Todo ano, quando o  Dia dos Namorados se aproxima, muitos pacientes falam sobre a data na terapia. Nem sempre de forma feliz.

As queixas que ouço não vêm só de quem não tem um  relacionamento amoroso “sério”. Até pessoas casadas também falam da data e de suas frustrações. Claro,  frustrações amorosas acontecem o ano inteiro! Mas, como aqui no Brasil o Dia dos Namorados é uma das datas comerciais mais importantes, coloca-se um holofote na relação amorosa.

E às vezes dói mesmo. Mas podemos entender melhor porquê.

Porque o Dia dos Namorados pode ser um problema 

Primeiramente, aceite: nem todo mundo gosta de comemorar o Dia dos Namorados. Ponto. E está tudo bem com isto, acredite. Afinal, os lugares ficam cheios, é preciso ter paciência.

A mídia bombardeia – é chato. Mas casais que concordam em celebrar o namoro em outras datas acabam encontrando restaurantes e hotéis mais vazios. Não há fila de espera. 

O problema surge se as pessoas que formam o casal têm expectativas diferentes em relação à data.

Flexibilidade é fundamental para um relacionamento amoroso, fica a dica.

Quem quer estar em um relacionamento amoroso precisa aprender a ser flexível. E escolher as brigas que realmente valham a pena. Sim, casais apaixonados eventualmente discutirão. É importante ter disponibilidade para tentar entender porque alguém insiste tanto na comemoração.

Pode ser simplesmente por romantismo. Mas também pode ser alguma questão – quem sabe  anterior ao relacionamento?

Ou pode ser mesmo  ciúme retrógrado. Afinal, em tempos de redes sociais, é possível vasculhar o passado amoroso do par. Assim, pode surgir insegurança e uma competição imaginária. Em geral são pessoas com o esquema de abandono, de defectividade, de fracasso ou de privação emocional, por exemplo.

Problemas de outros dias do ano podem ressurgir com força total, sendo hiper dimensionados. Seus esquemas podem ser ativados.

Mas seu par amoroso pode não estar consciente deles.  Assim, parece muito barulho por nada. É bom avaliar a qualidade da relação nos outros dias do ano. Vale a pena bater o pé e insistir em sair para comemorar? Às vezes ficar em casa pode ser a melhor escolha.

Origem dos esquemas

Tais esquemas surgiram nas nossas relações de infância e adolescência, com nossos cuidadores iniciais. Por uma série de situações que passamos, repetidas vezes, criamos crenças disfuncionais que nos protegeram em determinado momento.

Mas, hoje, estas crenças  mexem com nossas emoções. Assim, reagimos de forma desproporcional quando a situação já é outra. As pessoas envolvidas também não são mais as mesmas.

Porém, você (ou seu par?) se comporta como uma criança abandonada. Ou uma criança raivosa.

Ou seja: não é tanto o fato de ganhar ou não presente no Dia dos Namorados, de estar junto ou não. É a sensação de  repetição de situação. De não se sentir valorizada(o) por exemplo.

Por não termos tido nossas necessidades emocionais atendidas quando éramos pequenos, brigamos para conseguir mais  afeto e atenção. E nos desesperamos se não conseguimos em doses maciças.  

Se você não está consciente destas necessidades não atendidas, você não sabe como pedir. Ou pede de forma zangada. Ou se vitimiza. Ou foge. 

Tais comportamentos, infelizmente, podem afastar mais seu par do que trazer pra junto de você.

Autoconhecimento e autoamor são fundamentais para que um relacionamento floresça

Sem saber suas necessidades você provavelmente não perceberá as que a pessoa amada tem também. Desta forma, ao sofrer  em um relacionamento, pode ser que sejam  outras histórias reverberando ainda.  Você está carregando o passado para a sua relação atual. E decididamente isto pode ser injusto com o(a) parceiro(a).

Ele(a) pode não fazer ideia do que se passa embaixo da sua pele, se você não souber comunicar. 

E não se dar conta disto também te faz perder este momento agora. 

E se você não tem alguém no Dia dos Namorados? Como fica?

Pensando na sua realidade: se você não tem alguém com quem comemorar  este dia, o que fazer? “Deprimir”? 

Foto de Andreas Rønningen em Unsplash

Não, né? O dia passa rapidinho, como todos os outros. Dura apenas 24 horas.

Estamos no segundo ano da pandemia. Antes de 2020, muitas pessoas solteiras  marcavam algo com os amigos. Era talvez uma estratégia para não entrar  em contato com as dores de se estar sozinho. Modo protetor desligado ativado.

Também pode ser o modo adulto saudável. Afinal, onde está escrito que se  precisa ficar trancado(a) em casa  neste dia? Quem disse que só namorados podem se divertir no dia 12 de junho? 

Quem envereda por uma bad trip, ativa o modo protetor autodestrutivo. Tenta escapar dos próprios sentimentos de menos-valia e de pensamentos depreciativos através de comportamentos autodestrutivos, quando são ativados  os tais esquemas.

Se este é seu caso ou conhece alguém assim,  procure ajuda especializada.

Acredite: é possível estar só e estar bem. Gostar da solitude é muito mais saudável do que continuar em um relacionamento abusivo, por exemplo. 

Não se desespere: goste de si, em primeiro lugar

Aprenda a gostar de si. O autoamor é o caminho necessário para  se abrir para novas oportunidades, sem o constrangimento do desespero.

O excesso de ansiedade em ter um vínculo amoroso – ou a tristeza por não ter  um – pode impedir relacionamentos saudáveis, causando justamente o oposto do que se deseja. Afugenta possíveis parceiro(a)s equilibrado(a)s.

Isto acaba reforçando um ciclo sem fim de crenças pessoais negativas.

Além de tudo, o amor não deve se restringir apenas ao relacionamento amoroso. Você pode – e deve – expandir o seu conceito de amor, como o valor mais básico, que sustenta a vida.

E dar  amor às suas amizades, nas suas relações familiares, ou até em atividades de voluntariado. 

Não há um tempo certo para surgir o amor na sua vida. E mesmo que você ainda não tenha tido um, no início da sua vida adulta, é possível, sim, que surja até na terceira idade. Vai depender da sua abertura e curiosidade para vida.

Suas chances diminuem se você for uma pessoa inflexível, que se prende a muitas regras. Como por exemplo a de que existe uma idade certa para ter um relacionamento amoroso. 

A psicoterapia pode ajudar você

Esteja sem relacionamento ou em um, é hora de você se conhecer melhor.  Estando em um relacionamento amoroso, além da terapia individual,  você tem a opção de terapia de casal ou terapia pré-matrimonial.

Você precisa  descobrir quem você é. Gostar de si o suficiente para, se precisar,  saber viver (e bem) sem alguém do seu lado. 

Ao expandir seu conceito de amor, você perceberá que é muito mais fácil conseguir o que você mirava, a princípio.

Gostando de você e de outras pessoas, você passa a ser mais  ‘gostável’, uma pessoa realmente ‘amável’. Dedique-se e você se surpreenderá com a resposta que você receberá de volta. 

Você é o seu amor para toda a vida. 
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Thays Babo é Mestre em Psicologia Clínica pela Puc-Rio, com formação em TCC, pelo CPAF-RIO e em Terapia do Esquema, pela Wainer Psicologia. Com  extensão em Terapia de Aceitação e Compromisso pelo IPq (USP), atende a jovens e adultos em terapia individual, pré-matrimonial ou de casal, em Copacabana e online.

Dia dos Namorados | Encontre seu amor para toda vida

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