Mindful dating? Digo logo que não fui eu que criei o termo, que parece apelativo para vender consultoria ou cursos (sou daquelas pessoas que questionam o McMindfulness).

Mas, uma rápida pesquisa no Google mostrou que o termo já vem sendo usado há tempos.

Mindful Dating seria o quê?

Antes de pesquisar sobre mindful dating, refletia sobre a importância do mindfulness na vida cotidiana. E o quanto pode ajudar a quem ainda está procurando um par amoroso. Em especial quem usa aplicativos de relacionamento – como Tinder, Hppn ou Inner Circle.

Afinal, sempre há um certo risco em conhecer pessoas (seja online ou offline). Aplicativos podem favorecer golpes e uma certa ansiedade é até benéfica.

A ansiedade tem uma função evolutiva, que é proteger do perigo. Assim sobrevivemos. O problema é o excesso, quando a ansiedade paralisa você a ponto de evitar todas as situações em que ela surja. Sua vida ficar muito restrita. Portanto, é importante saber lidar com ela.

A ansiedade no uso dos aplicativos

Pessoas ansiosas sofrem em todas as etapas no uso do aplicativo: ao criar o perfil, ao buscar matches, por conversar e dar acesso a outras contas – como Facebook, Instagram ou Whatsapp.

Mas o evento mais ansiogênico costuma ser mesmo o primeiro encontro. Se a ansiedade for muito intensa, a pessoa pode até não ir. Ou ir, mas não se apresentar. Ou ir mas não falar o que queria, não conseguir estabelecer um bom diálogo.

Usando a plena atenção para os relacionamentos na era digital

Até bem pouco tempo, primeiros encontros eram mediados por pessoas amigas. Ou as pessoas se conheciam em ambientes que frequentavam, como trabalho, igreja ou escola/faculdade. Você tinha uma referência de quem era aquela pessoa. Assim, a ansiedade estava mais para uma boa “expectativa”. Era mais tolerável.

A era digital aumentou as possibilidades. Tanto para os encontros quanto também para os enganos. Relatos não faltam de golpes e, com isto, a ansiedade pode ser maior.

Não basta você sentar alguns minutos (ou horas) por dia se você não aprende a viver de forma mais atenta. Quem tem práticas meditativas regula melhor suas emoções. Consequentemente, os relacionamentos amorosos também podem ser beneficiados. Percebo claramente entre as pessoas que atendo como há uma mudança a partir da adoção de uma prática de meditação.

O que fazer para minimizar riscos

A era digital popularizou o mindfulness no Ocidente, surgiram inclusive aplicativos para praticar. Após um tempo e constância de prática, fica mais fácil regular suas emoções. Claro, desde que não haja nenhuma psicopatologia grave.

Você deve ter plena atenção, não apenas nos momentos em que você se senta para observar a sua respiração. Use este aprendizado, ao usar aplicativos de relacionamentos. É importante observação – e autoobservação, também. Analise:

  • Você procura informação no texto ou só a imagem é suficiente para você curtir? – A(s) foto(s) mostram um pouco do perfil. Aliás, a ausência de fotos também quer dizer algo – inclusive que a pessoa pode já ter outro relacionamento e querer evitar a exposição.
  • Na era digital, é muito fácil manipular imagens. Não acredite em toda foto que você vê. E avalie: a estética e a beleza são seus principais valores? Quais valores você destacou no seu perfil?
  • Seja sincero(a) consigo mesmo(a): o que você quer? Apenas um encontro casual? Ou está disponível para um relacionamento amoroso, de verdade, com todas as dificuldades que relacionamentos trazem?

Algumas perguntas só vão ser respondidas quando você estiver em terapia.

Encontrando o o match – o primeiro encontro

Depois do match em aplicativos como Tinder ou Hppn, a conversa continua muitas vezes em messengers, como o Whatsapp. Outra etapa cada vez mais comum é adicionar no Instagram, que vem se tornando o meio preferido de paquera para muita gente.

Stories dão a chance de conhecer mais sobre o estilo de vida – lugares que frequenta, tipo de amizades, o que gosta de fazer, dentre outras informações. Directs Messages (DM) também facilitam a comunicação digital. A voz é um importante indicador – e é uma pena que tem sido pouco usada nas interações.

