O amor é uma das questões centrais na vida do ser humano. Porém, a pressão social para que as pessoas se fixem  em um relacionamento amoroso pode ser muito grande, como se isto fosse um atestado de ‘saúde mental’. A pressão aumenta próximo a datas como o dia dos Namorados, Natal etc. Por isto, muitas pessoas permanecem em relacionamentos, muitas vezes doentios, só para não estarem sozinhas. Há alguns anos, o título de uma peça chamava atenção: “Não sou feliz, mas tenho marido”.

Resumindo: muitas pessoas tomam o seu status como critério para definir se são ou não felizes… E de onde isto vem? Bem, nossa cultura popular decretou que ‘é impossível ser feliz sozinho‘, e muita gente – muita mesmo! – acreditou, pensando que o oposto de amor é estar só. Estar só quase sempre está sendo  confundido com tristeza, abandono, depressão. Com esta lógica, ‘estar só é estar triste‘. Ponto.

Tentar  definir o que é amor ou solidão seria um bocado pretensioso aqui, há milhares de livros sobre o assunto e nenhum é conclusivo. Se você não tem um relacionamento amoroso hoje e está mal com esta situação, fica o convite para algumas reflexões:

– Será que todas as vezes em que você estava em um relacionamento amoroso estava mais feliz do que hoje?

– O que impede você de ser feliz aqui e agora? Apenas uma parceria amorosa?

  • Pensando em um relacionamento anterior seu,, o que ele tinha de melhor? E por que acabou?

Dê-se conta de sua própria importância na construção da vida que você quer ter. Analise o seu momento presente, observe o que de bom você tem ou é hoje. Em todas as relações que temos com outras pessoas é importante que tenhamos, primeiramente o cuidado conosco mesmo. Autocuidado e autocompaixão. 

O amor é um aprendizado, que vai na contramão do que a mídia e a cultura popular vêm dizendo ao longo dos anos. Muitas vezes, os modelos que recebemos – tanto em casa quanto na cultura popular, artes e mídia – nos fazem dificultar tudo. Alimentamos crenças surreais, idealizamos seguindo modelos hollywoodianos e, com isto, criando expectativas muito dificilmente atendidas. Com a frustração, a pessoa por vezes se descontrola. Ou se decepciona. 

Observe-se. Veja a sua responsabilidade em como o seu relacionamento se estabeleceu, avalie se a comunicação anda boa  e, se achar que precisa, procure ajuda psi.

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Thays Babo é Mestre em Psicologia Clínica pela Puc-Rio, na linha de Família e Casal, tendo formação em TCC pelo CPAF. Mais recentemente, vem trabalhando com com a Terapia de Aceitação e Compromisso. Atende a jovens e adultos no Centro (Rio).

Reflexões sobre namoros e solitude
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