Final de ano chegou, com todo o estresse típico da busca de presentes e dos preparativos para as ceias e encontros (ou desencontros) com a família. Não por acaso, temos de reconhecer que muita gente não curte esta época de “Festas” –  há quem gostaria de dormir dia 23 de dezembro e só acordar dia 2 de janeiro. E por que será que estas pessoas se deprimem? Por que não conseguem se juntar aos demais e só comemorar? Amigos e familiares muitas vezes não entendem e cobram presença. Rotulam quem prefere se manter à parte, o que acaba piorando o seu estado de humor.

ano novo

Existem várias razões para que algumas pessoas se sintam melancólicas nesta época do ano. Há quem, frente a frente com outras que consideram bem realizadas, avalie mal suas próprias conquistas, sentindo-se como se estivesse em desvantagem, comparativamente. Pode ser por não ter conseguido conquistar coisas materiais que simbolizam ‘sucesso’, por não estarem em um relacionamento bacana ou por ‘simplesmente’ não ter uma família carinhosa ou confortadora. Tais pensamentos de comparação trazem muitas vezes sentimentos autodepreciativos. Ou de culpa, por perceberem algum traço de inveja. Para outras pessoas, a época faz relembrar a partida de pessoas queridas. Olhando o passado, perdem o presente. 

No entanto, rituais de passagem são importantes – e os de final de ano também! Ao possibilitar – ou forçar  o balanço do ano, fica possível fazer um planejamento do próximo ano. Só reconhecendo o que não conseguimos realizar – e porquê – poderemos fazer um futuro melhor. Este é, pois, o primeiro passo: levantar o que planejamos e porque não realizamos, sem culpabilizar nem a si nem ao mundo. O segundo passo? Ver o que podemos fazer, o que tem nos impedido de atingir o que queremos.

Claro que nem sempre é fácil: há coisas que não dependem diretamente de nossa vontade. Reconhecer nossas dificuldades de virar páginas da nossa história pessoal, aceitar sem alimentar os pensamentos negativos (como, por exemplo, ‘o ano que vem vai ser igual ou pior’) e se comprometer com os valores pessoais para atingir seus objetivos é o caminho para mudar o jogo. Se você identifica que fica ruminando pensamentos que fazem você querer desistir de tudo, procure ajuda psicoterapêutica o quanto antes

Como diz a música, é preciso saber viver. Parece clichê dizer, mais uma vez,que o futuro depende das atitudes que tomamos no momento presente, como encaramos os fatos. Não estar com os pés no tempo de agora, no dia de hoje, nos tira o foco. Quando ‘vivemos’  no passado, relembrando cenas ou situações – dolorosas ou felizes, não importa – não percebemos, muitas vezes, o que temos hoje para desfrutar. Viver querendo antecipar, controlando por temer o futuro, ou ficar só sonhando, também nos impede de construir a vida que queremos, mais de acordo com nossos valores pessoais. 

E, se tudo isto estiver muito difícil pra você, busque ajuda profissional.  Há quem ache que os amigos dão conta. Não é verdade. A psicoterapia é diferente de uma ‘amizade’ – e tem de ser. Amigos querem ajudar mas muitas vezes não têm recursos ou distanciamento para realmente colaborar. Ou querem consolar e apenas mostrar ‘o lado bom das coisas’, sem entender que está difícil para você ‘pensar positivo’. E, vamos combinar: é muito difícil revelar nossos piores pensamentos a quem está muito próximo no dia a dia, por laços de amizade ou consanguíneos. Na psicoterapia, pode-se trazer à tona os pensamentos negativos e transmutá-los. Não por negação ou esquiva, mas porque trazendo à consciência fica muito mais fácil relativizar e aprender a lidar com eles. Às vezes, até aceitando. Mas não se deixando destruir por eles, deixando-os passar, sem alimentar. 

Em 2017, faça algo diferente. Experimente psicoterapia. 


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Thays Babo é Psicóloga Clínica, Mestre pela Puc-Rio, com formação em TCC pelo CPAF-RIO e extensão em Terapia de Aceitação e Compromisso pelo IPq (USP). Atende a jovens e adultos em terapia individual ou de casal, no Centro do Rio e em Copacabana 

Fim de ciclo – vamos aprender a viver?
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