Durante a pandemia de coronavírus, a violência doméstica aumentou. Assim, é urgente dar um maior destaque à  comunicação conjugal não-violenta.

A forma com que o casal se comunica indica a “saúde” do relacionamento amoroso. Por isto, nas terapias cognitivas, o treino das  habilidades de comunicação têm papel de destaque – tanto na terapia individual quanto na terapia de casal ou na terapia pré-matrimonial.

Comunicação – uma habilidade essencial

Segundo os estudiosos dos relacionamentos amorosos, Dr John e Dra Julie Gottmann, a comunicação do par amoroso é um importante indicador do futuro da relação.  

Portanto,  melhorar a qualidade da comunicação é uma das metas das terapias de casal. Assim, torna-se mais fácil resgatar a harmonia e satisfação conjugal.

Se o casal está bem,  o bem estar individual também aumenta, se refletindo em diversas áreas, inclusive profissional.

Os problemas das crenças do amor romântico  

Casais felizes não discutem” é uma das crenças românticas  que mais atrapalha os relacionamentos amorosos. Afinal, diante de  alguma crise ou divergência, o casal pode interpretar, erroneamente, que não existe mais amor.

Os Gottman já provaram que o que faz a diferença é a forma com que se discute. E que, muito pelo contrário, quando não há discussões, há maior probabilidade de ruptura.

Um estudo de 2012 mostrou que, apesar de surgirem emoções negativas durante a discussão, como a raiva, é possível, a partir daí negociar.

A comunicação em um relacionamento amoroso pode ser treinada e melhorada, com ajuda profissional.

Como lidar com as emoções negativas despertadas pelo seu par?

Portanto, é importante reconhecer as emoções, aceitar mesmo as negativas suas e a do(a) parceiro(a).

Isto não significa suportar agressões ou violência, mas possibilita conhecer melhor o/a parceiro/a e melhorar a relação. 

  • Primeiro passo: aceite  que emoções negativas existem, sim, e por si só, não são ruins. Elas vêm e vão. Podem ser  temporárias. Quando reconhecidas e aceitas, é possível trabalhar nelas.
  • Segundo passo: desenvolva seu autocontrole. 
  • Terceiro passo: desenvolva a escuta empática, atenta.

Aceitação e autocontrole  parecem impossíveis para você? Algumas abordagens, como a Terapia de Aceitação e Compromisso, ajudam a desenvolver estas capacidades.

Aprendendo a regular suas emoções,  o casal desenvolve uma escuta amorosa, não defensiva, atenta. O casal entra em contato com seus valores e (re)aprendea se comunicar,

Comunicação não violenta

Em matéria da Times, especialistas apresentaram algumas  sugestões para que as discussões sejam saudáveis. Elas estão resumidas abaixo. 

  • Tenha curiosidade sobre suas discussões – algumas são repetitivas, seguem um padrão e um script e acontecem sempre nas mesmas situações. Uma situação comum é quando uma das pessoas chega em casa, exausta do trabalho e a outra, querendo total atenção, a acusa de descaso e insensibilidade;  
  • Aceite que o tema é importante para discutir, mas agende um horário para isto. Às vezes, adiar a discussão ajuda a enxergar o problema de forma mais racional. Baixandoo tom emocional fica mais fácil solucionar o conflito. (Algumas pessoas terão mais dificuldade de autocontrole, mas é importante que aprenda a colaborar para a relação);
  • Se a discussão já começou, mas você percebe que seu par (ou você) perdeu o controle, peça um tempo para voltar à discussão depois. Reassegure que não está abandonando a discussão ou o par, mas que é importante acalmarem os ânimos;
  • Ao invés de criticar e reclamar, faça sugestões ou pedidos. Evite generalizar.  “Você sempre” ou “você nunca” são exemplos de generalização que podem fazer com que a outra pessoa se sinta injustiçada. Parece que ao destacar o negativo, não percebe o positivo, que pode ter sido com esforço. 
  • Quando for o momento da discussão, ouça atentamente, sem interromper.  Se você se sentir injustiçada(a) pode vir a tentação de interromper, mas controle-se. Saiba ainda que, se seu(sua) parceiro(a) sofre de algum transtorno psíquico ele(a) pode ser mais impulsivo(a) e falar sem refletir. Se o que a outra pessoa falou não faz sentido, peça maiores detalhes para tentar esclarecer. Mostre-se com plena atenção – e não se distraia com celular, por exemplo. 
  • Não xingue (aliás, esta condição é básica, deveria ser seguida desde o início da relação). Se as ofensas continuarem, pare até que se acalmem e restabeleçam um clima de respeito. 
  • Aprenda a pedir perdão e saiba que cada pessoa tem sua forma de perdoar (assim como também existem diferentes formas de demonstrar amor). Preste atenção em como seu par reage. 
Terapia de Casal e Terapia Pré-Matrimonial

