Infelizmente, o cuidado preventivo com a saúde mental ainda é raro no Brasil, restrito muitas vezes às classes mais altas. Porém, cada vez mais as pessoas vêm adoecendo. O Brasil é o país mais ansioso do mundo, segundo a OMS. E a depressão cresce também.

Esta resistência em cuidar da saúde mental também tem a ver com preconceito – a chamada psicofobia. A ABP – Associação Brasileira de Psiquiatria – tenta combater o estigma contra o portador de doença mental.

Preconceito – psicofobia

Por causa do estigma, muitas pessoas que deveriam procurar ajuda psi não o fazem.

Você sabe o que é psicofobia?

Não tratar não cura. Não querer saber o que se tem, não ajuda. Pelo contrário, pode agravar o quadro e prejudicar o desenvolvimento. A autoestima e a autoconfiança ficam comprometidas por toda a vida.

Pais e mães relutam, muitas vezes em reconhecer uma dificuldade do seu filho ou filha. Há um peso e tanto podem não querer assumir se tiveram alguma responsabilidade no problema como também podem ter dificuldade de lidar com seus próprios limites. Muitas vezes só buscarão ajuda psi quando a escola ou algum/a médico fizer encaminhamento.

A psicofobia também se estende aos profissionais da saúde mental, como psiquiatras ou psicólogxs. Outros especialistas são consultados (como clínicos ou neurologistas, dentre outros), para evitar o rótulo e não se sentirem “malucas”. 

Mais arriscado ainda é quando acaba confiando apenas em tratamentos alternativos e espirituais, esperando que a questão se resolva magicamente.

A doença mental, se tratada, não impede de se ter uma vida realizada

Existem fatores, que você não controla, como a hereditariedade que podem predispor a um transtorno mental, como ansiedade ou depressão. E outros externos.

Para evitar o aparecimento de uma doença mental – ou mantê-la sob controle é importante saber diferenciar o quanto seu estilo de vida, e hábitos contribuem. Tendo uma alimentação balanceada, atividades físicas, dormir bem, praticar meditação e fazer psicoterapia pode melhorar muito sua saúde mental.

Alguns exemplos de pessoas famosas que sofrem de doenças mentais são são a cantora Pink e o nadador Michael Phelps. Maior medalhista da história dos Jogos Olímpicos, Phelps seengajou em campanhas de esclarecimento sobre a necessidade do cuidado com a saúde mental, tornando-se garoto propaganda de uma plataforma de atendimento psicoterápico online (para celular e web).

A ex-primeira dama americana, Michelle Obama, revelou que ela e Obama já recorreram à terapia de casal. Da mesma forma, ainda que pareça surpreendente, profissionais da saúde mental também precisam de cuidados.

Ou seja, ninguém é imune. Qualquer pessoa pode precisar de atendimento psicológico. E sempre será melhor (e mais barato) prevenir do que remediar.

Aumento de suicídios

Em 2016, a família real britânica lançou uma campanha sobre a importância de cuidar da saúde mental (hashtag #headstogether). Os príncipes falam das respectivas experiências pessoais. Em janeiro de 2019, o príncipe Williams falou mais sobre o assunto no Forum Econômico Mundial de Davo.


O duque e a duquesa de Cambridge e o Príncipe Harry no lançamento da campanha Heads Together – abril de 2016, Londres. Foto de Nicky Sims em Getty Images

Depoimentos de pessoas que têm destaque e sucesso ajudam a combater o preconceito.

Em 2018, dois suicídios causaram espanto em todo o mundo: o de Anthony Bourdin (chef americano, escritor e apresentador) e o da estilista Kate Spader. Muitos casos não são divulgados por causa do estigma que envolve este ato.

Durante a pandemia de coronavírus, houve um aumento no número dos suicídios.

Medicação – será mesmo necessária?

O pavor da prescrição de medicamentos psiquiátricos afasta muita gente dos consultórios dos profissionais de saúde mental.

Em primeiro lugar, é importante esclarecer que a prescrição de medicamentos cabe apenas a quem se graduou em Medicina. No caso dos remédios psiquiátricos, o ideal é buscar quem tenha esta especialidade, mas, por preconceito, pessoas pedem receitas para profissionais das mais diversas especialidades.

Resistir à ideia de tomar uma medicação pode ser tema de algumas sessões de psicoterapia. Há uma resistência, por preconceito ou por medo de ter de tomar remédio ‘para sempre’. O medo dos efeitos colaterais também pesa. Muitas pessoas desconhecem que o uso do remédio pode ser temporário, dependendo do caso.

Ao continuar o acompanhamento psi,  a medicação pode ser ajustada, reduzida, ou até suspensa depois de um tempo, com a orientação do/a psiquiatra. Mas a adesão ao tratamento é fundamental, bem como mantê-lo durante o tempo determinado, não parando de repente, sem acompanhamento médico.

Quando não é necessário medicar?

Nem tudo precisa ser medicado. É preciso saber distinguir. Não existe um remédio para tristeza, emoção absolutamente normal, quando perdemos alguém, ou alguma coisa – ou mesmo quando adoecemos.

Nem para uma pequena ansiedade, que não paralise. Algumas dores são importantes de serem sentidas – por mais que isto possa parecer “masoquista”. Elas podem mesmo fortalecer. Desenvolver resiliência.

Um critério diagnóstico costuma ser o tempo que os sintomas se apresentam. E também o quanto eles impedem as atividades, restringem a vida da pessoa.

Aceitação

Uma das condições para uma vida mais plena – ou mais “feliz” – é desenvolver aceitação. Aceitação dos fatos da vida e, inclusive que, em alguma medida, a pessoa poderá ter uma tendência a ser ansiosa. E tudo bem.

Aceitação é, no entanto, muito  diferente de resignação. A conhecida Oração da Serenidade se assemelha aos pressupostos da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT, em inglês), sendo um pedido sábio para obter a “serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar aquelas que posso, e sabedoria para distinguir umas das outras”.  

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Thays Babo  atende em Copacabana (e também on-line), a jovens e adultos em terapia individual, terapia de casal e pré-matrimonial.

Mestre em Psicologia Clínica, pela Puc-Rio, tem formação em TCC, extensão em Terapia de Aceitação e Compromisso pelo IPq (USP) e é associada à ACBS (Association for Contextual Behavioral Science). Atualmente, cursa a formação em Terapia do Esquema na Wainer Psicologia. 

Saúde mental – não descuide da sua
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