Em 2009 e 2011, escrevi aqui sobre o Dia dos Namorados (links:  e http://www.analista.psc.br/blog/?p=918). No primeiro post , listei vários filmes românticos, para dar uma forcinha. Relatei também que nós, psis, ouvimos muitas queixas e frustrações amorosas ao longo do ano que aumentam proximidade deste dia. Nas redes sociais e também no mundo presencial – ruas, bares, academias, salões de beleza etc – tudo relembra o dia. Mesmo quem não quer ver, é impactado pelo recebimento de emails de promoção.

E quem se queixa? Não só quem não tem relacionamento: o dia 12 de junho pode ser incômodo até para quem está namorando e não comemora da forma – ou com quem – gostaria, por razões variadas.
A incerteza sobre se há algo – ou alguém – para comemorar também pode ser pior: ‘compro ou não compro um presente?’ Afinal, a data pode ser um divisor de água, definindo o tipo de relacionamento que se vive e antes não estava claro…

Eu sei, tu sabes, ele sabe, nós sabemos, todos sabem que a data foi criada com fins comerciais. Mesmo sabendo disto, muitas pessoas dão bastante importância a ela. E até pessoas contestadoras do sistema capitalista podem, eventualmente, ficar incomodadas pela sua condição econômica que não permita comprar algo para agradar seu par.

Tantas razões de incômodo se relacionam explicitamente com o que se vive nos outros 364 dias do ano. Tanto atinge quem não quer pensar sobre o estado amoroso em que se encontra como também pela condição econômica. Assim, aqui no Brasil, dia 12 de junho é uma data de celebração, da comemoração de estar com alguém com quem se quer estar.

Mas e se você não tem alguém com quem comemorar ou não pode comemorar, por motivo de trabalho, viagem ou outro qualquer – neste dia, o que fazer? “Deprimir”? Obviamente que cada um ‘reage’ de acordo com o seu estilo pessoal. Hoje em dia, está cada vez mais comum amigos que decidem justamente encontrar-se com outras pessoas também ‘soltas’, sem um compromisso chamado ‘namoro’. Tanto pode ser para não terem de lidar com a solidão – que lhes ativa algumas crenças de que não têm valor, que são fracassados ou não atraentes – como simplesmente para se divertir e celebrar que estão sós, sim, mas estão bem. Melhor do que ‘mal acompanhado’. Mas há também quem enverede por uma bad trip, tentando escapar dos próprios sentimentos de menos-valia e de pensamentos depreciativos através de drogas ou porres. Se este é seu caso ou conhece alguém assim, sugira que procure ajuda especializada. Quando o humor e bem estar dependem de estar com alguém, está na hora de se conhecer melhor – tanto para descobrir quem você é quanto para aprender como pode sobreviver (e bem) sem alguém do seu lado.

Aprendendo a valorizar-se e destacar o melhor de si, a pessoa pode se abrir para novas oportunidades, sem o constrangimento do desespero. Sim, porque, excesso de ansiedade em ter um vínculo amoroso ou depressão por não o ter costumam ser repelentes para relacionamentos saudáveis, causando justamente o oposto do que se deseja: afugentando possíveis parceiro/as equilibrados. Isto acaba reforçando um ciclo sem fim de crenças pessoais negativas.

Enfim, goste de si para poder ser ‘gostável’. Descubra o que você tem de melhor e destaque. O que tem de pior? Trabalhe nisto, dedique-se.

Em tempo: apesar desta foto ser um ícone, estes que se beijam nem era um casal. Beijaram-se casualmente, no final da 2a Guerra, na Times Square, por um impulso do marinheiro (maiores detalhes são facilmente encontrados na rede).

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Thays Babo é psicóloga e Mestre em Psicologia Clínica, associada da ATC-Rio. Atende no Centro.

E o Dia dos Namorados chegou. De novo.
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