Não tem jeito: ano após ano, quando o  Dia dos Namorados se aproxima, muitos pacientes trazem a questão para a terapia. As queixas não vêm só de quem não tem um  relacionamento amoroso “sério” – não me peçam para definir o que é “sério”, por favor.

A data pode ser bem frustrante,  pelas mais diversas razões. Claro,  frustrações amorosas existem o ano inteiro mas, aqui no Brasil, se intensificam em junho (bem como nas datas festivas de final de ano).

Nas redes sociais e também no mundo presencial – ruas, bares, academias, salões de beleza etc – tudo relembra o amor. Se você   pretende ficar em casa, confira a   lista de   vários filmes românticos. Estes são mais antiguinhos, adotando o conceito de amor romântico. Que, como alguns estudiosos apontam, traz grandes frustrações. 

As queixas  de quem está se relacionando 

Nem todo mundo gosta de comemorar o Dia dos Namorados. Ponto.  E tá tudo bem com isto, acredite.

Afinal, os lugares ficam cheios, muita coisa fica mais cara (pois é uma data forte para o comércio).

Quando o casal concorda nisto, ótimo. Pode celebrar o namoro em outras datas, encontrando restaurantes e hotéis mais vazios e sem fila de espera.

O problema é que quando o casal tem valores e expectativas diferentes – e não conseguem ser flexíveis. Uma pessoa diz que é bobagem, que “todo dia é dia”, mas a outra acha que não está sendo valorizada etc. Não conseguem conversar sobre isto. Se este é o seu caso, você sabe, surgirão problemas nos outros dias do ano, também.

Por que incomoda tanto?

Vamos ser francos: não é tanto o fato de ganhar ou não presente. Não receber a atenção da pessoa que ama – ou pelo menos gosta amorosamente – pode despertar emoções bem mais antigas. Pode ativar nossos esquemas de abandono, defectividade, de fracasso dentre vários outros, que surgiram nas nossas relações de início de vida.

O Dia dos Namorados é envolto no clima de romantismo, de cuidado com o outro – e quando o casal não está alinhado com isto pode haver muita frustração. Podem ser ativados esquemas mentais de relacionamentos anteriores – até bem remotos, como por exemplo, como você recebia o amor na relação com seus pais.

Não sei se você tinha se dado conta disto.  Ou seja, ao se sentir deixado(a) de lado, muitas outras histórias estão pesando também nesta balança.

Dia dos Namorados como divisor de águas

Este dia pode acabar com as incertezas  sobre o relacionamento. Pode ser o divisor de águas. Um convite para comemorar ou não define o tipo de relacionamento que se vive…  É namoro ou amizade?

Eu sei, tu sabes, ele sabe, nós sabemos, todos sabem: a data foi criada com fins comerciais. E daí?

Mesmo sabendo disto, muitas das que contestam o  sistema capitalista querem comemorar. Não depende do valor do presente , na maioria das vezes. Depende de receber afeto. É como se a pessoa esperasse que neste dia a sua agenda estivesse reservada para isto.  

Pensando na sua realidade: se você não tem alguém com quem comemorar  este dia, o que fazer? “Deprimir”? 

Foto de Andreas Rønningen em Unsplash

Quando não havia a pandemia, muitas pessoas solteiras  marcavam algo com os amigos. A forma com que você vive define se é apenas stratégias de enfrentamento  para não entrar  em contato com as dores. Modo protetor desligado.

Mas pode ser um  modo bem adulto saudável. Afinal, onde está escrito que se  precisa ficar trancado em casa  neste dia?  Quem disse que só namorados podem se divertir no dia 12 de junho? 

Quem envereda por uma bad trip, ativa o modo protetor autodestrutivo. Tenta escapar dos próprios sentimentos de menos-valia e de pensamentos depreciativos através de comportamentos autodestrutivos, quando são ativados  os tais esquemas.

Se este é seu caso ou conhece alguém assim,  procure ajuda especializada.

Acredite: é possível estar só e estar bem. Muito melhor  do que ‘mal acompanhado’ , como em um relacionamento abusivo, por exemplo. 

Não se desespere: goste de si, em primeiro lugar

Aprenda a gostar de si. O autoamor é o caminho necessário para  se abrir para novas oportunidades, sem o constrangimento do desespero.

O excesso de ansiedade em ter um vínculo amoroso – ou a tristeza por não ter  – pode impedir relacionamentos saudáveis, causando justamente o oposto do que se deseja. Afugenta possíveis parceiro/as equilibrado/as. Isto acaba reforçando um ciclo sem fim de crenças pessoais negativas.

Além de tudo, o amor não deve se restringir apenas ao relacionamento amoroso. Você pode – e deve – expandir o seu conceito de amor, como o valor mais básico, que sustenta a vida. E doá-lo – às suas amizades, nas suas relações familiares, ou até em atividades de voluntariado.

A psicoterapia pode ajudar você

Esteja sem relacionamento ou em um, é hora de você se conhecer melhor se seu humor e bem estar dependem de estar com alguém. Se você está em um relacionamento, você tem a opção de terapia de casal ou terapia pré-matrimonial.

Mas também pode passar pelo seu processo individualmente. Você precisa  descobrir quem você é. Gostar de si o suficiente para, se precisar,  saber viver (e bem) sem alguém do seu lado. Sabe o que é solitude?

Quando você conseguir expandir seu conceito de amor, você verá que é muito mais fácil conseguir o que você estava mirando, a princípio.

Gostando de você e de outras pessoas, você passa a ser mais  ‘gostável’, uma pessoa realmente ‘amável’. Dedique-se e você se surpreenderá com a resposta que você receberá de volta.  Você é o seu amor para toda a vida. 
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Thays Babo é Mestre em Psicologia Clínica pela Puc-Rio, com formação em TCC pelo CPAF-RIO e extensão em Terapia de Aceitação e Compromisso pelo IPq (USP). Atende a jovens e adultos em terapia individual, pré-matrimonial ou de casal, em Copacabana. Durante a pandemia de coronavírus, a maioria dos atendimentos é online.

Dia dos Namorados – seu amor para toda vida
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2 ideias sobre “Dia dos Namorados – seu amor para toda vida

  • 11/06/2019 em 16:24
    Permalink

    Acho que o importante é comemorar um bom namoro, mesmo para os casados que ainda se namoram. Nesse terreno, acho que a qualidade é fundamental. Muita gente que tem um namoro mais ou menos, vai comemorar sem tanto entusiasmo, dando e recebendo presentes por força da data.
    Quem tem uma boa relação comemore muito porque hoje em dia não esta fácil ter uma boa relação.
    Quem não tem pode estar dificultando que alguém se aproxime. É sempre bom ter essa questão bem clara. Ou quem tem uma relação ruim, também deve procurar uma ajuda para melhorar a relação, ou mesmo terminar e partir para uma nova.
    Se você quer ter uma relação e não tem, procure ver o que está acontecendo.
    Uma boa relação faz muito bem.
    Amar é bom. Amar e ser amado, é melhor ainda.

  • 11/06/2019 em 16:24
    Permalink

    concordo do início ao fim, Eduardo. E eu sou suspeita para indicar que busque ajuda, já que sou psi… Mas, como diz Allain de Bottom, o amor é uma habilidade – tem de ser aprendida. E treinada.

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