Até a pandemia, muita gente acreditava que não precisaria procurar psicoterapia, nunca. Porém, muita coisa mudou de lá pra cá e se percebeu que não há saúde sem saúde mental. Algumas pessoas que ainda resistem, se perguntam: “quando devo procurar psicoterapia?“
Mais importante do que o “quando” talvez seja o “para quê?”. Ou “como a psicoterapia vai me ajudar?”.
Para responder é preciso preciso, pois, avaliar algumas das crenças negativas sobre psicoterapia que ainda persistem. Como, por exemplo:
- Terapia é pra gente ‘maluca’, ‘problemática’ – eu dou conta!
- Terapia é para quem não tem amigos
- Terapia é para quem não tem Deus no coração
- Terapia é coisa de gente rica
Tais crenças revelam o quanto a desinformação e preconceitos ainda existem na era digital.
Indicações de profissionais
Há quem até busque indicação de vários profissionais. Mas, não faz contato, a não ser quando a situação já está insuportável. E começar a psicoterapia nestas condições pode levar a uma má escolha. É importante ter uma entrevista para saber se há empatia com quem vai atender você. E o(a) profissional deve explicar a forma de trabalho e esclarecer as dúvidas de quem busca a ajuda..
Sinceramente, se fosse possível TODA E QUALQUER PESSOA deveria, pelo menos por um tempo em sua vida, passar por um processo psicoterapêutico. Aprenderia a se conhecer melhor, desenvolver autocompaixão e flexibilidade também.
Como sou psicóloga, você pode estar pensando que digo isto em causa própria. Obviamente sabemos que existem questões sociais e financeiras que inviabilizam o processo para boa parte da população. Mas, estou falando de um mundo mais justo.
Sabemos também que nem sempre a razão de não faz psicoterapia se relaciona a dificuldades financeiras. E por que não fazem?
Porque se assustam com a ideia de encarar o que não agrada em si mesmos. Em suma: é importante ter uma intenção: para que fazer psicoterapia?
Razões para buscar psicoterapia
Existem inúmeras razões, como por exemplo:
- Autoconhecimento;
- Aprender autocontrole (regulação emocional);
- Tratamento de fobias;
- Superação de traumas;
- Treinamento de habilidades sociais, incluindo as de comunicação;
- Para melhorar o relacionamento amoroso – terapia individual, de casal ou pré-matrimonial;
- Para lidar melhor com filho(a)s – orientação parental;
- Para (re)definir a trajetória profissional – orientação vocacional ou profissional;
- Por ter recebido algum encaminhamento – médico, judicial, da escola;
- Para atravessar o luto e/ou divórcio;
- e várias outras razões…
Resumindo, a psicoterapia pode ajudar você a ter uma vida mais plena e satisfatória, compatível com seus valores.
Contudo, você precisa se comprometer com o processo: se organizar para estar nas sessões no local e horário combinados, fazer tarefas caso o(a) psi proponha alguma. ]
E, caso opte pela modalidade online, estar conectado no horário combinado ou avisar em caso de faltas ou atrasos.

E, caso opte pela modalidade online, estar conectado no horário combinado ou avisar em caso de faltas ou atrasos.
Uma das principais razões: a saúde mental pós-pandemia
A pandemia foi um marco histórico. A busca por ajuda profissionais da saúde mental aumentou, já que tudo mudou, teve de ser revisto: rotina, forma de trabalho, relacionamentos. Além disto, muitos planos pessoais e profissionais foram adiados ou cancelados.
Com isto, se antes o Brasil já era o país mais ansioso do mundo, o quadro da saúde mental só piorou.
Para tentar lidar com a situação, o consumo de álcool e remédios para dormir aumentou bastante.
A pressão por equilibrar e conciliar a vida doméstica e a profissional é grande. Algumas empresas ainda não voltaram ao trabalho presencial ou adotaram o sistema híbrido.
O home office trouxe várias vantagens, como o tempo gasto em deslocamento. Mas, perde-se bastante o convívio social.
Além disto, o uso das telas tem causado o que psiquiatras chamaram fadiga do Zoom. Burnout, aumento de ansiedade e depressão também aumentaram. Fora a ausência de regras claras sobre o horário em que a chefia pode (ou melhor, deve) mandar email.
Em suma, tantas mudanças são razão suficiente para cuidar da saúde mental .
