Queixas sobre falta de tempo não param de crescer. Muito se tem atribuído ao uso excessivo de tecnologia. Na era digital, parece que o tempo encurtou ainda mais. Inicialmente, imaginava-se que a tecnologia digital iria nos liberar para tarefas mais nobres.

Na prática, não foi o que aconteceu. Assumimos novas funções e somos encontrados 24 horas por dia. Quem não consegue dar limites fica 24 horas online.

Consequências para o corpo e para a mente

O uso excessivo da tecnologia digital prejudica a saúde física e mental. A memória, concentração, o aprendizado e a  atenção plena ficam prejudicados com o uso excessivo dos dispositivos eletrônicos.

O maior acesso à tecnologia digital também está relacionado ao maior nível de depressão e ansiedade.

Tecnologia digital e os conceitos de multitarefa e monotarefa

O smartphone sabotou o controle corporativo do tempo gasto online e, certamente, muitas pessoas atrasam suas entregas por navegarem nas redes sociais ou ficarem respondendo a mensagens d

Já foi comprovado que a mera presença do smartphone no ambiente atrapalha a concentração. Especialistas dizem que só a vibração já prejudica a atenção. Desta forma, uma das formas de reduzir a distração é desativar  (sons de) notificações.  

As descobertas mais recentes da neurociência mostram que o ser humano deve ser monotarefa.

Ser  multitarefa é ótimo apenas para as corporações a curto prazo. Por tempo prolongado, prejudica a qualidade da execução da tarefa propriamente dita e, dependendo da tarefa, pode colocar vidas em risco.   

Impactos da tecnologia digital
Na profissão

Eventualmente,  atrapalha a ascensão profissional, quando a exaustão deteriora a qualidade das entregas, que pode inclusive gerar demissões. Ao não atingirem  metas pessoais, a culpa, vergonha e demais sentimentos negativos surgem. Então, é mais do que necessário aprender a dar uma desconectada do seu celular. Para conseguir, realizar suas tarefas dentro de prazos esconda ou desligue o telefone para focar no que você precisa fazer já.  

Pesquisadores apontam que o uso excessivo da tecnologia gera procrastinação, que muitas vezes tem a ver com outras questões emocionais – como a ansiedade, por exemplo.

Nas relações amorosas

Além do impacto na esfera profissional,  relacionamentos  amorosos e familiares podem ser prejudicados, pelo uso excessivo do celular, que tem sido queixa frequente em  terapia de casal.  Quem usa em excesso deixa seu par de lado, diminuindo o tempo de interação pessoal e física. Coisas do dia a dia, aspirações, projetos não são compartilhados, olho no olho.

O tempo  que se poderia dedicar à maior  interação física, ao toque e a sexualidade também é reduzido.  É sabido que tocar, beijar,  abraçar liberam neurotransmissores que ativam a felicidade e o prazer. Portanto, maior  atenção aos momentos de maior intimidade física contribui para estreitar e manter o  relacionamento amoroso.

Ficar o tempo inteiro com os olhos na tela do celular ou do notebook pode ativar sensações  de abandono, menos valia e até despertar ciúmes – mesmo quando as mensagens são trocadas com família ou grupos de amigos.

De certa forma, a tecnologia digital pode ser considerada uma rival do casal.

Redes sociais

Um advogado americano atribui ao Facebook uma grande responsabilidade em divórcios. Mas outras redes sociais, como Instagram,  estão relacionadas com depressão e ansiedade por possibilitar comparação. A comparação cria grande sofrimento mental.  Imagina-se  que o mundo inteiro tem uma vida mais interessante.  

Nas relações amorosas

Nas relações familiares, as interações  diminuem nos encontros. Também diminui a percepção do prazer: a comida parece menos saborosa, já que não se presta tanto atenção a ela. 

Como não se exceder 

Consultores de tecnologia apontam dicas, principalmente para jovens. Pediatras também apontam que crianças muito pequenas são mais prejudicadas do que beneficiadas, com o uso da tecnologia, prejudicando o desenvolvimento cognitivo.

Pessoas já nascidas na era digital perderam algumas experiências importantes, de relacionamento interpessoal e também estão perdendo algumas habilidades sociais – como por exemplo iniciar uma conversa, pessoalmente, dar um telefonema e responder às chamadas. 

 Uma nova patologia surge: a nomofobia

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Nomofobia significa no mobile phobia – ou seja fobia de ficar sem o celular. Há um caráter de adição no uso excessivo de tecnologia. 

Heavy users de smartphones fizeram com que o designer Marc Jacobs radicalizasse, ao  bloquear o uso de celulares  em seus desfiles, por considerar falta de respeito o uso que as pessoas têm feito. 

Gerenciamento de tempo no celular

Mas como diminuir o tempo desperdiçado nas redes sociais, em especial? Especialistas sugerem uma atitude que pode parecer radical para os adictos: deletar os aplicativos do celular

Em uma palestra TED, Rory Vaden questiona o conceito de gestão de tempo e, de forma clara e direta, explica que não se tem como aumentar o tempo: cada dia tem 24 horas, que tem 60 minutos, cada um com 60 segundos.

Ou seja,  o que se precisa é administrar suas emoções para usar bem o tempo que se dispõe. Assim, não haverá do que  se lamentar depois. Nas suas criticas às ferramentas de gestão no tempo, Vaden afirma que o foco tem de ser na autogestão. 

Aprender a dizer ‘não‘ – a si mesmo/a, adiando o prazer e diminuindo a esquiva das tarefas enfadonhas – é importante para se filtrar o que se tem a  fazer. E sugere que se exclua o que não se precisar fazer mesmo. Aplicativos de autogestão de tempo também podem ajudar (como o Space).  

Como a terapia pode ajudar

A autogestão, o dizer ‘não’,  saber filtrar, não é fácil para a maioria das pessoas. Depende menos de argumentos racionais e lógicos e mais da emoção.

Deixe-o longe de você. Se esta ideia gera ansiedade,  procure ajuda  especializada, antes que isto prejudique seu trabalho, suas relações familiares e  seu relacionamento amoroso. 

Entenda o que você evita, o impacto de suas escolhas. Se o excesso de tecnologia afasta você dos seus valores principais, dê um tempo. Procure ajuda psi. Faça psicoterapia.

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Thays Babo é Psicóloga Clínica, Mestre pela Puc-Rio, com formação em TCC e extensão em Terapia de Aceitação e Compromisso pelo IPq (USP). Atende a jovens e adultos em terapia individual, de casal e pré-matrimonial,  em Copacabana. Durante a pandemia de coronavírus, os atendimentos são exclusivamente online. 

Tecnologia digital: como usá-la a seu favor
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