Está em cartaz Blue Jasmine, novo filme de Woody Allen, que tem Cate Blanchet como protagonista. Se você for assistir imaginando que é uma comédia, vai se surpreender. O riso pode até vir , de nervoso – mas não é nunca fácil. Aliás, muna-se de paciência com as gargalhadas fora de hora. Parece que cada vez mais o público não está preparado para aprofundamentos. E, em se tratando de um filme que saia do que era esperado, parece que isto se agrava.

Se não quiser saber muito sobre o filme, melhor parar a leitura por aqui.

Certamente o diretor americano faz uma crítica à sociedade americana e à recente crise pela qual o país passou – e está passando. Pode-se, no entanto, ampliar o olhar e pensar, independente de tempo, geografia ou economia, nas pessoas que – em qualquer tempo ou lugar – vivem despreocupadamente, tento como únicas preocupações a aparência e ostentação. Muitas acreditando em tudo o que lhes convêm, sem que parem para questionar nada.

Blue Jasmine mostra a vida nababesca de pessoas que apostam alto, mas não ensaiaram, sequer cogitaram, perder. A protagonista, interpretada por Cate Blanchet, sempre viveu fora da realidade. A começar, pelo próprio nome, que adota por ser mais adequado à sua autoimagem. Jasmin não consegue se adaptar à virada que a vida dela dá. Até tenta – mas, de novo, continua fugindo à realidade dos fatos. E – como na vida real – ao continuar vivendo de mentiras, perde uma grande chance de conseguir se reestruturar. Ou de não se desestruturar de vez.

Na vida real, quando a roda da fortuna gira, nem todo mundo que está no alto consegue se sentir confortável, ao descer. Algumas pessoas surtam. Outras suicidam. E o filme mostra não só isto, mas também a dificuldade de se recomeçar, do zero, quando se está instalada confortavelmente em uma posição pretensamente segura. Há que se ter resiliência. Jasmine não tem. É possível que o diretor também tenha querido fazer uma crítica ao excesso de medicamentos que se usa atualmente:tal como a sociedade que vive dopada, é assim que Jasmine tenta enfrentar as condições atuais. Em filmes mais antigos do diretor, talvez a personagem recorresse às sessões de psicanálise, tentando ‘elaborar’ o que passou. Neste, toma descontroladamente seus comprimidos, tanto nos momentos tristes quanto nos felizes.





Blue Jasmine, além da questão sobre as reviravoltas que a vida dá e como sobreviver a elas, possibilita também a discussão sobre como duas irmãs (adotivas, que sejam, mas criadas pelos mesmos pais) podem ser tão diferentes na forma de enfrentar a vida. Aliás, a irmã de Jasmine merecia um filme à parte… 😉

Enfim, neste filme, Woody Allen não doura a pílula, dizendo que tudo é fácil ou superável quando em família. Às vezes, pode mesmo ser exasperador.

Aguardo seux comentários!

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Thays Babo é psicóloga e Mestre em Psicologia Clínica em Puc-Rio.

Blue Jasmine: uma versão agridoce de Allen
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