O Dia dos Namorados sempre traz questões para a clínica de terapia – para quem está em um relacionamento ou não, pelas mais diversas razões. As frustrações amorosas existem o ano inteiro mas se intensificam em junho (bem como nas datas festivas de final de ano). Nas redes sociais e também no mundo presencial – ruas, bares, academias, salões de beleza etc – tudo relembra o amor.Se você   pretende ficar em casa, confira a   lista de 
 vários filmes românticos.

Queixas amorosas

As queixas não vêm  só de quem não tem relacionamento: o dia 12 de junho pode ser incômodo até para quem está namorando e não comemora da forma – ou com quem – gostaria, por razões variadas. A incerteza sobre o relacionamento que se vive também pode ser finalizada:  como divisor de água, comemorar ou não define o tipo de relacionamento que se vive…

Eu sei, tu sabes, ele sabe, nós sabemos, todos sabem que a data foi criada com fins comerciais. Mesmo sabendo disto, muitas pessoas dão bastante importância a ela. E até pessoas contestadoras do sistema capitalista podem, eventualmente, ficar incomodadas pela sua condição econômica que não permita comprar algo para agradar seu par.

Tantas razões de incômodo se relacionam explicitamente com o que se vive nos outros 364 dias do ano. Tanto atinge quem não quer pensar sobre o estado amoroso em que se encontra como também pela condição econômica. Assim, aqui no Brasil, dia 12 de junho é uma data de celebração, da comemoração de estar com alguém com quem se quer estar.

Mas e se você não tem alguém com quem comemorar ou não pode comemorar, por motivo de trabalho, viagem ou outro qualquer – neste dia, o que fazer? “Deprimir”? Obviamente que cada um ‘reage’ de acordo com o seu estilo pessoal.

Foto de Andreas Rønningen em Unsplash

Hoje em dia, está cada vez mais comum amigos que decidem justamente encontrar-se com outras pessoas também ‘soltas’, sem um compromisso chamado ‘namoro’. Tanto pode ser para não terem de lidar com a solidão – que lhes ativa algumas crenças de que não têm valor, que são fracassados ou não atraentes – como simplesmente para se divertir e celebrar que estão sós, sim, mas estão bem. Melhor do que ‘mal acompanhado’. Mas há também quem enverede por uma bad trip, tentando escapar dos próprios sentimentos de menos-valia e de pensamentos depreciativos através de drogas ou porres. Se este é seu caso ou conhece alguém assim, sugira que procure ajuda especializada. Quando o humor e bem estar dependem de estar com alguém, está na hora de se conhecer melhor – tanto para descobrir quem você é quanto para aprender como pode sobreviver (e bem) sem alguém do seu lado.

Não se desespere: goste de si, em primeiro lugar

Aprender a gostar de si, destacando o que se tem de melhor é o caminho para  se abrir para novas oportunidades, sem o constrangimento do desespero. Afinal, o excesso de ansiedade em ter um vínculo amoroso – ou a tristeza por não ter  – costuma repelir relacionamentos saudáveis, causando justamente o oposto do que se deseja: afugentando possíveis parceiro/as equilibrados. Isto acaba reforçando um ciclo sem fim de crenças pessoais negativas.

Além de tudo, o amor não deve se restringir apenas ao relacionamento amoroso. Você pode – e deve – expandir o seu conceito de amor, como o valor mais básico, que sustenta a vida. E doá-lo – às suas amizades, nas suas relações familiares, ou até em atividades de voluntariado. Quando você conseguir o expandir, você verá que é muito mais fácil conseguir o que você estava mirando, a princípio. Gostando de você e de outras pessoas, você passa a ser mais  ‘gostável’, uma pessoa realmente ‘amável’. Dedique-se e você se surpreenderá com a resposta que você receberá de volta.  
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Thays Babo é Mestre em Psicologia Clínica pela Puc-Rio, com formação em TCC pelo CPAF-RIO e extensão em Terapia de Aceitação e Compromisso pelo IPq (USP). Atende a jovens e adultos em terapia individual, pré-matrimonial ou de casal, em Copacabana

E o Dia dos Namorados chegou. De novo.
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2 ideias sobre “E o Dia dos Namorados chegou. De novo.

  • 11/06/2019 em 16:24
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    Acho que o importante é comemorar um bom namoro, mesmo para os casados que ainda se namoram. Nesse terreno, acho que a qualidade é fundamental. Muita gente que tem um namoro mais ou menos, vai comemorar sem tanto entusiasmo, dando e recebendo presentes por força da data.
    Quem tem uma boa relação comemore muito porque hoje em dia não esta fácil ter uma boa relação.
    Quem não tem pode estar dificultando que alguém se aproxime. É sempre bom ter essa questão bem clara. Ou quem tem uma relação ruim, também deve procurar uma ajuda para melhorar a relação, ou mesmo terminar e partir para uma nova.
    Se você quer ter uma relação e não tem, procure ver o que está acontecendo.
    Uma boa relação faz muito bem.
    Amar é bom. Amar e ser amado, é melhor ainda.

  • 11/06/2019 em 16:24
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    concordo do início ao fim, Eduardo. E eu sou suspeita para indicar que busque ajuda, já que sou psi… Mas, como diz Allain de Bottom, o amor é uma habilidade – tem de ser aprendida. E treinada.

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