2017 está chegando ao fim. Foi um ano particularmente difícil para o Brasil, impactando na vida pessoal da maior parte da população. Agora, as Festas vêm e com elas chega o estresse típico. 

Apesar de tantas alegrias, muita gente não fica bem nesta época. Há quem gostaria de dormir dia 23 de dezembro e só acordar dia 2 de janeiro. Os telefones do CVV não param. E por que será que tantas pessoas se deprimem? Por que não conseguem se juntar aos demais e só comemorar? Amigos e familiares muitas vezes não entendem e cobram presença. Rotulam quem prefere se manter à parte, o que acaba piorando o seu estado de humor.

Muitas  pessoas ficam melancólicas nesta época do ano por relembrarem as perdas e separações. Não ficam no momento presente – vão para o passado – e, com isto, não atentam para quem está agora a seu lado. Anseiam por quem partiu e, olhando o passado, perdem o presente. 

Há também quem, frente à frente com pessoas que consideram bem realizadas, avalie mal suas próprias conquistas. Ao se comparar, se sente em desvantagem – seja por não terem conseguido conquistar coisas materiais, que simbolizam ‘sucesso’, por não estarem em um relacionamento ou por ‘simplesmente’ não ter uma família carinhosa ou confortadora. Tais pensamentos de  comparação trazem muitas vezes sentimentos autodepreciativos. E, por vezes, de culpa, quando percebem algum traço de inveja. Assim, muitas pessoas se esquivam destes encontros. 

Mas, de perto, nenhuma família é 100% perfeita. Abandonos, abusos e maus-tratos são escondidos e viram um segredo de família, em todas as camadas sociais. Reunir todas as pessoas envolvidas pode causar bastante mal estar às ‘vítimas’, que não compartilham suas dores com os demais parentes. 

Posto isto, o que fazer neste período tão festivo? Rituais de  passagem são importantes – e também os de final de ano. É o encerramento do ciclo, que força um balanço para se planejar o próximo ano. Projetos projetos abandonados  podem ser retomados ou repensados. Também os que estão em andamento podem passar por uma avaliação: devem ser mantidos? Ao reconhecer o que não se conseguiu realizar – e porquê – pode-se viver melhor, comprometendo-se com o que realmente é valioso.

Deixando 2017 para trás, rumo a 2018

Deixando 2017 para trás, rumo a 2018

Este é, pois, o primeiro passo: levante o que planejou para 2017 e avalie porque não realizou. Não tente culpabilizar nem a si nem ao mundo. O segundo passo? Estabelecer metas reais e possíveis. O que impediu você de atingir o que se almejava deve ser considerado, também. Às vezes, as mudanças necessárias estão nas expectativas – inatingíveis, com prazos e recursos escassos. Claro que nem sempre é fácil aceitar, mas é importante perceber que há coisas que não dependem diretamente de nossa vontade. E, nas que dependem, é preciso empenho. “Ser feliz dá trabalho” (e é impermanente, sempre é bom lembrar). 

Reconhecer as dificuldades de virar páginas da nossa história pessoal, aceitar sem alimentar os pensamentos negativos e acima de tudo se comprometer com os valores pessoais para atingir sua meta é o caminho para mudar o jogo. Se você  percebe que fica ruminando pensamentos que fazem você querer desistir de tudo, procure ajuda psicoterapêutica o quanto antes. O relacionamento com as pessoas próximas também tem peso grande no bem estar e nas ações compromissadas com seus valores.  

Como diz a música, é preciso saber viver. Parece clichê dizer, mais uma vez, que o futuro depende das atitudes tomadas no momento presente. Não estar com os pés no tempo de agora, no dia de hoje, tira o foco e muitas vezes altera o humor.  Ao ‘viver’  no passado, relembrando cenas ou situações – dolorosas ou felizes, não importa – não se percebe, muitas vezes, o que se tem hoje para desfrutar. Viver querendo antecipar, controlando por temer o futuro, ou ficar só sonhando, também impede de construir a vida que se quer, de se comprometer com os valores pessoais.  

Há quem ache que ter amigos é o suficiente para ir em frente. Não é verdade. Mesmo os que têm disponibilidade afetiva podem não  ter distanciamento para realmente colaborar. Ou querem consolar e apenas mostrar ‘o lado bom das coisas‘, sem entender que está difícil para você ‘pensar positivo‘. Também é muito difícil revelar pensamentos negativos – às vezes até suicidas – a pessoas com quem se tem laços estreitos. Por isto, considere a possibilidade de buscar  ajuda psi. Na psicoterapia, os pensamentos negativos podem ser ditos, trazidos à tona para transformá-los. Não por negação ou esquiva, mas porque trazendo à consciência fica muito mais fácil relativizar e aprender a lidar com eles. Às vezes, até aceitando. Mas não se deixando destruir por eles, deixando-os passar, sem alimentar. 

Em 2018, faça algo diferente. Experimente psicoterapia. 
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Thays Babo é Psicóloga Clínica, Mestre pela Puc-Rio, com formação em TCC pelo CPAF-RIO e extensão em Terapia de Aceitação e Compromisso pelo IPq (USP). Atende a jovens e adultos em terapia individual ou de casal, no Centro do Rio e em Copacabana

O que esperar de 2018
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