Até a pandemia, em 2020, muita gente achava que não precisaria procurar psicoterapia, nunca. Mas, desde então, muita coisa mudou. A saúde mental virou um recurso importante para enfrentar o confinamento. Assim, mais gente se pergunta, afinal, “quando devo procurar psicoterapia?“
Talvez, antes de nos perguntarmos “quando”, devêssemos nos perguntar “por que não fazer psicoterapia?”. Ou “por que agora a psicoterapia vai me ajudar?”. É preciso, pois, repensar algumas das crenças negativas sobre psicoterapia que ainda persistem. Como, por exemplo:
- Terapia é pra gente ‘maluca’, ‘problemática’ – eu dou conta!
- Terapia é para quem não tem amigos
- Terapia é para quem não tem Deus no coração
- Terapia é coisa de gente rica ou fresca
Quem pensa assim, não supera os preconceitos que levariam ao passo seguinte: procurar ajuda profissional. Há quem até busque indicação de vários profissionais. Mas, não faz contato, a não ser quando a situação já está insuportável. E começar a psicoterapia nestas condições é muito arriscado.
Sinceramente, se fosse possível TODA E QUALQUER PESSOA deveria, pelo menos por um tempo em sua vida, passar por um processo psicoterapêutico.
Como sou psicóloga, você pode estar pensando que digo isto em causa própria. Obviamente sabemos que existem questões sociais e financeiras que inviabilizam o processo para boa parte da população. Mas, estou falando de um mundo mais justo.
Contudo, sabemos que nem todo mundo que não faz psicoterapia tem dificuldades financeiras. E por que não fazem?
Porque se assustam com a ideia de encarar o que não agrada em si mesmos. Em suma: é importante ter uma intenção: para que fazer psicoterapia?
Razões para buscar psicoterapia
Existem inúmeras razões, como por exemplo:
- Autoconhecimento;
- Aprender autocontrole (regulação emocional);
- Tratamento de fobias;
- Superação de traumas;
- Treinamento de habilidades sociais;
- Para melhorar o relacionamento amoroso – terapia individual, de casal ou pré-matrimonial;
- Para lidar melhor com filho(a)s – orientação parental;
- Para (re)definir a trajetória profissional – orientação vocacional ou profissional;
- Por ter recebido algum encaminhamento – médico, judicial, da escola;
- Para atravessar o luto e/ou divórcio;
- e várias outras razões…
A psicoterapia pode ajudar você a ter uma vida mais plena e satisfatória, compatível com seus valores.Contudo, você precisa se comprometer com o processo. E isto significa que você precisa se organizar para estar nas sessões no local e horário combinados.

Uma das principais razões: a saúde mental pós-pandemia
A pandemia foi um marco histórico. A busca por ajuda profissionais da saúde mental aumentou, já que tudo mudou, teve de ser revisto: rotina, forma de trabalho, relacionamentos. Além disto, muitos planos pessoais e profissionais foram adiados ou cancelados.
Com isto, se antes o Brasil já era o país mais ansioso do mundo, o quadro da saúde mental só piorou.
Para tentar lidar com a situação, o consumo de álcool e remédios para dormir aumentou bastante. A pressão por equilibrar e conciliar a vida doméstica e a profissional é grande. Trabalha-se muito mais remotamente agora. Algumas empresas não voltaram ao trabalho presencial.
E, apesar das vantagens do home office (como o tempo gasto em transporte anteriormente), perde-se bastante no convívio social. Além disto, o uso das telas tem causado o que psiquiatras chamaram fadiga do Zoom. Burnout, aumento de ansiedade e depressão também aumentaram. Em suma, razões para cuidar da saúde mental e emocional não nos faltam.
