500 dias com ela (500 days of Summer) é um filme que questiona dois grandes estereótipos: 1)TODAS as mulheres querem porque querem compromisso sério, senão surtam (lembra de Ele simplesmente não está a fim de você? Se não lembra, veja o post aqui ) e 2) que os homens fogem SEMPRE de qualquer relacionamento mais sério, a princípio.  Porém, nenhum dos dois comportamentos pode  ser generalizado. Algumas variáveis sócio-econômicas  interferem:  idade, escolaridade, classe social, contexto familiar e às vezes a religião.

Mulheres cosmopolitas sofrem cobranças diferentes das que mulheres interioranas sofrem. Nas grandes metrópoles, podem ser protegidas pelo anonimato e viver de forma mais tranquila no celibato.  Em 500 dias a jovem Summer,  descolada,  não tem pressa em assumir nenhum compromisso. Vive bem sua liberdade e parece não acreditar em compromisso, debochando do que é paixão.  Summer racionaliza os sentimentos. E não se preocupa com rótulos, para desespero de Tom, rapaz basicamente romântico, que vive de escrever frases para cartões comemorativos. É interessante esta ‘troca’: quando Summer fala, parece um homem (estereotipado). Tom sofre como uma mulher (estereotipada também), querendo segurança e garantia. Depois do trailer, vem spoiler. 

Apesar de, à primeira vista, Summer não querer relacionamento nenhum,  ao final parece muito  igual às mulheres tradicionais. Rende-se ao compromisso, selado com um brilhante. Foi muito mais rápida do que se poderia prever a partir da sua fala. Tom fica arrasado ao descobrir que, na verdade, ela não queria ser definida como namorada dele. Mas não dá pra ter raiva de Summer, que não mentiu. Desde o início, dizia que não queria rótulos, que achava Tom interessante, mas  nunca quis definir como namoro. Com todo mundo acontece começar um relacionamento sem intenções esperando – ou não – se apaixonar no meio do caminho. Ambos apostaram nisto, mas, enquanto ela não tinha pressa de descobrir nem definir nada, Tom precisava desta confirmação. É interessante ver o desespero dele. Até o 500o dia.

Summer foi generosa ao procurá-lo para dar uma explicação, libertando-o  para uma nova tentativa amorosa. Tom pode fazer um fechamento,  visualizar o fim. Esta atitude dela mostrou que já estava mais amadurecida, sabendo o quanto esta conversa poderia libertá-lo.  

O filme é então uma excelente opção para discutir estereótipos de gênero, relacionamentos contemporâneos e também o luto amoroso. 

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Thays Babo  é psicóloga, Mestre em Psicologia Clínica pela Puc-Rio, com formação em TCC e extensão em ACT (terapia de Aceitação e Compromisso). Atende em Copacabana e no Centro do Rio, a jovens, adultos e idosos, com terapia individual, de casal e pré-matrimonial.

E o amor é lindo…

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