Se Cisne Negro é um filme que remete a Jung, O discurso do rei remete a Freud. Não porque só este conseguiria enxergar o óbvio atrás do problema do rei, mas porque fica claro que o encarregado de curar o rei em questão tinha bebido em suas fontes. Mas qualquer outro profissional que não separe mente corpo alma poderia ver o óbvio ululante. Ou será que à época, não? Estarei sendo exigente demais porque já estudei o suficiente e estamos em pleno século 21, com avanços da psicologia, neurologia e outras ciências que tornam evidente o que antes não aparecia?

É provável. E, assim como estou devendo a resenha psi de Cisne Negro, também vou ficar na promessa da resenha deste filme. Mas to na torcida por Colin Firth, que sempre surpreende a cada novo papel. Basicamente, o filme mostra a capacidade de superação e a necessidade de um bom vínculo terapêutico para que a ‘cura’ – ou ao menos uma melhora – aconteça.

Se até agora não assistiu, repare este erro… Todo o elenco também merece prêmios por sua atuação. Assista ao trailer.





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Thays Babo é psicóloga clínica, Mestre em Psicologia Clínica e atende no Centro do Rio

O discurso do que não é dito
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2 comentários sobre “O discurso do que não é dito

  • 03/04/2011 em 16:24
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    Eu vi este filme faz pouco tempo, e verei hoje novamente, com um amigo engenheiro e uma amiga psicóloga. Ambos fazem parte de nosso grupo amador de estudos junguianos.

    Estava procurando uma crítica sobre o filme, que tivesse alguma relação com Jung, mas não achei.

    Mas, pelo que vi, acho que tem um pouco do conceito de sombra no filme, não?

    Ainda aguardo uma análise sua desta obra ganhadora do Oscar.

    Abraço!

  • 03/04/2011 em 16:24
    Permalink

    Olá, Sidarta,
    pois é, o tempo passou e eu acabei não revendo o filme. Assim, não me sinto à vontade para analisar e sim levantar mais pontos em que podemos discutir conceitos básicos. Espero que você consiga aprofundar no seu grupo de estudos…

    Várias relações interessantes acontecem ali: a do Rei Edward VIII com sua sensível esposa, Elizabeth Bowes-Lyon (que sempre pareceu mesmo uma rainha simpatiquinha, 🙂 ) a relação com seu pai (castrador?) e obviamente a relação curativa que o rei estabeleceu com seu ‘fono’, Lionel Logue. Este terapeuta australiano, como os grandes psicólogos, não se apegou a cânones acadêmicos e conseguiu estabelecer uma relação única com o rei, nem subserviente nem mesmo encastelado em um saber improdutivo (como vimos outro médico no filme). Parece que esta parceria funcionou mesmo na vida real.

    Ainda príncipe, George aparece tão apegado à sua persona e tão desconfortável com seu peso… Preso no seu papel, estava tão infeliz (e qual plebeu poderia imaginar um príncipe assim?) e nem conseguia mudar… De certa forma, já estava repetindo o modelo herdado do pai, era velho ainda sendo novo. Mas, se a história coincidir mesmo com a História – e já vi críticas dizendo que há incorreções – o filme serve para mostrar a individuação de um rei. Convenhamos, não deve ter sido fácil para George VI se libertar daquela imagem de pai devorador (mais uma vez, to opinando só em função do filme, não sei o quanto é fiel à realidade). Certamente teve de confrontar sua sombra.

    Falar de psicopatologia seria meio difícil sem conhecer mais a fundo a história pessoal do Rei …

    Espero que dê para um começo, quando eu rever o filme volto aqui para complementar.

    Obrigada pela visita e compartilhe também seus insights, vou gostar bastante.

    Abraços

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