O cuidado preventivo com a saúde mental ainda é raro no Brasil, restrito muitas vezes às classes mais altas. A pandemia de coronavírus, porém, fez com que cada vez mais pessoas procurassem ajuda psi. Se o Brasil já era o país mais ansioso do mundo, segundo a OMS, o quadro piorou a partir de março de 2020, com o surgimento da covid.

A depressão cresceu também. Muitas vidas foram perdidas e estamos tendo de lidar com crises em várias áreas da vida .

Esta resistência em cuidar da saúde mental também tem a ver com preconceito – a chamada psicofobia. A ABP – Associação Brasileira de Psiquiatria – tenta combater o estigma contra o portador de doença mental.

Preconceito – psicofobia

Por causa do estigma, muitas pessoas que deveriam procurar ajuda psi não o fazem. Acham que se tem família, religião ou um relacionamento amoroso conseguirão superar. Mas muitas vezes não é assim. O sofrimento mental pode se tornar insuportável e limitar a vida.

Você sabe o que é psicofobia?

Não tratar não cura. Não querer saber o que se tem, não ajuda. Pelo contrário, pode agravar o quadro e prejudicar o desenvolvimento. A autoestima e a autoconfiança podem ficar comprometidas por toda a vida.

Crianças e adolescentes também podem adoecer

Pais e mães relutam, muitas vezes em reconhecer uma dificuldade do seu filho ou filha. Muito se atribui de “responsabilidade” aos cuidadores no problema de uma criança ou adolescente. Mas temos de lembrar que se tornar pai ou mãe não torna imediatamente alguém a apto a cuidar e lidar com seus próprios limites. Por isto, muitos só buscarão ajuda psi quando a escola ou algum/a médico fizer encaminhamento.

A psicofobia também se estende aos profissionais da saúde mental, como psiquiatras ou psicólogxs. Outros especialistas são consultados (como clínicos ou neurologistas, dentre outros), para evitar o rótulo e não se sentirem “malucas”. 

Mais arriscado ainda é quando acaba confiando apenas em tratamentos alternativos e espirituais, esperando que a questão se resolva magicamente.

A doença mental, se tratada, leva a uma vida mais realizada

Existem fatores, que você não controla, como a hereditariedade. Se há pessoas na sua família que sofrem de algum transtorno mental, como ansiedade ou depressão, bipolaridade e outros, as chances de você também ter algum aumentam.

Mas há outros fatores externos, como o ambiente de trabalho, a situação mundial, dentre outros..

Para evitar o aparecimento de uma doença mental – ou mantê-la sob controle – é importante saber diferenciar o quanto o seu estilo de vida, e hábitos contribuem. Se você cuida de uma depressão, tende a sair mais fácil, e forte dela. Tratamentos podem ter um tempo limitado, sob a supervisão de um profissional qualificado.

Cuidados com a sua saúde mental

Ter uma alimentação balanceada, praticar atividades físicas e meditação, dormir bem, ter uma rede de amigos e fazer psicoterapia pode melhorar muito sua saúde mental. Mas eventualmente será necessário entrar com medicação. Se você tem medo, converse com seu/sua psi, e abra o seu coração. Fale das suas dúvidas.

Alguns exemplos de pessoas famosas que sofrem de doenças mentais são são a cantora Pink e o nadador Michael Phelps. Maior medalhista da história dos Jogos Olímpicos, Phelps seengajou em campanhas de esclarecimento sobre a necessidade do cuidado com a saúde mental, tornando-se garoto propaganda de uma plataforma de atendimento psicoterápico online (para celular e web).

A ex-primeira dama americana, Michelle Obama, revelou que ela e Obama já recorreram à terapia de casal. Da mesma forma, ainda que pareça surpreendente, profissionais da saúde mental também precisam de cuidados.

