Estreiou agora em novembro, o filme mais recente de Woody Allen, da safra europeia: Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos (You Will Meet a Tall Dark Stranger, no original). Rodado em Londres, é uma história que poderia se passar em qualquer cidade ocidental, pois o foco é o relacionamento amoroso – tema bastante caro ao diretor. A marca autoral está lá: roteiro impecável, humor crítico e inteligente (ainda que se repita), ótimos atores. Aliás, é sabido que todos aceitam facilmente os convites para participarem de seus filmes, mesmo por cachês simbólicos. Neste, o elenco traz Anthony Hopkins, Naomi Watts, Antonio Banderas e os não tão famosos Josh Brolin e a bela Freida Pinto – conhecida por nós pelo filme Quem quer ser um milionário?. Ah e Lucy Punch – a inacreditável Charmaine.

Outra marca da filmografia de Allen: volta e meia ele brinca com esotéricos (videntes, cartomantes…) ou religiosos, de uma forma geral. Em Tudo pode dar certo, desancou os católicos. Neste, brinca com uma sessão mediúnica. Justiça seja feita, não poupa também sua tradição judaica. Não vou listar aqui todos os personagens de sua longa cinebiografia mas, aceito a contribuição dos cinéfilos… Não se engane: qualquer personagem místico ou qualquer toque ‘sobrenatural’ (como em Match Point) não revela um novo Allen – é apenas mais uma oportunidade para fazer humor.

Desta vez, a piada começa pelo título, inspirada na fala ‘padrão’ de videntes, cartomantes e quetais. No caso, uma cartomante inglesa, que consulta Helena (interpretada por Gemma Jones, que – não tem jeito! -, pra mim, ficou marcada como a tonta da mãe da Bridget Jones). Recém-divorciada após 40 anos de casamento com Alfie (Anthony Hopkins), a angustiada dona de casa quer saber que rumo dar à sua vida após o divórcio. Ah, à sua e a de sua filha (Naomi Watts).


Ao abordar mais uma vez os relacionamentos amorosos, com suas (des)ilusões, Allen retrata o tédio que pode se instalar em um casamento, mesmo os mais recentes. Brinca com a ilusão de que ao se trocar um relacionamento antigo por um novo consegue-se driblar o tempo e a decadência física. Ou resolver situações como frustração profissional. Revisita o pânico diante do envelhecimento e da morte – ainda que seja mais memorável, pra mim, Celebridades, de 1998, no qual seu alter ego – Lee Simons (personagem de Kenneth Branagh) – vai a uma festa e reencontra seus amigos de faculdade, que espelham seu próprio envelhecimento, em reflexões altamente existencialistas. (A partir da festa, Lee toma algumas decisões importantes, ainda que não totalmente acertadas. Vale conferir este também).

Em Você vai conhecer… , mais uma vez é o homem, Alfie (Hopkins), que se recusa a aceitar a dura verdade da vida. O principal motivo de seu divórcio é que não suportava ouvir sua mulher constantemente repetindo a verdade que tanto o apavorava. Após a separação, Alfie se empenha para se tornar atraente para as mulheres mas, em vão, tenta se aproximar de mulheres diferentes da sua ex-esposa. Com grande dificuldade de voltar ao ‘mercado’ de solteiros, resolve se casar com uma jovem prostituta, Charmaine. Qualquer pessoa seria capaz de ver que não daria certo, ao conhecer Charmaine. Mas, não adianta, não é mesmo? Todos já vimos este filme, na vida real, inclusive.

Pelo trailer, eu estava esperando bem mais. Há bons momentos, sim, que não vou entregar aqui para não estragar (se bem que parte está no trailer , a conferir caso você não se incomode de perder o fator surpresa).



Uma das histórias que se entrelaça com a de Alfie é a de Roy, seu genro , escritor em crise, cujo último trabalho é rejeitado. O seu fracasso profissional detona uma crise no seu casamento e Roy vive de ilusão. Incapaz de equilibrar o orçamento, contam com a ajuda da sogra, Helena, que se acha no direito de palpitar no relacionamento dos dois, além de se queixar compulsivamente da vida. Talvez o mais engraçado do filme seja a tentativa do golpe perfeito, que é totalmente desastrada. Ah, e a tentativa frustrada da esposa de Roy de seguir os conselhos da vidente, com a percepção totalmente distorcida frente aos fatos.

No cômputo geral, não se pode dizer que não é um filme bom. O problema é que sempre se espera demais de Woody Allen, por tudo o que ele já fez, pela sua genialidade. Talvez, exatamente como nos relacionamentos amorosos, o problema seja exatamente este: excesso de expectativa. Mas, vale conferir!

Previsões previsíveis?
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2 comentários sobre “Previsões previsíveis?

  • 13/12/2010 em 16:24
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    Thays, um pequeno lembrete para fazer justiça a Paulline Collins ( a cartomante ) que fez a inesquecivel Shirley
    Valentine.

  • 13/12/2010 em 16:24
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    é mesmo, Henrique… bem que eu sabia que a conhecia, mas não sabia de onde. Foi na Grécia… rsrsrs

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