Li há pouco um texto sobre almas gêmeas que cita uma frase do livro/filme As vantagens de ser invisível. Assisti ao filme, na época do lançamento (2012), gostei muito e resolvi voltar a falar sobre ele neste  post.  A frase é:

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Só que para falar sobre a crença em almas gêmeas, outro post se faz necessário, concorda? Afinal, este assunto não era o tema do filme.

Esta produção americana agradou ao público teen e também àqueles adultos que não esqueceram como era ser  adolescente, com todas as dificuldades de encontrar um grupo ao qual pertencer. Além do roteiro ser bem construído, para os que têm bom conhecimento musical, o filme é especialmente delicioso, por conta da trilha.

Mas, do que se trata? Baseado no romance de Stephen Chbosky, roteirista estreante como diretor, As vantagens… poderia ser apenas mais um filme sem graça sobre o high school americano. Felizmente, é um retrato sensível de Charlie, um adolescente bem diferente da média. Introvertido, Charlie está numa época de fazer escolhas e a transição para uma vida adulta, com o final da escola. Tem de decidir para qual Universidade ir e tem uma grande dificuldade de fazer amigos. Mas,  quando consegue, surpreende-se. E surpreende aos outros também.

Há cenas bem divertidas – e outras mais sensíveis,  sem resvalar para um drama lacrimogêneo. Não é um filme superficial e o trio principal de atores – Logan Lerman, Ezra Miller e Emma Watson – manda muito bem. 

E quais seriam afinal as vantagens de ser invisível? Talvez a primeira pergunta devesse ser o que torna uma pessoa “invisível” aos olhos de um grupo.

Charlie, o protagonista, é invisível mas quer mudar a forma com que se relaciona com o mundo. Só não sabe como. Inicia o ano letivo apreensivo, contando os dias para que ele acabe. Ansiedade é pouco para ele…  Aos 15 anos, não tem o básico das chamadas “habilidades sociais” e sofre bullying. A gente assiste à sua  enorme dificuldade de se relacionar com outras pessoas ao mesmo tempo em que tem uma vontade igualmente enorme de fazer amigos.

Sua família, bastante presente, se preocupa bastante com sua saúde psíquica, por conta da crise que passou. Curiosamente, Charlie tem liberdade para ir e vir quando quiser. Até quase o final do filme, a gente não sabe bem o quê aconteceu, o que gerou sua crise, só temos informações salpicadas aqui e ali. Testemunhamos Charlie conseguindo se movimentar cada vez mais pelo seu mundinho, conquistando seu espaço até encontrar sua turma dentre os que também são considerados ‘esquisitos’ . Cada um de seus BFF também tem sua dor, querendo igualmente ‘pertencer’. 

Este filme não se restringe, pois, ao público jovem. Todos os que lidam com adolescentes (psis, educadores, pais,mães etc) podem aprender muito com Charlie. 

E você? Já assistiu? Aguardo seus comentários…

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Thays Babo é Mestre em Psicologia Clínica pela Puc-Rio, na linha de Família e Casal, tendo formação em TCC pelo CPAF. Mais recentemente vem trabalhando com com a Terapia de Aceitação e Compromisso. Atende a jovens e adultos no Centro (Rio).

À procura de uma turma
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