Muito se tem falado sobre habilidades de comunicação e, mais recentemente, sobre a comunicação não-violenta. Na terapia de casal ou pré-matrimonial, é fundamental treinar a comunicação do par amoroso. Melhorar a qualidade da comunicação possibilita aumentar a harmonia conjugal e melhorar o bem estar individual, incluindo aí a saúde física e mental.

“Casais felizes não discutem” é uma  crença romântica  muito disseminada, que atrapalha muitas relações, quando surge alguma crise ou divergência conjugal. Estudiosos sobre o casamento, como John Gottman, já provaram que o que faz a diferença é a forma com que se discute. E que, muito pelo contrário, quando não há discussões, há uma maior probabilidade de ruptura. Em um estudo de 2012, foi comprovado que, apesar de surgirem emoções negativas durante a discussão, como a raiva, é possível, a partir daí negociar, conhecer melhor o/a parceiro/a e melhorar a relação. 

 

A qualidade da comunicação em um relacionamento amoroso indica a possibilidade de continuidade. Mas ela pode ser treinada e melhorada, com ajuda profissional.

É portanto importante aceitar que emoções negativas existem, sim, e por si só isto não é ruim e nem precisa significar o fim do relacionamento. Emoções podem ser  temporárias, principalmente se são reconhecidas e aceitas para que se trabalhe nelas. Se o autocontrole – fundamental para a resolução dos problemas interpessoais – não for possível, o casal deve procurar ajuda. Em matéria recente da Times, especialistas apresentaram algumas  sugestões para que as discussões sejam saudáveis, resumidas abaixo. 

  • Tenha curiosidade sobre suas discussões – algumas são repetitivas, seguem um padrão e um script e acontecem sempre nas mesmas situações. Uma situação comum é quando uma das pessoas chega em casa, exausta do trabalho, e a outra quer total atenção e acusa de descaso e insensibilidade.  
  • Aceite que o tema é importante para discutir, mas agende um horário para isto. Às vezes, adiar a discussão ajuda a enxergar o problema de forma mais racional e baixar o tom emocional, que muitas vezes não colabora para a solução do conflito. (Algumas pessoas terão mais dificuldade de autocontrole, mas é importante que aprenda a colaborar para a relação)
  • Se a discussão já começou, mas você percebe que seu par (ou você) perdeu o controle, peça um tempo para voltar à discussão depois. Reassegure que não está abandonando a discussão ou o par, mas que é importante acalmarem os ânimos. 
  • Ao invés de criticar e reclamar, faça sugestões ou pedidos. Evite o “você sempre” ou “você nunca”. 
  • Quando for o momento da discussão, ouvir atentamente, sem interromper.  Muitas pessoas têm dificuldade de ouvir (principalmente se sente injustiçada). Se o que a outra pessoa falou não faz sentido, peça maiores detalhes, tente esclarecer o que não conseguiu compreender. Mostre-se com plena atenção – e não se distraia com celular, por exemplo. 
  • Não xingue (aliás, esta condição é básica, deveria ser seguida desde o início da relação). E se a discussão seguir neste sentido, pare até que se acalmem e reestabeleçam um clima de respeito. 
  • Aprenda a pedir perdão e saiba que cada pessoa tem sua forma de perdoar (assim como também existem diferentes formas de demonstrar amor). Preste atenção em como seu par reage. 

é importante que a comunicação seja amorosa e inclua o respeito, mesmo quando a discussão for inevitável

Não desista fácil do seu relacionamento, caso a comunicação esteja difícil.  Reflita sobre oque uniu vocês inicialmente. Se seus valores  são parecidos, se querem coisas parecidas para a vida, tente renovar o compromisso, com mais consciência sobre o que é divergência, maior respeito e aceitação. Desenvolva a sua flexibilidade psicológica e a sua capacidade de ouvir atentamente. Invista na relação. Procure ajuda psicológica. 

Referências

Beck, A. T . Love is never enough. New York: Harper & Row. 1988.

Harris, R.  Act with love: stop struggling, reconcile differences and strenghten your relationship with acceptance and commitment therapy . Oakland: New Harbinger Publications, 2009.

Lev, A., McKay, M.  Acceptance and commitment therapy for couples : a clinician’s guide to using mindfulness, values & schema awareness to rebuild relationships. Oakland: New Harbinger Publications, 2017

McKay, M.  Couple Skills (2nd Ed): making your relationship work. Oakland: New Harbinger Publications, 2006

Walser, R. D; Westrup, D . The mindful couple – how acceptance and mindfulness can lead you to the love you want. Oakland: New Harbinger Publications, 2009.

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Thays Babo é psicóloga (CRP 05/23827) e publicitária.  Mestre em Psicologia Clínica pela Puc-Rio, com formação em TCC pelo CPAF-RIO e extensão em Terapia de Aceitação e Compromisso pelo IPq (USP). Atende jovens e adultos em terapia individual, de casal e pré-matrimonial,  em Copacabana. 

 

Comunicação conjugal não violenta

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