Superados os passos iniciais, ao marcar o primeiro encontro, a ansiedade pode aumentar. A intensidade depende da pessoa, da interação entre os contatos e do quanto se coloca de expectativa neste encontro.

Se você não tem nenhuma referência da pessoa escolhida, a não ser as que ela forneceu, seu primeiro encontro será um blind date. Blind dates geram ansiedade – normal! Afinal, iremos contra um conselho que as pessoas que cuidam de nós geralmente nos passam, desde cedo: não sair com pessoas desconhecidas. Por isto, muitas pessoas nem se arriscam a usar os apps.

Mas, convenhamos, não são só os conselhos dos cuidadores que geram ansiedade, atrapalhando sua vida amorosa. Se você ainda mantém o idealismo romântico, com crenças em almas gêmeas ou destino, pode se decepcionar muito.

Muitas vezes é o medo da rejeição que atrapalha tanto a sua vida que seja preciso um olhar mais aprofundado sobre as suas experiências iniciais na infância ou adolescência.

Como já dissemos em outros posts, quanto maiores as expectativas amorosas, maiores as chances de frustração. Quem tem um histórico de ansiedade pode experimentar grande sofrimento mental – não só no primeiro date, mas em vários outros na sequência.

Como a ansiedade joga contra a sua vida amorosa

A pessoa ansiosa pode ficar desmarcando encontros, por exemplo, adiando. Este comportamento pode afastar quem se interessou a princípio.

Outra forma é dificultar o fluxo da conversa. Por não querer demonstrar vulnerabilidade, nos primeiro encontros alguns assuntos são evitados. Mas, justamente, estes são os temas que dariam a “liga”, para saber se vale a pena ir em frente. Sem se mostrar, como a outra pessoa pode apostar que vale a pena um segundo encontro?

A não continuidade dos encontros com a mesma pessoa, por sua vez, perpetua a crença de que não irá receber afeto e amor, presente em alguns esquemas mentais.

Ficando no momento presente

Praticar meditação ancora você no aqui e agora. Assim, alguns dos pensamentos que costumam vir quando se pensa em um encontro amoroso, gerando insegurança, podem simplesmente passar. Se você não os alimenta, fica mais fácil.

Você irá observar o padrão de pensamentos, com mais abertura para a situação que acontece – ao invés de acreditar em tudo o que se passa na sua mente. Mas sua prática deve ser um hábito e não apenas um S.O.S usado apenas para afastar a ansiedade. Assim você entendera os benefícios.

Não há fórmula mágica para garantir o encontro perfeito, ao contrário do que os love coaches dizem. Nem que alguém se apaixonará por você – ou manterá o sentimento. Mesmo que você seja super inteligente, tenha um corpo maravilhoso, não se pode garantir uma boa vida amorosa. Não acredite em todo o marketing que chega até você.

Talvez a forma mais garantida de ter uma relação profunda, seja correr o risco de usar sinceridade. Ter coragem, não deixando de expor sua vulnerabilidade – o que nem sempre se quer mostrar de cara. Afinal, foram muitos anos de defesa, certo? Como saber a quem se expor – e quando?

Como a psicoterapia pode ajudar

A psicoterapia pode ajudar a desenvolver melhor de discernimento. Aliada à prática de meditação, você entenderá seu histórico e escolhas amorosas.

Às vezes, você vai perceber que ensinamentos recebidos sobre amor, passados por quem cuidava de você, ressoam ainda na sua mente. Tais padrões influem na sua vida, nas suas escolhas. E muitas vezes, você nem se dá conta.

Em terapia, você aprende a reconhecê-los. Também aprende que a experiência dos cuidadores pode ser totalmente diferente da que você vive. Você não precisa repetir padrão. Mas é preciso estar consciente para estabelecer relacionamentos saudáveis e realizadores.

Faça psicoterapia para assumir a responsabilidade pela sua vida. Ao se comprometer com seus valores e agir de acordo com eles, você irá achar a sua vida mais valiosa, com propósito.

Thays Babo é Psicóloga Clínica e atende a jovens e adultos em terapia individual, terapia de casal e terapia pré-matrimonial.

Mestre pela Puc-Rio, tem formação em TCC, extensão em Terapia de Aceitação e Compromisso pelo IPq (USP) e é associada à ACBS (Association for Contextual Behavioral Science).

Durante a pandemia de coronavírus, todos os atendimentos são online.

Mindful Dating
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