Namorados para Sempre é um filme cujo  título – em português – deve ter espantado quem não gosta de comédias românticas açucaradas. É, já falamos muitas vezes do golpe baixo que fazem com os títulos aqui no Brasil, para conseguirem mais bilheteira. Este foi mais um deles. 🙁

No original, Blue Valentine surpreende, não sendo de forma alguma superficial. Muito pelo contrário. Pode inclusive ser doloroso para quem já se viu em situações parecidas. E, se você que lê já passou dos 30 anos, muito provavelmente já passou … Afinal, quase podemos dizer que é um rito de passagem sofrer por amor na sociedade ocidental. Faz parte!

A dupla de protagonistas está sensacional. Por este filme, Michelle Williams foi indicada ao Oscar e, infelizmente perdeu. Ok, não perdeu para qualquer uma: este ano era o de Nathalie Portman, até pelo conjunto da obra. Justiça seja feita, Michelle também estava excelente e, se mantiver o mesmo nível de atuação que mostrou neste filme, deve ser novamente indicada, em futuras premiações. O  diretor adotou um método intenso com a dupla de atores, que conviveram intimamente para poderem filmar – e o resultado é ótimo. 

Blue Valentine é acridoce. Mostra um casal jovem em crise. Até aí , nada de muito diferente… Mas o que os leva a separar? Pois é, justamente aí é que a discussão fica interessante. Ao iniciar um relacionamento amoroso, criam-se muitas expectativas diante do/a outro/a. Projetam-se modelos e ideais.

Como disse Aaron Beck, o amor não é suficiente. Pode não ser o único elemento   para fazer um relacionamento amoroso funcionar, ou durar. Nossa sociedade tem ideais de  amor romântico que atrapalham bastante – como bem diz o filósofo suíço Allain de Bottom. Confunde-se paixão com amor, e estes são bem diferentes.

Até hoje os pesquisadores da Psicologia do Amor não estão bem certos dos ingredientes para que o relacionamento não desande, como o do casal protagonista. A crise entre Cindy (Michelle Williams) e Dean (o excelente Ryan Goslin) ganha proporções impensáveis para quem via o jovem casal se apaixonando. Se na vida real acontecem tantas historinhas assim, vale perguntar “onde é que erramos?”. Ou, reformulando a pergunta : “por que projetamos tanto?”.

Na fase de apaixonamento, muitos dos ideais e sonhos projetados vão contra os dados da realidade. E mesmo assim se vai cegamente. E por quê? Bem, cada pessoa tem o seu porquê. Cada uma procura uma coisa mas, basicamente, isto se apoia no modelo de felicidade vigente nos dias de hoje.

A este respeito, alguns psicólogos vêm questionando (como Martin Seligman, criador da Psicologia Positiva. Confira o link de uma entrevista dele sobre o assunto em http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI235007-15228,00-MARTIN+SELIGMAN+PERSEGUIR+SO+A+FELICIDADE+E+ENGANOSO.html) . Estas historinhas, dolorosas, são como o filme é: amargo.

Expectativas: não crie

Cindy se tornou amarga. Dean não correspondia a suas expectativas. Mas será que ela algum dia olhou para ele como ele olhava para ela? E será que o olhar dele era só amoroso ou carente demais, com expectativa demais? Não irei me alongar, para não dar spoiler. Mas posso ainda dizer que a  trilha sonora também é ótima…

Assista ao trailer.

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