Com o surgimento do coronavírus, autoridades de saúde do mundo inteiro recomendaram o isolamento social. Profissionais da saúde mental tiveram de se adaptar para continuar atendendo seus clientes, oferecendo terapia online. Afinal, queixas de ansiedade e depressão aumentaram, bem como relatos de violência doméstica.

Confinados em casa, finalmente, quem não parava para analisar seus problemas teve de, enfim, encará-los: medo da solidão, medo da morte, medo do desemprego, arrependimentos e revisão dos valores com que se comprometeu ao longo da vida.

Ansiedade, tristeza e luto

Com a chegada do coronavírus, mesmo quem achava que nunca precisaria de buscar ajuda psi passou a repensar esta crença. A ansiedade de quem se achava no controle de tudo disparou.

Veio com força o sentimento de luto – pela vida que tínhamos, pela nossa liberdade de ir e vir e, eventualmente, pela perda de pessoas queridas.

Talvez seja impossível zerar a ansiedade – mas é possível lidar com a ansiedade de forma funcional. A terapia online, a prática de meditação e de exercícios físicos são algumas formas de regular as emoções.

Muitas das pessoas que resistiam acabaram aderindo à terapia online, única forma que está sendo possível atualmente, sem correr riscos. E esta modalidade veio para ficar.

Estratégias de enfrentamento equivocadas

Por outro lado, existem tentativas de minimizar estratégias para lidar com a ansiedade que podem ser mais prejudiciais, como por exemplo as compras online e uso de drogas. Estas estratégias podem agravar os problemas, ao invés de trazer uma solução definitiva.

Com a pandemia, bares e restaurantes fecharam as portas, baladas foram canceladas. O consumo de álcool e outras drogas em casa aumentou – o que preocupa os especialistas em dependência química. Esta estratégia para reduzir a ansiedade acaba trazendo mais riscos do que possibilidade de resolução de problemas.

Ficando em casa, navegando mais tempo ou por puro tédio, muita gente acaba fazendo mais compras do que o necessário. Quando a família ou cônjuge são envolvidos, outra crise pode surgir. O filme Becky Bloom mostra o que pode acontecer com pessoas que sofrem de compulsão por compras.

Durante o período de coronavírus, muitas destas formas de esquiva estão impedidas de certa forma.

Apesar de não poder sair para encontrar as pessoas, agora há facilidades como o sistema de delivery ou compras online, pode haver um maior descontrole (nas compras) ou consumo (de álcool e outras drogas) ou mesmo de pornografia online, por exemplo.

Estratégias que até aparentam ser mais saudáveis (como a prática intensa de esportes, viagens, estudo ou trabalho intensivo), com o tempo, se mostram falíveis.

Buscar psicoterapia ainda é um passo de coragem, que nem todas as pessoas em sofrimento se arriscam a dar. Muitas têm uma visão bastante equivocada sobre o que é terapia. Tentam resolver suas angústias das mais variadas formas, algumas com estratégias até autodestrutivas. E, logicamente, não conseguiam.

Mas por que tanto medo de fazer terapia? Há muito preconceito, há quem pense que terapia é coisa de gente louca, sem amigos, sem Deus no coração. Adiam até o ponto em que a vida fique insuportável.

Crenças erradas sobre o que é terapia, muitas vezes, escondem o medo. Medo inclusive de ser feliz. Quando os problemas são encarados, podem aparecer chances de resolvê-los. Para isto, é preciso assumir a sua responsabilidade e se comprometer com a mudança.

Confinamento: parada para reflexão

Fazer terapia vai ajudar neste momento. Mas, como fazer terapia, se a ordem é #fiqueemcasa?

O Conselho Federal de Psicologia autorizou que profissionais devidamente registrados ofereçam terapia online. Foi uma atitude de flexibilidade que, mais do que nunca, precisamos ter.

E por que, neste momento, precisamos ser mais flexíveis? Desde Darwin se sabe que sobrevivem os que melhor se adaptam. Então, por mais que a presença física seja importante, a tecnologia digital possibilita, neste momento, que não fiquemos totalmente isolados. Dá a possibilidade de sermos ouvidos.

Nós, seres humanos, precisamos da conexão. Se a física está impedida, ao menos digital pode acontecer. É importante ser ouvido(a).

Terapia é o tempo e espaço para se ouvir, para suspender julgamentos.

É importante ter alguém que ouça você, sem julgar. Entrar em contato com suas emoções evita que elas explodam no seu corpo, em forma de doenças.

Muitos clientes contam, ao chegar, que consultaram vários médicos, pesquisando causas orgânicas para sua doença até, enfim, aceitarem que a sua doença surgiu porque a mente não está bem.

A terapia é, pois, uma necessidade e não um luxo. Deveria ser considerada um autocuidado básico – tanto quanto atividades físicas, dieta adequada e sono. Neste momento de pandemia, ainda mais.

Sugestões de temas para textos serão bem vindas, convido você a participar ativamente.

Atendimento online

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Thays Babo (CRP 05/23827) é  Mestre em Psicologia Clínica pela Puc-Rio, com formação em Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) pelo CPAF-RIO e extensão em Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) pelo IPq (USP).

Atende a jovens e adultos em terapia individual, de casal e pré-matrimonial . Durante a pandemia, apenas atendimento on-line

Terapia: mais do que nunca, você precisa deste cuidado (atualizado em 19. jun.2020)

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