uma versão Ryan com vagina. Alex tem uma rotina de vida muito parecida com Ryan, de aeroporto em aeroporto, o que faz com que seus encontros tenham de ser agendados em função dos seus planos de voo. De certa forma, é tudo muito conveniente à filosofia de vida de Ryan. Porém, as conjunturas mudam no trabalho de Ryan.
As mudanças apontam cada vez mais para o envelhecimento e trazem a possibilidade de desemprego e a solidão. Ryan é o indivíduo modelo que, cedo ou tarde, percebe que defesas nem sempre são eficazes contra o passar do tempo. Dá-se conta que talvez esteja no momento de aterrissar e, para isto, elege Alex como co-piloto, sem avisá-la. Aí está o que, pra mim, é a grande surpresa do filme – e que frustra boa parte do público – Ryan descobre que não existe terra firme. As escolhas que terá de fazer serão para si mesmo.
Para alguns críticos o filme é piegas. Como psicóloga, não o vejo como um filme de amor: ele fala de escolhas e do preço que se paga por elas. Pode incomodar a quem espera um sinalizador em terra firme. O confronto do jovem com o velho – puer x senex – do contato Ryan x Natalie é provocador. Como em uma reação química (ou alquímica?), os dois já não serão mais os mesmos depois das viagens que fizeram juntos. Estas mudanças, que alteram o norte de Ryan, acontecem na vida de todos. Rapidamente têm impacto no mundo do trabalho, não só nos EUA como nos demais países industrializados. Por mais especialista ou experiente que alguém seja, por redução de custos, torna-se descartável. Profissões desaparecem. A fala dos demitidos mostra a angústia que pessoas demitidas enfrentam – e quantos de nós ou próximos a nós já passamos por isto?
Há ainda outro foco de discussão, além das questões existenciais de envelhecimento, solidão e morte: as mulheres. Para isto, precisa-se desviar o olhar de George Clooney, digo, de Ryan. As mulheres do filme são a cara da nossa época. Todas encontram-se frente a desafios. Há dois eixos principais: as executivas e as que optam por uma vida mais provinciana – no caso, as duas irmãs de Ryan, que ele encontra muito raramente e com quem não tem muito o que falar.
Natalie e Alex, executivas, parecem sacrificar a feminilidade para serem bem sucedidas, encarnando o estereótipo da mulher executiva, endurecida, ainda que usando saias. Ao longo do filme, ambas revelam o lado romântico e emocional, tradicionalmente atribuído à mulher. Natalie, mais uma vez, como representante jovem, faz um contra-ponto à Alex, com sua lista de exigências em relação ao que espera de um parceiro. A resposta madura de Alex lembrou uma piada que rola na internet ( como a piada tem um final meio chulo, não vou repetir aqui.) . Ao final, Alex se revela na vida real, longe das salas de espera de aeroportos, muito parecida com o que muitos homens foram, por séculos. Gostaria de fazer uma pesquisa com os espectadores acerca de Alex. Pelas reações que ouvi, nem homens nem tampouco as mulheres conseguem perdoar ou tentar entender em Alex o mesmo que se perdoou ao homem, por séculos. Ao mesmo tempo, como psi, consigo até entender porque ela não percebeu que nem tudo estava sob controle e que o rumo das coisas poderia mudar de repente, com um vento ascendente.
Num extremo oposto, estão as irmãs de Ryan – uma acaba de separar e repensa sua escolha; outra, na beira do altar, sem coragem de pensar muito sobre o assunto. Ambas com estilos de vida mais pacatos mas não por isto menos encalacradas e angustiadas.
Para finalizar, voltemos a Ryan com suas escolhas. O que fazer? Prosseguir com sua vidinha, mantendo-se nas mesmas rotas ou mudar? Cabe a ele decidir permanecer nas alturas, com turbulências mas eventualmente “céu de brigadeiro”, ou aterrissar. Sua escolha não fica clara para o público. Fica, como a vida, em aberto.
Não abandonei o blog, nem estou de férias, muito pelo contrário… Vim só dar um oi e desejar um ótimo findi e anunciar que o próximo post deve ser sobre a retrospectiva dos dvds que assisti em 2009. Nem todos de safra recente, vi alguns clássicos de Bergman, produções argentinas etc.
Quando sobrar um tempinho e acabar o levantamento, volto.
Em geral, as pessoas fazem a retrospectiva antes de terminar o ano… Mas só agora consegui fazer o levantamento de todos os filmes a que assisti em 2009 – no cinema. Esta é uma das vantagens de morar no Rio: na região em que moro disponho de várias salas de exibição. E, por mais que o barulhinho da pipoca do vizinho incomode (sério, um amigo suíço, quando morou nos Estados Unidos, não ia ao cinema por causa do barulho e cheiro desta mania americana importada para nós), prefiro sentir a reação do público à comodidade de ver em casa. Depois, se for o caso e o filme merecer, pode ser visto, revisto e decorado no DVD. Em breve, Blue-Ray.
A seguir, a minha lista. Vários destes filmes eu já comentei ao longo do ano passado aqui no blog, basta dar uma busca. Alguns dispõem até de trailer. Em itálico, os meus Top Five, com uma certa dó por ter deixado alguns de fora…
Queime depois de ler
O curioso caso de Benjamin Button Foi apenas um sonho
O leitor
Dúvida
Quem quer ser um milionário?
