Há uma estreita relação da saúde mental com a saúde física. Como mente e corpo não se separam, você deveria cuidar de ambas.

Mas, na  era  digital,  a  estética, a imagem e os  padrões de beleza vigentes têm recebido muita atenção, recebendo altos investimentos. Investe-se muito dinheiro em dietas mirabolantes, tratamentos estéticos e até cirurgias.  Chega-se ao ponto do endividamento. E  a  saúde mental pode ser ainda mais  prejudicada.

Era digital – era da imagem fake

Ignorando conscientemente o uso excessivo dos  programas de edição de imagem, as pessoas se sacrificam com  dietas da moda – sem eficácia a longo prazo -, bem como com medicamentos inibidores de apetite  ou exercícios em excesso. 

Mas, o que vem antes? 

As redes sociais e a saúde mental

Influenciadores digitais no Youtube, Facebook e Instagram, enriquecem com a hipervalorização da imagem (ainda que todo  mundo já saiba que não se pode  confiar em nenhuma imagem postada). Mas eles mesmos não são imunes a transtornos mentais.

Recentemente o youtuber Whindersonn Nunes falou da sua depressão. E uma conhecida influencer se suicidou.

Cada vez mais pesquisas apontam  que as  redes sociais afetam muito a saúde mental. Ao se compararem com as celebridades, se desesperam com a própria imagem. Tentam cuidar da  aparência,  sem cuidar da  mente – seja por preconceito ou vergonha.

Cuide do seu corpo, sim, mas não esqueça da sua mente. O que ela pensa afeta o seu corpo
A preocupação com a estética do corpo muitas vezes suplanta a que se deve ter com a saúde – seja física ou mental – foto de Jennifer Burk at Unplash

Infelizmente, de nada adianta ser esteticamente muito atraente se, internamente, você está um caco. Há pouca tolerância à frustração . As pessoas descompensam  diante de qualquer insucesso ou se algo não dá  frutos tão rapidamente como se espera.

Mens sana in corpore sano

O poeta romano Juvenal disse: “Deve-se pedir em oração que a mente seja sã num corpo são“.  Orações, apenas, não bastam. Sua saúde mental afeta sua vida como um todo. É preciso compromisso com seus valores. E o autocuidado deve ser um deles. 

Nos cursos de graduação,  corpo e mente são tratados separadamente, não havendo  um olhar filosófico. Muitos profissionais da Medicina deixam de fora a questão emocional – em parte porque não são preparados para lidar com elas (e às vezes mal lidam com as suas). Aqueles que conseguem perceber  que as emoções afetam seus pacientes eventualmente indicam  para psicoterapia ou para a psiquiatria.

Muitos não insistem pois encontram resistência, já que há ainda  preconceito. E aí, infelizmente, podem manter o quadro, já que a causa inicial não foi tratada.

Psicofobia – o preconceito contra os problemas de ordem mental

Mesmo entre pessoas de boa escolaridade,  há quem ainda acredite que psicoterapia seja para gente ‘maluca’, ‘sem amigos’, ‘que não tem mais o que fazer’.  Portanto, é ótimo quando pessoas bem sucedidas vêm a público dar testemunho de suas histórias pessoais e do seu processo de psicoterapia. E é importante combater a psicofobia.

Guy Winch, Doutor em Psicologia, aponta a necessidade de termos mais cuidados com nossa saúde mental. Obviamente,  cuidados físicos são necessários, inclusive para nossa sobrevivência. Por isto, não deixe sua  saúde mental relegada a um segundo plano. 

Winch fala da importância de uma higiene emocional, ou seja, uma especial atenção ao tipo de pensamentos que se têm.  A pessoa precisa :

  • parar de  alimentar pensamentos auto depreciativos e derrotistas – estes aumentam  o risco de transtornos como a depressão. Muitos destes pensamentos  nem são verdadeiros. 
  • parar de repassar cenas ou falas (comportamento conhecido como   ruminação).

Higiene emocional e a saúde mental

Reconhecer este tipo de pensamentos e o quanto eles são inadequados é difícil para quem já os mantêm há muito tempo. A falta do distanciamento para observar este padrão disfuncional também dificulta a identificação dos pensamentos negativos e falsos. 

Abordagens psicoterápicas como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)  e a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) facilitam bastante  a conscientização sobre o que se pensa e também sobre a utilidade do que se pensa. 

A meditação será um bom auxiliar do processo. 

Autocuidado o ano inteiro

Por conta da melancolia que muitas pessoas sentem durante as Festas de final de ano, especialistas deram algumas dicas para autocuidado  – mas elas devem ser aproveitadas o ano inteiro. No Brasil, com a proximidade do  Dia dos Namorados, data também que pode provocar tristeza, é bom ficar alerta e  mudar o foco? Eles aconselham a

  • Ter gratidão – pelo trabalho (ainda que estressante), pelas relações (ainda que tensas, mas que são importantes no resto do ano) 
  • Dizer ‘não’, quando realmente achar que não vai ser uma boa companhia. Respeite-se e esteja consciente das suas necessidades. 
  • Exercitar-se – caminhadas no shopping não contam como atividade física que, comprovadamente, ajuda a melhorar o humor. Médicos têm indicado 150 minutos de atividade física por semana – no mínimo
  • Detox digital –  reduzir o consumo de mídias sociais (especialmente o Instagram) pode aumentar o bem estar. 
  • Ter abertura para novas tradições – e tire o foco de você,  ajude outras pessoas. 
  • Cuidar da   alimentação – observe as desculpas que você se dá para exagerar. E, se antes de eventos,  você comer algo  chance de comer compulsivamente diminuirá  

Fica a dica. Mas se você não está conseguindo fazer nada disto, por conta própria, considere experimentar a psicoterapia. Ela pode ajudar a mudar hábitos, observando seus padrões mentais e lidando melhor com eles, com mais autoaceitação e autocompaixão. Desta forma, você poderá se comprometer com seus valores e agir de forma a ter maior realização pessoal. 

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Thays Babo é Mestre em Psicologia Clínica pela Puc-Rio, com formação em TCC pelo CPAF-RIO e extensão em Terapia de Aceitação e Compromisso pelo IPq (USP). Atende a jovens e adultos em terapia individual, pré-matrimonial ou de casal, em Copacabana

Saúde física vs saúde mental qual a prioridade?

2 ideias sobre “Saúde física vs saúde mental qual a prioridade?

  • 03/06/2019 em 16:24
    Permalink

    As mídias sociais exercem cada vez mais influência sobre o modelo de beleza, mesmo em detrimento da saúde mental. O aumento da bulimia e outras mazelas são consequências disso. Essa inversão de valores é perigosa. Além de prejudicar a qualidade de vida dos que seguem a beleza a qualquer custo, podem pagar muito caro por isso.
    Desculpe, Vinícius, mas saúde mental é que é fundamental.

  • 10/06/2019 em 16:24
    Permalink

    obrigada pelo comentário, Eduardo, eu também me preocupo com a maior preocupação na estética e na beleza do que em outros valores.

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