Um método perigoso, filme dirigido por David Cronenberg, tem como mérito ajudar grande parte dos espectadores a conhecer um pouco mais o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung. Mesmo tendo se passado pouco mais de um século da publicação de seus primeiros escritos, ainda há muita confusão ainda sobre o papel de Jung na História da Psicologia.

Grande parte do filme gira em torno de um relacionamento amoroso de Jung, significativo porém bastante controverso (detalhes mais à frente, depois do trailer – como sempre, só recomendo que veja se não quiser perder o fator surpresa). Este mesmo relacionamento, com uma ex-paciente, já tinha sido abordado em Jornada da Alma, porém, no antecessor, com maior foco em cima dela: Sabina Spielrein, que se tornou mais tarde uma das primeiras psicanalistas. A seguir, o trailer de Jornada da Alma (infelizmente, com legendas em francês):





Um método … também aborda o embate entre Freud e Jung, a discordância entre ambos em vários assuntos fundamentais na criação da Psicanálise, narrada em alguns capítulos da autobiografia de Jung (Memórias, sonhos, reflexões). Freud admirava Jung e esperava que ele viesse a ser seu ‘príncipe herdeiro’, dando continuidade à sua obra. Por não ser judeu e ter uma boa entrada no meio acadêmico, Jung seria fundamental para Freud – porém, ao ‘renunciar’ ao posto de herdeiro, nunca mais tiveram um relacionamento cordato ou de amizade.





Os cursos de graduação de Psicologia – no Rio de Janeiro, pelo menos – não dão muito espaço à Psicologia Junguiana e com isto algumas ‘inverdades’ ainda se mantêm como ‘verdades absolutas’. Há ainda quem classifique Jung apenas como psicanalista, ignorando sua contribuição com importantes conceitos para a psicologia; fundando inclusive a Psicologia Analítica. Os mais radicais se alinham a Freud, que o considerou um um traidor – por ter rompido com seu projeto de continuidade. Uma das principais divergências entre os dois era a ênfase que Freud colocava na sexualidade, desconsiderando outros aspectos relevantes – como, por exemplo, a religiosidade.

Então, o filme deve ser visto pelo seu aspecto histórico, por retratar bem o momento inicial da Psicanálise e da Psicologia Analitica, abordagens que mudaram a forma de ver o mundo. Desmitifica um bocado a figura de Jung – apesar de provavelmente ser um pouco reducionista. O meio junguiano pode voltar-se a discutir questões éticas, porém , o primordial é conseguirem enxergar Jung como humano, simplesmente.

E você? Assistiu ao filme? Ou a ambos? Deixe sua opinião: basta clicar no título para abrir a caixinha de comentários, aqui embaixo.

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Thays Babo é psicóloga e atende no Centro do Rio.

Jung
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