Conhece alguém que ache que tem tempo sobrando?  Eu, não. Cada vez mais ouço pessoas se queixando de cansaço e da ‘falta de tempo’. É muito a fazer para o  pouco tempo que se tem. Como diz uma música, dos anos 80, “eu tenho pressa e tanta coisa me interessa

Dos anos 80 para cá,o ritmo de vida acelerou, com consequente aumento da ansiedade. Planejamento é importante, pois, juntamente com a flexibilidade para adaptar, caso haja algum imprevisto. Mas também é preciso aceitação de que há coisas que não dependem diretamente de nossa vontade ou não estão sob nosso controle.

Particularmente não concordo com a afirmação generalista de “quem quer consegue um tempo“, que “é uma questão de prioridade“. Existem outras questões mais do que o simples querer.

Afinal, não cuidamos só do que é importante: muitas obrigações nos afastam de coisas que valorizamos. Além disto, às vezes é importante ceder e conceder. Faz parte da arte de se relacionar.

Assim, equilibrar e distribuir o tempo, identificando o que realmente interfere é uma arte, mas exige disciplina e foco. E compromisso com seus valores pessoais, reconhecendo que, para nos aproximarmos de alguns valores, eventualmente, nos afastamos de outros.

A tecnologia digital afetando a saúde mental

As novas mídias digitais sabidamente roubam grande parte do tempo necessário para atingir metas ou finalizar projetos. A criação do smartphone agravou o problema.

Foto de Kevin Ku em Unsplash

Muitas pessoas não desligam seus celulares, nem para dormir. Querem saber de tudo o que acontece o tempo todo, todas as novidades – desde o que acontece com os mais famosos como também o que acontece com anônimos que, do nada, viram celebridade.

A esta tendência se deu nome: FOMO ou The Fear of Missing Out (o medo de ficar por fora). Uma possível causa é a necessidade de controle – característica dos transtornos de ansiedade, por exemplo. Mas seria simplista dizer que é a única. No entanto, este uso abusivo tecnológico causa prejuízo ao sono, trazendo como consequência danos à saúde física e mental. 

As redes sociais e a sua saúde mental

Estudos têm relacionado uso intenso das redes sociais como Facebook e Instagram e o crescimento da depressão, principalmente entre pessoas mais jovens, que acompanham stories.

Até já está virando piada, na própria rede, num movimento de reação aos smartphones. A indústria também já investe em um nicho de produtos que são menos “inteligentes” – os dumphones.

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A verdadeira vilã

Acompanhar a vida de pessoas “formadoras de opinião” contribui para afastar  você da sua própria vida. Ao se comparar, ao invés de mirar no que você é ou no que realmente precisa fazer para se tornar o que quer vier a ser, a insatisfação com sua vida tende a aumentar. 

Mas, cá entre nós, a tecnologia é, na verdade, apenas o meio que usamos para nos distrair e evitar o que tememos. A tecnologia facilita a procrastinação, mas a grande vilã é a ansiedade. Ficar nas redes sociais é ativar o nosso modo “desligado” das tensões. Que tal ver uns vídeos de bichinhos?

Em 2020, faça diferente.

Pare hoje mesmo e avalie o que não conseguiu realizar – e porquê. Faça o balanço: você se comprometeu com seus valores este ano? Suas ações  estavam alinhadas com eles? Ou  você  se afastou do que você valoriza de verdade? Redefina o que realmente é valioso para você. A partir daí, comprometa-se.

Talvez esteja na hora de investir no seu autoconhecimento e (re)começar um processo de psicoterapia. Principalmente se percebeu seu humor muito instável nos últimos meses. Você pode, mas não precisa, esperar a virada de ano para “começar de novo” . O que for valioso pra você pode começar o quanto antes. Aliás, deve.

para onde você está indo?
O tempo é seu, e você que dá conta dele.

O que a psicoterapia pode fazer por você?

Nas abordagens mais cognitivas, você pode aprender a viver  sem idealizar tanto. O autoconhecimento permite que você entre em contato com os pensamentos e emoções que paralisam você.

Este contato é necessário para que eles mudem ou percam sua intensidade. Ou fiquem ali, reconhecidos, mas já sem causar prejuízo e insatisfação com sua própria vida e suas escolhas. Você estabelece objetivos e passa a ter expectativas mais realistas. Aprende a aproveitar o que se apresenta agora. Ser feliz dá trabalho” (e é impermanente, sempre é bom lembrar).

O futuro – quando chegar e se tornar presente – depende das ações hoje. Não estar com os pés no tempo de agora, no momento presente, faz perder o foco. Muitas vezes contribui para alterar o  humor. 

Ao ‘viver’ no passado, relembrando cenas ou situações – dolorosas ou felizes, não importa – não se percebe, muitas vezes, o que se tem hoje para desfrutar e o que se está perdendo.  Viver querendo antecipar, controlando por temer o futuro, ou ficar só sonhando, também impede de construir a vida que se quer, de se comprometer com os valores pessoais. 

O diferencial da psicoterapia

Dependendo da circunstância, insistir nos projetos não significa resiliência, nem persistência, e sim teimosia. Pode ser mera perda de tempo. Talvez você só precise de mais tempo para analisar o que realmente importa.

Observe e mude o que pode ser mudado, na direção do que você quer. Compaixão e autocompaixão são importantes neste processo. Ao avaliar suas “distrações”, você pode se comprometer com  as mudanças necessárias.

Thays Babo  atende em Copacabana (e também on-line), a jovens e adultos em terapia individual, terapia de casal e pré-matrimonial.

Mestre em Psicologia Clínica, pela Puc-Rio, tem formação em TCC, extensão em Terapia de Aceitação e Compromisso pelo IPq (USP) e é associada à ACBS (Association for Contextual Behavioral Science). 

 

Para você, que acha que tem tempo curto

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