Divulgada a lista dos indicados ao Oscar, tivemos a boa notícia de um concorrente brasileiro na categoria Melhor Animação: O Menino e o Mundo. Mas, foi Divertida Mente que levou o prêmio este ano. Perdi a conta do número de vezes que ‘prescrevi’ como filmoterapia para clientes. Como muitos sabem,  o roteiro da animação contou com a colaboração de neurocientistas e agradou bastante à comunidade psi.

A história é simples: Riley é uma pré-adolescente e, diante de algumas mudanças na sua vida, suas emoções fogem ao seu controle. A menina doce e alegre fica rebelde, discute com os pais, foge de casa. O que há de tão interessante nisto? Os roteiristas elegeram 5 emoções básicas: Alegria, Tristeza, Medo, Raiva e Nojinho. Claro que existem muitas outras emoções humanas, mas, por motivos práticos, não daria para trabalhar todas em um só filme, sem ser superficial e confuso. Riley parte na sua jornada e vai ter de aprender a reconhecer seus sentimentos. Bem como a gente tem de fazer, para não agir de forma impulsiva, vida a fora.

O trailer pode parecer infantil mas, acredite: o filme é muito mais para adolescentes e adultos. É bem interessante também a relação conjugal dos pais de Riley, suas  as expectativas e frustrações do dia-a-dia. 

Quando a Tristeza é reconhecida e pode se manifestar, nos momentos em que  é esperada e aceitável, possibilita  que a vida de Riley volte ao rumo. A Alegria pode até reaparecer. E este é o aprendizado que todos temos de fazer. Sorte da Riley que isto acontece por ela mesma, que retoma o caminho de casa. Na vida real, muitas vezes, é através de uma boa psicoterapia que o reconhecimento das emoções vai ser feito. A  Terapia de Aceitação e Compromisso é uma das abordagens da psicologia que melhor vêm trabalhando neste sentido.  

Faz parte da vida que a gente perca coisas ou pessoas, se separe de gente querida, se mude (de escolas, de bairro ou cidade, de emprego). Tais perdas ou mudanças podem trazer sofrimento e dor. Negá-los, só aumenta a tristeza. Nossa sociedade nega o tempo todo a importância de sentimentos negativos – apesar de ser muito ‘reclamona’. O exibicionismo e narcisismo que vemos nas redes sociais, em que todos são tão ‘felizes’, dificulta às pessoas a aceitarem infelicidade, ainda que momentânea, como parte da vida. Ninguém pode demonstrar. E, se demonstra, às vezes é punido, com uma série de “Deixa disso”, o que aumenta o sentimento de ser incompreendido. Então, mais do que uma animação, o filme pode propiciar debates filosóficos e psicológicos também. 

Veja o filme e fica o convite para voltar aqui e comentar…

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Thays Babo é psicóloga, Mestre em Psicologia Clínica pela Puc-Rio e atende no Centro do Rio e em Copa, a jovens e adultos, individualmente ou como Terapeuta de Casal.

E aí – já assistiu à Divertida Mente?
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