Matéria  disponível no site Yahoo relata e questiona a existência de terapeutas que ainda acreditam que a homo e a bissexualidade sejam doenças. A pesquisa mencionada foi feita na Inglaterra. Se ainda encontramos este tipo de preconceito entre os psis e médicos britânicos, dá para imaginar a extensão e gravidade disto no Brasil, país em que a religiosidade tem um papel de ‘regulamentar’ a sexualidade.


Particularmente, acho que a chamada do Yahoo foi ‘bombástica’, para chamar a atenção – e principalmente dos homófobos. Ao ler a pesquisa, percebe-se o tom crítico e que esta postura dos médicos e terapeutas de lá não é um consenso – é mais uma desinformação, para a qual muito contribuem valores religiosos e moralistas, o que é uma pena. De certa forma, se associa a orientação sexual a ‘desvios de caráter’, o que mantém o preconceito.

Abaixo, o texto.

‘Gays precisam de tratamento, acreditam terapeutas britânicos’



PARIS, França (AFP) – Em pleno século XXI, terapeutas britânicos ainda propõem tratamentos para ajudar os gays a virarem heterossexuais, contra qualquer prova de que tal medida tenha utilidade e não seja nociva, de acordo com um estudo divulgado nesta quinta-feira pela revista especializada “BMC Psychiatry”.

Esses tratamentos tiveram seu apogeu na Inglaterra, nas décadas de 1960 e 1970, mas há muito tempo a orientação homo ou bissexual não é mais considerada uma doença mental, sobretudo, pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

A equipe de pesquisadores de Londres, liderada pelo professor Michael King, pediu a mais de 1.400 profissionais de Saúde Mental (psiquiatras e psicólogos eram quase metade), que tentassem mudar a orientação sexual de um cliente, caso lhes fosse pedido – 1.328 questionários puderam ser analisados.

Apenas um em 25 (4%) disse que o faria, mas um a cada seis (17%) indica ter ajudado pelo menos um cliente a reprimir suas tendências “gays“, ou “lésbicas”, geralmente pela terapia. O estudo não revelou sinal de um declínio dessas práticas no período recente.

Além de sua ausência de eficácia demonstrada, esse tipo de tentativa “pode ser, realmente, perigosa”, advertiu King, acrescentando que “é, então, surpreendente que uma minoria significativa de notáveis ainda ofereça esse tipo de ajuda a seus clientes”.

Os terapeutas apresentaram algumas razões para justificar sua atitude, indo de opiniões morais, ou religiosas pessoais sobre a homossexualidade até o desejo de ajudar pacientes que sofrem discriminação.

Os pesquisadores, especialistas em Saúde Mental, também observaram um certo “grau de ignorância” sobre a ausência de eficácia dessas terapias – em particular, nenhum artigo comparativo científico foi escrito sobre o tema.

O professor King ressalta que a melhor maneira de ajudar os pacientes é lhes mostrar que não há absolutamente nada de patológico em sua orientação sexual, cabendo aos profissionais da área e à sociedade ajudá-los a enfrentar os preconceitos dos quais são objeto.

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Não só enfrentar os preconceitos vindos de fora quanto também os internalizados. Se o indivíduo ‘aceita’ a ideia de anormalidade ou doença, sua auto-estima fica bastante comprometida, com impacto em todas as áreas de sua vida (familiar, afetiva, profissional).

Enfim, mais uma vez é bom lembrar que aqui no Brasil os Conselhos Federais de Medicina e de Psicologia entendem que é passível de punição o/a profissional que tentar ‘reverter’ a orientação sexual. Mas, para isto, cabe a/o paciente denunciar –  só que, para isto, ele/a   tem de conseguir já vislumbrar que homo ou bissexualidade não é indicador de patologia.


Thays Babo é psicóloga clínica, Mestre em Psicologia Clínica pela Puc-Rio e atende no Rio de Janeiro

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