Ou seja, ninguém é imune. Qualquer pessoa pode precisar de atendimento psicológico ou psiquiátrico. Não é demérito. E sempre será melhor (e mais barato) prevenir do que remediar.

Aumento de suicídios

Em 2016, a família real britânica lançou uma campanha sobre a importância de cuidar da saúde mental (hashtag #headstogether). Os príncipes falam das respectivas experiências pessoais. Em janeiro de 2019, o príncipe Williams falou mais sobre o assunto no Forum Econômico Mundial de Davo.


O duque e a duquesa de Cambridge e o Príncipe Harry no lançamento da campanha Heads Together – abril de 2016, Londres. Foto de Nicky Sims em Getty Images

Depoimentos de pessoas que têm destaque e sucesso ajudam a combater o preconceito.

Em 2018, dois suicídios causaram espanto em todo o mundo: o de Anthony Bourdin (chef americano, escritor e apresentador) e o da estilista Kate Spader. Muitos casos não são divulgados por causa do estigma que envolve este ato.

Durante a pandemia de coronavírus, houve um aumento no número dos suicídios. Há outros fatores também que contribuem para isto.

Medicação – será mesmo necessário?

O pavor da prescrição de medicamentos psiquiátricos afasta muita gente dos consultórios dos profissionais de saúde mental.

Em primeiro lugar, é importante esclarecer que a prescrição de medicamentos cabe apenas a quem se graduou em Medicina. No caso dos remédios psiquiátricos, o ideal é buscar quem tenha esta especialidade, mas, por preconceito, pessoas pedem receitas para profissionais das mais diversas especialidades.

Resistir à ideia de tomar uma medicação pode ser tema de algumas sessões de psicoterapia. Há uma resistência, por preconceito ou por medo de ter de tomar remédio ‘para sempre’. O medo dos efeitos colaterais também pesa. Muitas pessoas desconhecem que o uso do remédio pode ser temporário, dependendo do caso.

Ao continuar o acompanhamento psi,  a medicação pode ser ajustada, reduzida, ou até suspensa depois de um tempo, com a orientação do/a psiquiatra. Mas a adesão ao tratamento é fundamental, bem como mantê-lo durante o tempo determinado, não parando de repente, sem acompanhamento médico.

Quando não é necessário medicar?

Nem tudo precisa ser medicado. É preciso saber distinguir.

Não existe um remédio para tristeza, emoção absolutamente normal quando perdemos alguém, ou alguma coisa valiosa. Também é natural quando adoecemos. Algumas dores são importantes de serem sentidas – por mais que isto possa parecer “masoquista”. Elas podem mesmo fortalecer. Desenvolver resiliência.

Sendo também uma pequena ansiedade, que não paralise, que você consiga suportar, talvez não seja necessário também.

Um critério diagnóstico costuma ser o tempo que os sintomas duram. E também o quanto eles impedem as atividades, restringem a vida da pessoa.

Aceitação

Uma das condições para uma vida mais plena – ou mais “feliz” – é desenvolver aceitação. Aceitação dos fatos da vida e, inclusive que, em alguma medida, a pessoa poderá ter uma tendência a ser ansiosa. E tudo bem.

Aceitação é, no entanto, muito  diferente de resignação. A conhecida Oração da Serenidade se assemelha aos pressupostos da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT, em inglês), sendo um pedido sábio para obter a “serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar aquelas que posso, e sabedoria para distinguir umas das outras”.  

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Thays Babo  atende em Copacabana (e também on-line), a jovens e adultos em terapia individual, terapia de casal e pré-matrimonial.

Mestre em Psicologia Clínica, pela Puc-Rio, tem formação em TCC, extensão em Terapia de Aceitação e Compromisso pelo IPq (USP) e é associada à ACBS (Association for Contextual Behavioral Science). Concluiu a formação em Terapia do Esquema na Wainer Psicologia. Terapia individual e de casal, atendimento presencial em Copacabana e online 

Saúde mental – não descuide da sua
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