Nos consultórios de psicologia,  as queixas sobre falta de tempo aumentam a cada dia. Muito se tem atribuído ao uso excessivo de tecnologia cuja proposta era, inicialmente, nos liberar para tarefas mais nobres. Na prática, isto  não aconteceu. Assumimos novas funções e somos encontrados 24 horas por dia, se não dermos limites, se não desconectarmos. E

Cada dia continua tendo 24 horas, cada uma com 60 minutos. Pesquisadores da área da saúde física e mental alertam sobre os prejuízos do uso excessivo da tecnologia digital, em especial sobre o impacto dos aplicativos e redes sociais. A memória, concentração, o aprendizado e a  atenção plena ficam prejudicados. As descobertas mais recentes da neurociência mostram que o ser humano deve ser monotarefa e não multitarefa (o que é ótimo – a curto prazo – para as corporações, mas não para as pessoas). Ser multitarefa pode, inclusive, prejudicar a qualidade da execução da tarefa propriamente dita e colocar a vida em risco (como dirigir ou operar máquinas enquanto se usa o celular, por exemplo). Em termos profissionais, com o prejuízo físico, os prazos não são cumpridos,  prejudicando o trabalho (inclusive de equipes) e atrapalhando a ascensão profissional. 

A fim de  controlar a produtividade, no início do uso da internet, muitas empresas limitavam ou monitoravam  o tempo de acesso às redes e sites de busca. O smartphone sabotou este controle corporativo e o  prejuízo não se restringe às empresas: , quem não atinge suas  metas pessoais, ao se darem  conta da própria responsabilidade neste processo, sente culpa, raiva, frustração e pode até deprimir. O bem estar pessoal diminui. 

Além do impacto na esfera profissional, relacionamentos  amorosos e familiares também são prejudicados, pelo uso excessivo do celular, queixa que muitos casais trazem  para a terapia de casal.  Quem usa em excesso deixa seu par de lado, reduzindo um tempo importante de compartilhamento de coisas do dia a dia, de aspirações, projetos –  ou mesmo que se poderia dedicar à maior  interação física, ao toque e a sexualidade – ingredientes importantes para uma relação amorosa. 

Pessoas já nascidas na era digital perderam algumas experiências importantes, de relacionamento interpessoal, e algumas habilidades sociais. E estas perdas acabam colaborando para o aumento de transtornos como depressão e ansiedade, por exemplo. Alguns consultores de tecnologia apontam dicas para que se minimizem os problemas mentais, principalmente entre os jovens. Já foi comprovado que a mera presença do smartphone no ambiente atrapalha a concentração e distrai. Se isto acontece durante  encontros com a família, as interações  diminuem e a comida fica menos saborosa. Especialistas dizem que só a vibração já perturba e que sons de alerta para notificações tornam a pessoa ainda mais distraída. Médicos pediatras também apontam que crianças muito pequenas são prejudicadas, mais do que beneficiadas, com o uso da tecnologia, prejudicando o desenvolvimento cognitivo. 

 A indústria, percebendo estes conflitos, criou um  nicho de aparelhos ‘alternativos’, na contramão dos mais modernos e conectados: os  “dumb phones“. Sem tantos aplicativos e recursos, dispersa-se menos. O público alvo? Pessoas saturadas de tanta tecnologia e irritadas com a interferência do celular na sua vida cotidiana.

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Heavy users  fizeram com que o designer Marc Jacobs radicalizasse, ao  bloquear o uso de celulares  em seus desfiles, por considerar falta de respeito a forma com que tem sido usado. Questões éticas à parte, como se pode diminuir o tempo desperdiçado nas redes sociais, em especial?

Especialistas sugerem uma atitude radical: deletar os aplicativos do celular . Em uma palestra TED, Rory Vaden questiona o conceito de gestão de tempo e, de forma clara e direta, explica que mais do que gerenciar tempo se trata mesmo é de  administrar suas emoções para usar bem o tempo que se dispõe, para não se lamentar depois pelo desperdício. Nas suas criticas às ferramentas de gestão no tempo, Vaden afirma que o foco tem de ser na autogestão.  Aprender a dizer ‘não‘ – a si mesmo/a, adiando o prazer e diminuindo a esquiva das tarefas enfadonhas. Filtrar  o que se tem a  fazer deve ser o foco. E sugere que se exclua o que não se precisar fazer mesmo. Aplicativos de autogestão de tempo também podem ajudar (como o Space).  

A autogestão, o dizer ‘não’,  saber filtrar, não é fácil para a maioria das pessoas. Depende menos de argumentos racionais e lógicos e mais da emoção. Se você tem dificuldade de reduzir o tempo que passa online – seja nas redes sociais, aplicativos ou jogos, procure ajuda  especializada. Entenda o que você evita, o impacto de suas escolhas e, se já afeta você, negativamente, procure ajuda psi. Faça psicoterapia.

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Thays Babo é Psicóloga Clínica, Mestre pela Puc-Rio, com formação em TCC e extensão em Terapia de Aceitação e Compromisso pelo IPq (USP). Atende a jovens e adultos em terapia individual, de casal e pré-matrimonial,  em Copacabana.

Smartphones – como gerir melhor o seu uso (e suas emoções)
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