Noivas em guerra (concessão de carnaval, pra minha filha)
Milk
Simplesmente feliz (bomba do ano pra mim)
Delírios de consumo de Becky Bloom (outra concessão para ela, mas o pior foi constatar que não é tão ruim assim)
A mulher invisível (BRA)
Minhas adoráveis ex-namoradas
Apenas o fim (BRA)
Ele não está tão a fim de você
A verdade nua e crua (não sei se nesta ordem, lembrei ao acaso, era mais um chick flick)
Desejo e perigo (muito bom, mas não coube no Top 5) Paris
Caramelo (também muito bom, mas sobrou)
Se beber, não case (é, a vida é feita de concessões ) Horas de Verão
A Partida
Up (maldade deixar esta tocante animação de fora)
Amantes
O dia da saia (também merece aplausos, emociona. Entrará no circuito no Brasil?)
Turistas (só não é pior do que “Simplesmente feliz”)
Coco antes de Chanel
À deriva (BRA)
500 dias com ela
Abraços Partidos
Julie & Julia
Um namorado para minha esposa
Nova Iorque, eu te amo
Ainda não listei os que vi em DVD; alguns são preciosidades clássicas. Como os de Bergman – aliás, encarei uma maratona de 5 horas de Cenas de um Casamento, no Natal. Eu amei. Mas tem gente que dormiria no primeiro episódio. Ainda escrevo sobre ele, anotei várias frases inspiradoras!
E então? Destes, quais você viu? Qual ou quais você destaca?
O que faltou na minha lista?
Agora vou ficar atenta às estreias que a proximidade do Globo de Ouro e o Oscar propiciam. Sugira também! Até a próxima postagem
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Thays Babo é psicóloga e Mestre em Psicologia Clínica, pela Puc-Rio e atende em Ipanema.
O cinema argentino tem me sido muito bem recomendado e aproveitei o final de um domingo para poder me redimir da minha falta de conhecimento a respeito. Ao ler a resenha de Um namorado para minha esposa, filme argentino, não pensei duas vezes: desliguei o computador e fui pro cinema, em busca do riso, necessário nesta época de final de ano em um Rio insuportavelmente quente e engarrafado. Ah, a imagem abaixo não diz tudo…
Como estava atrasada para a última sessão, prestei atenção apenas ao início da crítica e só descobri o lado ‘dramático’ já instalada na poltrona do cinema, depois de um tempinho de projeção. (Será um cacoete psi, ver sofrimento, ainda que disfarçado, enquanto as pessoas só dão gargalhadas? Pode ser…) Mesmo brincando, o trailer enuncia uma grande ‘verdade’: “O casamento é a principal causa de divórcio“. Nem precisa ser pessimista pra dizer que é impossível um filme sobre relacionamentos amorosos sem uma dose de drama, não é mesmo? Mas Um namorado pra minha esposa é basicamente cômico, sim, não se derrama uma lágrima ao assisti-lo – sem contar possíveis pessoas com a sensibilidade à flor da pele, em pleno processo de separação.
Ah, uma vez mais eu sugiro que não veja o trailer antes de assistir ao filme – contém vários spoilers …
A vida pode ser vista como um drama ou como uma comédia, já dizia Woody Allen em Melinda, Melinda. Se a arte imita a vida (ou bem ao contrário), pode-se também assistir a comédias e encontrar conteúdo dramático. “Tenso” e Tana Ferro são casados. Ele vive infeliz com o jeito de sua mulher, que não pára de reclamar, desde que acorda, fuma feito uma louca, não faz nada o dia inteiro. E, pior, detesta os amigos dele, constrangendo-o até não poder mais. Nos primeiros minutos de projeção, a simpatia vai toda para “Tenso”. A gente se pergunta como ele pode escolher alguém assim e não entende como lhe falta coragem de pedir para separar. Seus amigos dão uma força, dizendo que é a única saída e até ensaiam a fala com ele.
Até que um apresenta a louca ideia de contratar um famoso sedutor, partindo da premissa que ela também não resistirá e tomará a iniciativa de deixar Tenso, deixando-o livre e sem culpa. Isto já seria um bom motivo para terapia, concordam?
Justiça seja feita: me identifiquei em muitos momentos com a irritação de Tana, a quem a mediocridade humana tirava do sério. Apesar do seu jeito reclamão ser excessivo, nada do que reclamava era descabido – só demonstrava uma falta de traquejo social. Ou talvez um transtorno de humor, leve… que deve ter causado empatia em parte do público, aposto.
Fiquei com uma curiosidade: a escolha dos nomes dos protagonistas teria sido casual? Diego Polsky seria Tenso por ter casado com uma “Ferro”? Mas, todos deveriam saber que o ferro, se aquecido, se molda. E é isto que vamos vendo ao longo do filme, com a transformação de Tana. Diego, coitado, era muito boa gente (com ressalvas, rsrsrs) mas não tinha noção de quem era a mulher com quem se casara. E, não, não é nada disto que você está pensando. Bem, os nomes podem ter sido apenas uma coincidência, daquelas que irritariam a protagonista. (Aliás, apesar de ter me identificado em alguns pontos, não compartilho da ojeriza dela quanto à astrologia – apenas com as pessoas que conhecem muito pouco e citam a esmo).
Diego fica surpreso com a auto-confiança de Cuervo Flores, o sedutor – inacreditável, diga-se de passagem. Quer controlar a situação, mas tem de ceder à constatação de que Tana vai se transformando a partir da aparição do sedutor. Quer dizer, é o que parece durante boa parte do filme.
Na terapia de casal, fica claro que ambos viam a relação de forma totalmente diferente – o que é , aliás, bem comum em casais em crise, em que um dos dois quer (ou diz que quer) a separação e o outro não. Apesar de argentina, esta comédia romântica não fugiu ao final feliz dos filmes holliwoodyanos. Nada tão grave que seja contra-indicativo de conferir, na tela ou na telinha, quando estiver disponível em uma locadora perto de você.
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Thays Babo é psicóloga e Mestre em Psicologia Clínica, pela Puc-Rio e atende em Ipanema.