Divertida Mente, premiado em 2016 com o Oscar de Melhor Animação, agradou bastante à comunidade psi. Não por acaso: o roteiro da animação contou com a colaboração de neurocientistas e ajuda bastante na educação sobre as emoções e a importância delas, tendo sido bastante indicada como filmoterapia, já que a a educação sobre os sentimentos é fundamental e necessária, contribuindo para a saúde mental. E quanto antes se começar a reconhecer e aceitar as emoções, melhor. 

A história é bem simples: Riley é uma pré-adolescente, filha única, que tem uma família feliz, bons amigos mas tem de se mudar de cidade, com seus pais. Diante das mudanças ocorridas, suas emoções fogem ao seu controle. Antes doce e alegre, torna-se rebelde, discute com os pais, foge de casa. Em sua jornada, terá de aprender a reconhecer seus sentimentos. Bem como a gente tem de fazer, para não agir de forma impulsiva, vida a fora. 

Os roteiristas optaram por utilizar apenas 5 emoções básicas: Alegria, Tristeza, Medo, Raiva e Nojinho (Disgust) – seria impossível  trabalhar todas no longa. Preste atenção  também à relação conjugal dos pais de Riley, em especial à comunicação do casal,  expectativas e frustrações do dia-a-dia. 

(O trailer pode parecer infantil mas não é – e  a animação é muito mais para adolescentes e adultos).

Riley se desespera. O foco do filme é no seu mundo interno, quando acessa suas memórias, na briga entre suas emoções. A Alegria tenta negar a importância e existência da  Tristeza. Mas só quando esta é reconhecida e pode se manifestar, Riley vai voltando a se centrar. A Alegria pode até reaparecer.

E este é o aprendizado que todos temos de fazer. Faz parte da vida perder coisas ou pessoas, posições e empregos. Em algum momento haverá separações  de gente querida,   mudanças (que podem ser  de escola, de bairro, cidade ou país, e também de emprego) e perdas, que, eventualmente, trarão sofrimento – que pode ser mais ou menos duradouro. Para isto, é importante desenvolver resiliência e consciência de que a vida não é estável.  Não aceitar que a Felicidade não pode estar presente todo o tempo e que há Tristeza, dificulta e, muitas vezes, prolonga o   luto.

Assim, Divertida Mente mostra de forma lúdica  a importância de reconhecer e acolher os  sentimentos negativos, que tanto nos incomoda –  tanto em nós como nos outros. Na sociedade digital, é ainda mais difícil a aceitação de sentimentos “negativos”, tornando-se quase proibitivo  demonstrá-los.  Algumas pessoas, quando ousam demonstrar que estão mal, recebem conselhos desnecessários,  uma série de “Deixa disso“,  aumentando o sentimento de inadequação e incompreensão.  Em redes sociais, como Instagram, só se posta o que é alegria, sucesso. Muita gente acredita naquelas imagens e, ao se comparar, acha que sua vida é puro sofrimento. 

Muitas famílias não sabem lidar com estas emoções, principalmente quando elas vêm de crianças e adolescentes. Frente ao crescimento dos casos de depressão em jovens, com o aumento dos casos de suicídio, é ainda mais urgente  o treinamento emocional das novas gerações.  A psicoterapia facilita bastante o reconhecimento das emoções. E, a partir do reconhecimento, é possível  aceitá-las, sem julgamento ou culpa. A Terapia de Aceitação e Compromisso (no original, ACT) é uma das abordagens que melhor trabalham no treinamento para reconhecê-las.

No blog do The Gottman Institute, foram elencadas algumas maneiras em que pais e professores podem ajudar, sendo coaches de emoções. Obviamente, para isto, pessoas que tenham crianças e jovens sob sua responsabilidade devem elas mesmas aprender a reconhecer suas próprias emoções e suas dificuldades. À medida em que lidam bem com elas, conseguem ser exemplos de autocontrole e resiliência. Um bom começo é assistindo ao filme. Se você já assistiu, deixe a sua opinião e os seus insights sobre o filme. 

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Thays Babo é psicóloga, Mestre em Psicologia Clínica pela Puc-Rio e atende em Copacabana, a jovens e adultos, em terapia individual, de casal e pré-matrimonial.

Reconhecendo suas emoções e aprendendo com elas: filmoterapia (2)
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