Muitos casais se separam sem terem tentado ajuda profissional. Jogam a toalha, muitas vezes por manterem as tais crenças românticas. 

Mas a terapia de casal pode ajudar a solucionar os problemas para construir uma relação satisfatória. 

Antes mesmo de casar, a terapia pré-matrimonial já possibilitaria que se conhecessem muitos problemas originados nas experiências vividas na infância. Estas experiências deixaram marcas, esquemas disfuncionais.

Dores do passado podem ser ativadas no relacionamento a dois

Há dores não resolvidas que seu par amoroso ativa, sem sequer estar consciente. E noutras vezes é você que as ativa. São  necessidades emocionais que podem não ter sido  atendidas. Reaparecem quando a gente menos espera, nos  relacionamentos íntimos.

Terapias de casal, em especial a Terapia do Esquema para Casais,  facilitam o reconhecimento destas  experiências que despertam a vulnerabilidade. E pode tornar a  relação amorosa  mais saudável. Até mesmo curativa. 

Tais necessidades iniciais, que não foram atendidas quando você ou seu par eram crianças podem, agora, ser supridas.

Para isto, deve haver um maior cuidado com a comunicação, que pode unir ou separar. Esta habilidade é possível de ser aprendida.

Não desista fácil do seu relacionamento.  Reflita sobre o que uniu vocês inicialmente. 

Se seus valores  são parecidos, se querem coisas parecidas para a vida, tente renovar o compromisso, com mais consciência sobre o que é divergência, com maior respeito e aceitação.

Procure ajuda psi. Faça terapia de casal ou pré-matrimonial.

Referências

Beck, A. T . Love is never enough. New York: Harper & Row. 1988.

Harris, R.  Act with love: stop struggling, reconcile differences and strenghten your relationship with acceptance and commitment therapy . Oakland: New Harbinger Publications, 2009.

Lev, A., McKay, M.  Acceptance and commitment therapy for couples : a clinician’s guide to using mindfulness, values & schema awareness to rebuild relationships. Oakland: New Harbinger Publications, 2017

McKay, M.  Couple Skills (2nd Ed): making your relationship work. Oakland: New Harbinger Publications, 2006

Walser, R. D; Westrup, D . The mindful couple – how acceptance and mindfulness can lead you to the love you want. Oakland: New Harbinger Publications, 2009.

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Thays Babo é psicóloga (CRP 05/23827) e publicitária.  Mestre em Psicologia Clínica pela Puc-Rio, com formação em TCC pelo CPAF-RIO e extensão em Terapia de Aceitação e Compromisso pelo IPq (USP). Atualmente faz a formação em Terapia do Esquema, pela Wainer Psicologia.

Atende jovens e adultos em terapia individual, de casal e pré-matrimonial,  em Copacabana. Durante a pandemia, os atendimentos serão exclusivamente online.

Comunicação conjugal não-violenta

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