Assisti a um filme excelente há alguns dias, por dica de uma amiga minha: Namorados para Sempre. O título em português deve ter espantado quem não gosta de comédias românticas açucaradas. É, já falamos muitas vezes do golpe baixo que fazem com os títulos aqui no Brasil, para conseguirem mais bilheteira. Este foi mais um deles. 🙁

No original, Blue Valentine surpreende, não sendo de forma alguma superficial. Muito pelo contrário. Pode inclusive ser doloroso para quem já se viu em situações parecidas. E, se você que lê já passou dos 30 anos, muito provavelmente já passou … Afinal, quase podemos dizer que é um rito de passagem sofrer por amor na sociedade ocidental. Faz parte!


A dupla de protagonistas está sensacional. Por este filme, Michelle Williams foi indicada ao Oscar e, infelizmente perdeu. Ok, não perdeu para qualquer uma: este ano era o de Nathalie Portman, até pelo conjunto da obra. Justiça seja feita, Michelle também estava excelente e, se mantiver o mesmo nível de atuação que mostrou neste filme, deve ser novamente indicada, em futuras premiações. Li sobre o método que o diretor adotou com a dupla de atores, que conviveram intimamente para poderem filmar. Deu muito certo, na minha opinião. Ele também deve brilhar em próximos filmes.

O filme consegue a difícil façanha de ser – ao mesmo tempo – ‘fofo’ e ‘amargo’. Blue Valentine mostra um casal jovem em crise. Até aí , nada de muito diferente… Mas o que os leva a separar? Pois é, justamente aí é que a discussão fica interessante. Ao iniciar um relacionamento amoroso, criam-se muitas expectativas diante do/a outro/a. Projetam-se modelos e ideais. Algumas vezes, ou para algumas pessoas?, o amor pode não ser o único elemento suficiente para fazer um relacionamento amoroso funcionar, ou durar. Ou será que na verdade o fracasso se dá porque muitas vezes se confunde paixão com amor? Ou será que se ama mais ainda os papéis que são tradicionalmente atribuídos a homem e mulher? São muitas perguntas, é claro, e até hoje os pesquisadores da Psicologia do Amor não estão bem certos dos ingredientes para que o relacionamento não desande, como o do casal protagonista.

A crise entre Cindy (Michelle Williams) e Dean (o excelente Ryan Goslin) ganha proporções impensáveis para quem via o jovem casal se apaixonando. Se na vida real acontecem tantas historinhas assim, vale perguntar “onde é que erramos?”. Ou, reformulando a pergunta : “por que projetamos tanto?”. Na fase de apaixonamento, muitos dos ideais e sonhos projetados vão contra os dados da realidade. E mesmo assim se vai cegamente. E por quê? Bem, cada pessoa tem o seu porquê. Cada uma procura uma coisa mas, basicamente, isto se apoia no modelo de felicidade vigente nos dias de hoje. A este respeito, alguns psicólogos vêm questionando (como Martin Seligman, criador da Psicologia Positiva. Confira o link de uma entrevista dele sobre o assunto em http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI235007-15228,00-MARTIN+SELIGMAN+PERSEGUIR+SO+A+FELICIDADE+E+ENGANOSO.html) . Estas historinhas, dolorosas, são como o filme é: amargo. Cindy se tornou amarga. Dean não correspondia a suas expectativas. Mas será que ela algum dia olhou para ele como ele olhava para ela? E será que o olhar dele era só amoroso ou carente demais, com expectativa demais?

Como estou um pouco sem tempo, já me alonguei e não tenho como colocar maiores detalhes aqui, o que torna ainda mais difícil comentar sem entregar a história. Mas, acredite: confira. A trilha sonora também é ótima… Uma pequena amostra … Assista ao trailer.



Responderei aos comentários, com o maior prazer: basta clicar no título do filme e escrever na caixinha que se abre aqui embaixo.

Pendências …
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