Como escolher
É natural ficar em dúvida sobre a escolha de um(a) psicoterapeuta. E também é importante saber que a(o) psi que melhor atende você não é a(o) melhor para todos. Alguns critérios que podem ser considerados são:
- Empatia – o vínculo terapêutico é um fator importante para o sucesso do processo;
- Abordagem teórica;
- Indicação de pessoas conhecidas ou de outros profissionais de saúde;
- Presença nas redes sociais (critério bem arriscado, já que não garante a competência ou ética)
- Valor da consulta
- Proximidade de casa/trabalho
- Disponibilidade de agenda
Abaixo, sete critérios sugeridos para facilitar a escolha, segundo o Crisis & Trauma Resource Institute, com adaptações para a realidade no Brasil.
– Pense no tipo de ajuda profissional que você quer
- Para quê você busca psicoterapia agora? Há uma questão específica? Ou para um autoconhecimento a longo prazo, sem pressa?
- Pergunte-se: você se sentiria mais à vontade com um homem ou uma mulher como terapeuta? A psicoterapia pode ser individual, de casal, pré-matrimonial ou familiar…
– Peça recomendações
- Se alguém que você conhece faz ou fez psicoterapia, ou é da área de saúde mental, peça indicação.
- E, se a pessoa indicada não puder, por algum motivo, atender você – ou não servir ao tipo de terapia de que você precisa, pode indicar outra que possa atender melhor às suas necessidades.
Não desista fácil.
– Cheque referências locais
- Se você não tem recomendações, busque na internet. Mas com cuidado. Leia sobre o(a) profissional, procure ler o que publicou para conhecer melhor a sua linha de trabalho. Não se prenda apenas a uma boa apresentação – o marketing pode ser ótimo mas o(a) profissional psi não.
– Contate diretamente o(a) psi que você escolher
- Algumas pessoas param nesta fase. Pegam a indicação e passam-se dias, semanas, anos até. Mas lembre-se: sua vida está indo em frente. Profissionais são formados e treinados para ajudar pessoas que tenham passado por vários tipos de problemas.
- Hoje em dia, existem vários recursos além do telefone. Um primeiro contato pode ser por e-mail ou whatsapp, mas se você puder falar por voz já perceberá se como a conversa flui. Já pode ter uma noção do estilo do(a) psi.
– Entrevista
- Com várias indicações, você pode ficar em dúvida. Marque entrevistas ou pequenas conversas com os profissionais indicados. Verifique antes se a entrevista é cobrada e quanto tempo dura. Observe se você se sente à vontade para se expor.
- Você tem o direito de perguntar sobre o método de trabalho e avaliar se a parceria pode ser boa. Procure saber se o(a) psi trabalhou com questões semelhantes às suas e se sente confortável ou tem expertise para trabalhar a situação que faz você procurar psicoterapia.
- Agende pelo menos uma entrevista para saber se quer estabelecer o vínculo psicoterapêutico com o(a) profissional contactado/a.
– Use sua intuição
- Ela é importante para um bom rendimento da terapia. Avalie o quanto se sentiu à vontade para falar do seu problema. Considere desde o contato por telefone até a entrevista – online ou presencial.
- A empatia é fundamental. Psis super conceituados academicamente não necessariamente são empáticos. Se você não se sente à vontade, o horário da consulta tende a se tornar aversivo. Em pouco tempo talvez você não tenha vontade de ir às sessões. Ou seja: não basta um bom currículo. Acolhimento conta bastante.
– Autoobservação e expressão das emoções
Caso você não se sinta à vontade, durante a entrevista, seria muito bom que você conseguisse expressar isto, dizendo as reais razões. Até porque, pode ser algo contornável. Caso não seja, ele(a) pode encaminhar você para outro(a) profissional, que se adeque melhor ao seu perfil e necessidades.
Então, dê um passo à frente, em direção a uma vida mais plena de significados. Comece a sua psicoterapia, invista no seu autoconhecimento. Se tem alguma dúvida, pode me contactar.
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Thays Babo (CRP 08/48563) – Mestre em Psicologia Clínica pela Puc-Rio, com formação em Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) pelo CPAF-RIO e extensão em Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) pelo IPq (USP). Formada em Terapia do Esquema na Wainer Psicologia, em Terapia de Casal nas Abordagens Contextuais (Atitude). Atualmente, faz formação em TSU (Terapia de Sessão Única) e capacitação em atendimento a neurodivergentes.
Coautora de dois livros: Relacionamentos Amorosos na Era Digital e A Escola e as Competências Socioemocionais na Educação.
Atende online e presencialmente, em Curitiba, a jovens e adultos, nas modalidades de terapia individual, pré-matrimonial ou de casal.
