‘D.R.’ ou ‘discutir a relação’ é tema de piadas, comédias e dramas. Brincadeiras à parte, na vida real, a comunicação de um casal é de extrema importância. Por ser um dos principais indicadores da saúde de um relacionamento amoroso,  recebe especial atenção em Terapia de Casal.

Mas, por que acontecem tantos problemas de comunicação entre pessoas que se amam ou que já se amaram em algum dia?

Nem sempre fomos bem ‘treinados’ para nos comunicarmos bem. Aprendemos observando como os adultos se comunicam. Assim, dependendo da nossa família de origem e dos modelos que recebemos, podemos adotar padrões disfuncionais: ao copiar padrões de comunicação familiares, nem sempre a pessoa se dá conta disto. “Comunicar bem” é bem diferente de formar frases sem erros ou usar a norma culta. Significa se comunicar de forma eficiente, assertiva, não agressiva. Implica tanto em saber falar como também saber ouvir. Algumas pessoas tem uma predominância no estilo de comunicação agressiva, outras já são mais passivas (engolem tudo – e sofrem por isto). Há as que adotam o estilo passivo-agressivo e bem poucas são predominantemente assertivas. As habilidades de comunicação  já foram tema de outro post aqui em Confabulando.

Em Terapia de Casal,  o/a psicoterapeuta treina a comunicação do par, sua habilidade de expressão verbal e também a não-verbal, que muitas vezes se manifesta ali no consultório.

Qiuando uma relação está desgastada, às vezes não se quer ouvir a outra pessoa. Quando a comunicação em um casal não flui, pode-se esperar que o relacionamento não dure muito

Quando uma relação está desgastada, às vezes não se quer ouvir a outra pessoa. Se a comunicação do casal não flui, pode-se esperar que o relacionamento não dure muito tempo. Sendo desprazeroso, a tendência é que não dure, principalmente se ambos os parceiros forem independentes financeiramente.

Existe uma crença romântica bastante comum de que casais que se amam não discutem. Tal crença mais atrapalha do que ajuda os casais. É injusto esperar que um casal nunca discuta. Mas como discutir de forma eficiente, em que ambas as pessoas se sintam ouvidas e respeitadas, chegando a um bom acordo? A Terapia de Casal pode ajudar ao estabelecer algumas ‘regrinhas’ para  comunicação. Também se trabalha a aceitação do outro, tal como ele é. 

A não discussão de um assunto, principalmente os relevantes (como finanças, sexualidade, educação dos filhos, lazer, dentre outros), pode indicar a desistência da relação: quando não se acredita que consiga mudar algo, discutir para quê?

E quais seriam as  características de uma boa discussão, que promova uma mudança no casal?

  • Saber ouvir
  • Não interromper a outra pessoa enquanto está expondo sua opinião ou queixa
  • Não ridicularizar ou minimizar
  • Ter objetividade, focando no que se quer discutir no momento, não levantando um histórico de problemas que (não) foram resolvidos antes
  • Ter flexibilidade para tentar entender o ponto de vista da outra pessoa. 

Muitas vezes, histórias amorosas prévias são levadas adiante, como “traumas” para a nova relação, que já começa em desvantagem. O(a) novo(a) parceiro(a) muitas vezes não consegue compreender como um determinado acontecimento prosaico gera uma reação explosiva. As reações por vezes são desproporcionais. Se repetidas, ao longo do tempo, minam a relação do casal, gerando mágoas e ressentimentos. 

Finalizando, é bom destacar que os problemas de comunicação que dos casais heterossexuais são encontrados também em casais homossexuais. E ainda que  nem sempre a terapia de casal  ‘salve’ a relação, pois muitas questões além da comunicação estão envolvidas. Mas faz toda a diferença, tanto para continuar junto/as como para terminar de forma amigável e respeitosa.

Se o seu relacionamento anda em crise, pare e pense: o quanto é por dificuldade de se comunicarem? Caso ache que vale a pena tentar manter o casamento ou mesmo o namoro, em bases mais harmoniosas e amorosas, vença qualquer preconceito e procure ajuda psicoterapêutica. Dê esta chance ao casal.

Bibliografia:

Beck, Aaron (1989) Love is never enough: how couples can overcome misunderstandings, resolve conflicts, and solve relationship problems through Cognitive Therapy 

 Walser, Robyn D.; Westrup, Darrah (2009). The Mindful Couple: How Acceptance and Mindfulness Can Lead You to the Love You Want

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Thays Babo é psicóloga, Mestre em Psicologia Clínica pela Puc-Rio, com formação em Terapia Cognitivo-Comportamental pelo Cpaf-Rio e curso de extensão em Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), pelo IPq- USP. Atende no Centro do Rio e em Copacabana a jovens e adultos, em terapia individual ou de casal.

DR´s

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