O início da internet é um marco  no estudo da Psicologia do Amor e pode-se dizer que a invenção dos smartphones foi um importante catalisador de  mudanças nos relacionamentos amorosos. Aplicativos como Tinder e Happn contribuíram para que  amores contemporâneos sejam ainda mais  líquidos*.

Se, por um lado, os apps aumentam as possibilidades de  conhecer novas pessoas, por outro, alçaram a estética como principal fator na escolha amorosa. Usuários e também usuárias escolhem quem contactar como quem escolhe um pedaço de carne no açougue. O slogan “Imagem é tudo” nunca foi tão verdadeiro: foto ruim gera rejeição, foto bem tirada ou editada possibilita pelo menos um papo. Com sorte,  um encontro. Com muita sorte, um relacionamento amoroso. Pessoalmente, conheço poucas histórias felizes viabilizadas por estes aplicativos. Enfim, nada contra o uso e sim em como se usa.

Mas o tema específico deste post é o o Valentine´s Day, celebrado dia 14 de fevereiro, já há muito tempo em outros países. Mais recentemente, a data foi somada ao nosso calendário festivo  adotada por alguns ‘conectados’ brasileiros. Porém, mais estimulação para comemorar romances não traz apenas  mais felicidade a alguns:  aumenta a  frustração de  quem não tem um relacionamento e relaciona  seu ‘sucesso pessoal’  a estar ou não  em um. Seria surreal e infantil propor  a extinção destas datas, que  são importantes marcos. Menos pelo lado consumista (o mais estimulado talvez), mais pelo bom hábito de celebrar aspectos felizes de nossa vida, vínculos saudáveis. Então, o que resta?

Encarar as dores de estar só. Sim, pode ser doloroso, como cantou o Queen em “Somebody to Love”, um ‘hino’ em que interpela Deus por estar só, depois de tanto esforço. Mas pode abrir questionamentos para o que se quer realmente, quais são os valores mais importantes que contribuem para a própria felicidade.

Na verdade, estar só pode ser uma escolha muito sábia, dependendo dos valores que se tem. Afinal,  pelo que a gente vê e ouve, não só na clínica de psicoterapia, mas também de amigos e amigas,  nem todos os relacionamentos de longa duração são felizes. Alguns são abusivos. E outros, totalmente fakes, para posar.  Espero que a esta altura você já saiba  que nem tudo o que se posta na rede é real e que nem todos os relacionamentos são felizes como aparecem no Instagram ou no Facebook.

Aliás, li recentemente um post  (esqueci a fonte!!!)  de alguém que, em um restaurante, sentou-se ao lado de um casal de ‘famosos’. A dupla não parava de postar  fotos de como estava feliz. A realidade? Mal conversavam entre si,  seus olhos não estavam fixados um no outro e sim no público de suas redes… Já viveu isto?namoros

  • E se o relacionamento em que se está é péssimo, para que continuar? É tão ruim assim ficar  só?
  • O quanto o namoro (ou casamento) é verdadeiro, união de amor, o quanto é só para ficar bem perante o olhar alheio?
  • É possível amar o outro sem verdadeiramente se amar?
  • Quais são os seus valores? O que espera de um relacionamento? O que quer para si?

vantagens

Várias indagações  podem ser feitas,  por quem quer ter uma vida com significado. Muita gente  escolhe não perguntar nada e viver na montanha russa dos relacionamentos, pelo vício nas emoções – mesmo nas ruins. Dependendo dos modelos amorosos que a pessoa recebeu quando criança,

e de como elaborou suas crenças sobre o amor, pode ser muito complicado romper  padrões de desamor. O medo da solidão muitas vezes dificulta. Aceita-se qualquer coisa por não se aceitar a solitude – que pode ser um aprendizado de sabedoria.

Se você hoje vive um relacionamento amoroso saudável, que faz com que você cresça, parabéns. Cuide deste vínculo, confie, esteja presente e agradeça à vida e a seu par  a oportunidade de crescimento pessoal.

E se assim não for, cuide de você em primeiro lugar. Veja que você merece carinho, cuidado, tudo o que você quer oferecer a outra pessoa, ofereça primeiro a si.

rose

 

E se estiver difícil, faça psicoterapia, para descobrir porque tem sido assim.

 

Nota: Se não conhece o pensador Zygmunt Bauman, faça uma pesquisa, procure o conceito de ‘liquidez’, presente em várias áreas da nossa vida, desde romances a amizades e trabalho .

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Thays Babo é psicóloga e Mestre em Psicologia Clínica, atende no Centro e em Copacabana

 

 

 

 

Valentine´s Day
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