O drama Contra corrente, co-produzido pela França, Colômbia e Peru, conquistou vários prêmios e em especial o de Prêmio Popular no Sundance Festival (2011). Também faturou o Prêmio Popular no Festival de Cinema de Miami.

O filme conta, com um toque espiritualista, a história do amor proibido entre Santiago e Miguel.

Diversidade sexual

Espero que você não seja do tipo que se choca com a diversidade sexual. Ao contrário do que muitos conservadores pensam, ela sempre existiu. Se for este o seu perfil, e não quiser repensar seus juízos de valor, melhor procurar outro post.

Nos grandes centros urbanos, nas elites intelectuais, tem-se um discurso mais pró-diversidade. Porém, o preconceito ainda sobrevive.

Em pleno século 21, há ainda quem ataque os homossexuais ou bissexuais, ou qualquer outra orientação sexual diferente da sua.  

Os que defendem a homofobia apresentam um discurso moralizante, ‘naturalista’, fechado em si mesmo e justificando-se na “normalidade” ou na natureza. Tudo isto é facilmente derrubável, se a pessoa tiver predisposição para o raciocínio e para as evidências. Mas, indo em frente, vamos à discussão do filme, começando pelo trailer.

Sinopse 

Copiada diretamente do site do Arteplex Unibanco

Miguel é um homem respeitado na vila de pescadores onde vive com sua esposa Mariela, que está grávida do primeiro filho do casal. Embora viva bem com a esposa, Miguel tem um caso secreto com um artista forasteiro, Santiago, chamado pelas costas pelo povo do vilarejo de `Príncipe Encantado’. Quando a história toma um rumo sobrenatural, Mariela começa a questionar Miguel, que eventulmente terá de decidir se é homem suficiente para assumir a sua sexualidade. A fotografia de Maurício Vidal revela a beleza pouco conhecida da costa peruana, que serve como pano de fundo para as emoções vividas pelos três protagonistas, interpretados por atores sul-americanos de primeira linha. Em seu filme de estreia, Javier Fuentes-Leon arrebata o espectador que facilmente se deixa levar por esse romance transcedental com sensibilidade latina.

Sofrimento

O filme aborda um tema muito sensível. Não ‘demoniza’ ninguém. Mostra o sofrimento da esposa e a própria incompreensão dos sentimentos do protagonista, Miguel.

Há romantismo, há toques de humor, mas o drama da divisão de Miguel, não é aprofundado.

Antes mesmo de ver o filme, você já pode imaginar o impacto de um caso clandestino homossexual, vindo à tona, vivido em uma colônia de pescadores. E os desdobramentos que isto poderia gerar.

Impressões 

Tendo estudado a bissexualidade e entrevistado pessoalmente vários bissexuais, fiquei, ao sair da sessão, com a sensação de que, mais uma vez, o filme deixa de fora a a existência desta orientação sexual.

Fica-se na escolha polarizada: ou uma coisa ou outra. Não se sabe como a relação entre Santiago e Miguel se estabeleceu e assim o protagonista não consegue entender o que se passa com ele.

Miguel não reitera seu amor pela esposa, só mostra que quer continuar casado e com a família – mas parece ele mesmo ter dificuldade de entender.

Pode parecer que a escolha é pelo conforto de levar uma vida hétero – crítica que é muito comum em relação a quem não se assume bi. Isto contribui para a bifobia. O público pode ficar com esta dúvida, acreditando que Miguel é apenas mais um que se casou para esconder (negar) sua homossexualidade.

Daí para se solidarizar com a esposa e achar que ele é um falso, não custa. Ou seja, várias questões que angustiam bissexuais, como Miguel, ficam sem aprofundamento.

De positivo, mostrou que ser bissexual não implica em ‘não ser homem’, ‘macho’ ou não honrar seus compromissos e promessas.

Resumindo, a bissexualidade não é discutida. Lembrou-me o filme Minhas mães, meu pai em que a personagem de Julianne Moore parece ter apenas ‘surtado’ ao se relacionar com um homem.

Enfim, mais um filme em que a bissexualidade não é considerada. Não se abriu uma discussão e a ‘culpa’ recaiu apenas no homem hétero.

Se a discussão sobre as orientações sexuais te interessa, vale a pena procurar assistir a este filme. E deixe seu comentário aqui.
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Mestre em Psicologia Clínica pela Puc-Rio, na linha de Família e Casal, com formação em Terapia Cognitivo-Comportamental e Extensão em Terapia de Aceitação e Compromisso. Antes de ser psicóloga, fui publicitária – na era analógica. Atualmente, faço formação em Terapia do Esquema,

Atendimento a jovens e adultos, em terapia individual, de casal ou pré-matrimonial em Copacabana. Durante a pandemia, os atendimentos são prioritariamente online.

Nadando contra a corrente

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