O filme Delírios de consumo de Becky Bloom, apesar de um ser típico chick flick,  pode servir como ‘filmoterapia’ ou ‘biblioterapia’.  O título original, tanto do livro como do filme é “Confessions of a shopaholic“. A adaptação para o cinema deslocou a protagonista de Londres para Nova Iorque. Não é nada, não é nada, mas talvez nos States o consumo não seja visto tão patologicamente, por ser o país do consumo par excellenceE o que vem a ser shopaholic? Em uma linguagem mais ‘científica’, oniomania. Resumidamente, a oniomania é um transtorno compulsivo cujos portadores têm problemas com consumo excessivo, desenfreado e sem controle. Muitas vezes, a pessoa também possui outros comportamentos compulsivos e também mente para disfarçar sua situação. 

Young woman walking with shopping bags, low section

Se no cinema parece cômico, na vida real, a compulsão por compras pode causar problemas sérios, que afetam os relacionamentos amorosos – levando a  separações. Causando endividamento, pode levar à depressão e até suicídio, como todas as ‘adições’. Existem pontos em comum com a dependência química, por exemplo, bem como fases específicas. Dependendo do tipo de emprego, pode causar demissões. Às vezes a família tem de interditar. Se, no filme, a personagem consegue superar a compulsão sozinha – tendo extrapolado seus limites -, na vida real, a ajuda profissional especializada é a forma mais segura da pessoa conseguir superar o problema. Muitas vezes, identificar o que a compra significa para aquela pessoa, para entender que esquemas cognitivos são ativados na compra e na pós-compra

Outro tema, não abordado, atravessa o filme: o lixo gerado a partir do excesso de consumo. Este é sem dúvida um dos problemas mais difíceis de resolver hoje em dia, no mundo: como lidar com todo o lixo que, a cada dia, produzimos mais? As indústrias não podem parar, as economias e a paz mundial dependem disto e a mídia alimenta o desejo por mais e mais coisas novas – muitas desnecessárias. E é bom destacar que, apesar de a onomania ser estatisticamente mais frequente em mulheres, homens também sofrem disto. Não necessariamente a compulsão será por consumir moda. Podem ser aparatos eletrônicos, inclusive. Na medida em que se tem de estar atualizado e modernizado o tempo todo, com o carro mais novo, o celular mais fantástico, o gadget mais bacana, onde vão parar os antigos? É um tremendo tiro no pé que se dá, em função das aparências. Ou de algo mais profundo a completar. E é importante perceber que não é apenas a ostentação: é incontrolável, para suprir com a posse de objetos algo que não se consegue internamente.

Se você conhece alguém que sofre disto, ao invés de julgar, aconselhe a procurar ajuda especializada. Veja a entrevista com uma psicóloga e um psiquiatra que esclarecem melhor este tipo de compulsão.

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Thays Babo é psicóloga, Mestre em Psicologia Clínica (Puc-Rio) e associada à ATC-Rio. Atende  em Copacabana e no Centro,  a jovens, adultos e idosos, em terapia individual, de casal e pré-matrimonial.

Delirando por consumo: oniomania
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