O final de um relacionamento amoroso pode ser tão difícil de superar quanto uma doença. Às vezes, até mais. Uma separação pode provocar ansiedade, pensamentos obsessivos e até dor física.

Existem várias explicações possíveis para a dor do final de um relacionamento – algumas mais românticas, outras mais científicas.

A química da psicologia do amor

Já foi comprovado, por exemplo, que, em estado de paixão, alguns neurotransmissores ficam em alta, fazendo que o cérebro funcione de forma semelhante ao de usuários  de drogas. Cria-se uma dependência da pessoa amada.

Quando então acontece o  rompimento não consensual,  quem não queria a separação tem sensações parecidas com as de  crise de abstinência.

Fases do luto amoroso

Há uma semelhança entre as fases do luto, propostas por Elizabeth Kübler Ross, psiquiatra suíça,   para descrever  os estágios que se enfrenta na perda por morte (em sequência: negação, raiva, depressão, barganha e aceitação).

Muitos pesquisadores aplicam a mesma descrição ao  luto amoroso, porém, alguns, que comparam o término de um relacionamento às crises de abstinência por droga, propõem apenas 4 estágios do luto amoroso:

  1. abstinência – quando se sente falta do convívio com o/aex – que “fornecia” os neurotransmissores da alegria
  2. raiva
  3. resignação
  4. superação. A resignação e a superação são fundamentais para que se siga em frente.

O fim nas redes sociais

Se você compreende que a paixão tem semelhanças neuroquímicas com uma droga, seguir a pessoa nas redes é comparável a ingerir de novo a substância. Não ajuda na cura.

É importante resistir – e entrar em abstinência (de informações) para poder efetivamente curar. 

A separação fica ainda mais difícil quando as pessoas estão conectadas pelas redes sociais.  Muitas vezes, mesmo sem procurar, fica-se sabendo da outra pessoa  através de postagens de conhecidos em comum, em redes como  Facebook e Instagram, por exemplo.

Ainda pior, podem chegar  notificações de lembranças passadas, reativando memórias, quando tudo o que se precisa fazer é focar no presente para construir um futuro melhor – sozinho/a ou com outra pessoa.

Tais situações, totalmente casuais e inesperadas podem ser evitadas, usando as configurações de notificações ou, em alguns casos, até tirando a pessoa da sua rede de contato, caso você não lide bem com o fim.

Quem não aceita bem o fim muitas vezes acompanha e vigia o/a ex nas redes sociais – comportamento conhecido como stalking.  A intenção pode até  ser fazer um fechamento, dando  sentido ao término, para superar mais facilmente. No entanto, na maioria das vezes, a vigilância não contribui para a aceitação. Pelo contrário.

Ao perceber que o/a ex segue a própria vida e interage com outras pessoas (que podem ser  novo/a/s parceiro/a/s, mas, muitas vezes, não), o sofrimento pode se prolongar. Vale ressaltar que nem sempre as conclusões  do/a stalker serão certas, ao analisar o que vê online. Então, o sofrimento se prolonga e pode ser muitas vezes totalmente infundado.

O stalking pode virar uma obsessão e prejudicar a saúde mental, com impactos no desempenho profissional, acadêmico e nos outros relacionamentos com pessoas próximas.

O que fazer para superar o fim?

Primeiro se pergunte para que acompanha o/a ex? Acredita que a vigilância online vai ajudar a superar ou quer um motivo para voltar a contactar? Analise o que você perde e o que ganha com este comportamento (além do tempo). 

Apesar desta necessidade de fechamento, o psicólogo clínico Guy Winch  ressaltou a importância de  parar de procurar porquês para o término, para curar o ‘coração partido’. A busca por explicação só prolonga a dependência em relação à pessoa que terminou, tirando  do seu centro de atenção a pessoa mais importante de sua vida: você mesmo/a.

Separações podem, enfim, ser muito dolorosas, mesmo, por razões variadas. Pode ser pelo histórico amoroso anterior àquele relacionamento, pode ser por baixar a autoestima – reforçando algumas crenças preexistentes, talvez, pode também ser por excesso de expectativas, pelo tempo investido e pelas oportunidades perdidas quando se optou por ficar em um relacionamento. 

A importância da psicoterapia para a superação do fim

É normal que, após um término, se queira falar exausta e exclusivamente sobre isto.  Infelizmente, algumas pessoas se afastam, pelo tema repetitivo de conversas, contribuindo para o isolamento e a manutenção dos pensamentos obsessivos.

Assim, se você está enfrentando uma separação , provavelmente sente  raiva misturada com tristeza – e às vezes esperança. Procure ajuda psicoterapêutica.

E se você lida com alguém que está passando por esta fase, tenha compaixão e paciência. 

Na psicoterapia, você vai falar sobre mágoas e também fazer  um balanço de erros e acertos. Vai ser possível lidar melhor com a dor, aceitando-a. Tentar se esquivar não ajuda a médio e longo prazo e pode mesmo atrapalhar os relacionamentos amorosos futuros.

Torna possível a  opção de permanecer só  (temporária ou permanentemente). Assim, a ajuda psicoterápica pode colaborar para que se chegue à fase de resignação e, enfim, de superação. 

A música Estou Pronto, do álbum A gente mora no agora, de Paulo Miklos, em parceria com Guilherme Arantes, descreve um pouco da tristeza anterior (‘noite sem fim”) e da aceitação.

Procure aceitar a impermanência, com  abertura o que vier pela frente. Términos acontecem todos os dias e recomeços também. Comprometa-se com a sua vida, com seus valores e engaje-se em ações compromissadas com eles.

Caso não esteja conseguindo, procure ajuda especializada. Agende uma consulta e comece um processo de psicoterapia.

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Thays Babo é Psicóloga Clínica, Mestre pela Puc-Rio, com formação em TCC pelo CPAF-RIO e extensão em Terapia de Aceitação e Compromisso pelo IPq (USP). Atende a jovens e adultos em terapia individual e de casal ou pré-matrimonial em Copacabana.

Superando o fim

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