Como escolher
É natural ficar em dúvida sobre a escolha um(a) psicoterapeuta. E também é importante saber que a(o) psi que melhor atende você não é a(o) melhor para todos. Alguns critérios considerados são:
- Empatia – o vínculo terapêutico é um fator importante para o sucesso do processo; Abordagem teórica;
- Indicação de pessoas conhecidas ou de outros profissionais de saúde;
- Redes sociais (critério bem arriscado, já que não garante a competência ou ética)
- Valor ou ser do plano de saúde
- Proximidade de casa/trabalho
- Disponibilidade de agenda
- Valor da terapia
Abaixo, sete critérios sugeridos para facilitar a escolha, segundo o Crisis & Trauma Resource Institute, com adaptações para a realidade no Brasil.
– Pense no tipo de ajuda profissional que você quer
- Para quê você busca psicoterapia agora? Há uma questão específica? Ou para um autoconhecimento a longo prazo, sem pressa?
- É importante saber se sentiria mais à vontade com um homem ou uma mulher como terapeuta. A psicoterapia pode ser individual, de casal, pré-matrimonial ou familiar…
– Peça recomendações
- Se alguém que você conhece faz ou fez psicoterapia, ou é da área de saúde mental, peça indicação.
- E, se a pessoa indicada não puder, por algum motivo, atender você – ou não servir ao tipo de terapia de que você precisa, pode indicar outra que possa atender melhor às suas necessidades.
Não desista fácil.
– Cheque referências locais
- Se você não tem recomendações, busque na internet, mas com ressalvas. Leia sobre o(a) profissional, procure ler o que publicou para conhecer melhor a sua linha de trabalho. Não se prenda apenas a uma boa apresentação – o marketing pode ser ótimo mas o(a) profissional psi não.
– Contate diretamente o(a) psi que você escolher
- Algumas pessoas param nesta fase. Pegam a indicação e passam-se dias, semanas, anos até. Mas lembre-se: sua vida está indo em frente. Profissionais são formados e treinados para ajudar pessoas que tenham passado por vários tipos de problemas.
- Hoje em dia, existem vários recursos além do telefone. Um primeiro contato pode ser por e-mail ou whatsapp, mas se você puder falar por voz já perceberá se como a conversa flui. Já pode ter uma noção do estilo do(a) psi.
– Entrevista
- Com várias indicações, você pode ficar em dúvida. Marque entrevistas com os profissionais indicados. Observe se você se sente à vontade para se expor.
- Você tem o direito de perguntar sobre o método de trabalho e avaliar se a parceria pode ser boa. Procure saber se o(a) psi trabalhou com questões semelhantes às suas e se sente confortável ou tem expertise para trabalhar a situação que faz você procurar psicoterapia.
- Agende pelo menos uma entrevista para saber se quer estabelecer o vínculo psicoterapêutico com o/a profissional contactado/a.
– Use sua intuição
- Ela é importante para um bom rendimento da terapia. Avalie o quanto se sentiu à vontade para falar do seu problema. Considere desde o contato por telefone até a entrevista – online ou presencial.
- A empatia é fundamental. Psis super conceituados academicamente não necessariamente são empáticos. Se você não se sente à vontade, o horário da consulta tende a se tornar aversivo. Em pouco tempo talvez você não tenha vontade de ir às sessões. Ou seja: não basta um bom currículo. Acolhimento conta bastante.
– Autoobservação e expressão das emoções
Caso você não se sinta à vontade, durante a entrevista, seria muito bom que você conseguisse expressar isto, dizendo as reais razões. Até porque, pode ser algo contornável. Caso não seja, ele(a) pode encaminhar a outro(a) profissional, que se adeque melhor ao seu perfil e necessidades.
Então, dê um passo à frente, em direção a uma vida mais plena de significados. Comece a sua psicoterapia, invista no seu autoconhecimento. Se tem alguma dúvida, pode me contactar.
_____________________
Thays Babo é Mestre em Psicologia Clínica pela Puc-Rio, na linha de Família e Casal. Tem formação em TCC, pelo CPAF, e em Terapia do Esquema (Wainer Psicologia) e Integra estas duas abordagens à Terapia de Aceitação e Compromisso. Atualmente em formação em TSU (Terapia de Sessão Única)
Atende a jovens e adultos, em terapia individual, pré-matrimonial ou de casal.
