Casamento não é a experiência mais fácil do mundo, cá entre nós. É um desafio viver diariamente com alguém que vem de uma família, muitas vezes, totalmente diferente da sua. Traumas e experiências prévias, hábitos e  valores que podem ser incompatíveis, tudo isto dificulta. A Terapia de Casal pode ser um recurso importante para superar as dificuldades e resolver conflitos amorosos, ajudando a estabelecer uma comunicação respeitosa.

Infelizmente, muitos casais só recorrem a esta modalidade de terapia depois de muitas brigas e mágoas, comprometendo o seu sucesso.

Por que a  Terapia de Casal é, muitas vezes, o “último recurso”?

As crenças românticas são provavelmente um dos fatores que afastam os casais da terapia. Várias destas  são reforçadas através de filmes, romances, músicas, novelas e outros produtos culturais que mostram um “final feliz”, falam da existência de “almas gêmeas”.

Com tais crenças, muitas vezes se fica intolerante quando os problemas surgem. É quase como uma ideia de que “se o amor for de verdade, tudo se resolve, não aparecem problemas. E, ao mesmo tempo, alguns filmes usam a Terapia de Casal como recurso cômico – ou reforçando a crença romântica de que não será o fator de mudança para a relação.  

Terapia de Casal no cinema – dois exemplos

Filmes que retratam Terapia de Casal  de forma  cômica não ajudam a combater o preconceito contra este recurso psicoterápico importante.

Um deles é o filme Sr. e Sra. Smith. O enredo não tem como foco principal a terapia em si,  que só é usada como recurso de humor para abrir e fechar a trama.

Na cena inicial, fica claro que o casal tem sérios problemas de comunicação. E que acabam repercutindo na vida sexual.

Problemas de comunicação são  frequentes em casais que chegam em busca de terapia, independente da idade. Cuidando da comunicação, muitas vezes, a sexualidade conjugal tende a melhorar.

Ainda  tabu em pleno sexo 21, a sexualidade não aparece como questãoapenas em Sr. e Sra Smith.  Em Um divã para dois,   um  casal de meia-idade enfrenta dificuldades sexuais, mas por questões de envelhecimento. Kay (Meryl Streep) não consegue que o marido, Arnold (Tommy Lee Jones), converse com ela sobre sua falta de desejo e evitação do sexo. Kay, por fim,  dá um ultimato:  terapia (Steve Carell).  

É bom lembrar que mesmo casais jovens podem ter conflitos na sexualidade – tanto por  questões fisiológicas  como também questões emocionais. 

A Terapia de Casal (TC) pode identificar o problema, encaminhando o casal para algum tipo de tratamento complementar (médico, por exemplo). Também traz à discussão os  os valores que o casal têm, com o que se comprometem.

No final, Um divã resvala no pieguismo, reforçando a crença irrealista de que o amor, por si só, tudo resolve. Quem trabalha a sério com psicoterapia considera o final um desserviço.

Ou seja, em ambos os filmes, a mudança não é provocada pela terapia de casal – o que acaba reforçando a crença de que os problemas se resolverão sozinhos. Esta “moral da história” contribui para que muitas separações aconteçam com as pessoas se amando, por pura inflexibilidade e rigidez.

Amar dá trabalho e não é espontâneo. Amor é aprendido. E pode ser aperfeiçoado. 

Uma nova tendência:  Terapia de Casal Pré-Matrimonial

Muitos casais vêm procurando a terapia  antes mesmo de morarem juntos. De certa forma, já tem consciência das mudanças que o convívio diário, intenso, traz, e das necessidades de definir limites e expectativas. A Terapia Pré-Matrimonial minimiza os conflitos preventivamente, abordando assuntos espinhosos que, normalmente, não são abordados antes da união.  

Como na TC tradicional, na Terapia de Casal  Pré-Matrimonial  são treinadas as habilidades de comunicação. O casal assume sua responsabilidade e reafirma o compromisso com o vínculo amoroso, tendo ações compromissadas com seus valores e uma autoexpressão de respeitosa e compassiva.  

Resultados da Terapia

Eventualmente, o relacionamento chegará ao fim, mas a terapia possibilita que se finalize de forma mais harmoniosa um relacionamento, sem que se torne um litígio.

Portanto, se o seu relacionamento não tem sido o que você e seu/sua parceiro/a esperavam que fosse, dê uma nova chance.

Experimentem a Terapia de Casal ou  a Terapia Pré-Matrimonial para mudá-lo na direção do que ambos valorizam e querem.

Para finalizar,  um pouco mais de humor. 

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Thays Babo é psicóloga, Mestre em Psicologia Clínica pela Puc-Rio. Com formação em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e extensão em Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), atende  a jovens,  adultos e idosos, em terapia individual, de casal ou terapia pré-matrimonial.

Durante a pandemia de covid-19, atendimento apenas online.

A Terapia de Casal no cinema

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