Assim como se pode dizer que a  internet é um marco  no estudo da Psicologia do Amor também a criação dos smartphones foi um,  catalisando várias mudanças nos relacionamentos amorosos. Aplicativos como Tinder e Happn aumentaram as possibilidades de encontros que nunca aconteceriam. Mas as relações ficaram talvez, mais instáveis (mais ‘líquidas’, como diria Zigmunt Bauman). Talvez a  estética tenha assumido maior importância na  escolha amorosa, na medida em que uma foto ‘ruim’ gera rejeição. Foto bem tirada ou editada possibilita pelo menos um papo. Com sorte,  um encontro. Com muita sorte, um relacionamento amoroso. O slogan “Imagem é tudo” nunca foi tão verdadeiro:

É importante frisar que existem  histórias de amor felizes viabilizadas por estes aplicativos. Enfim, os problemas surgidos com os aplicativos decorrem do uso, de como se usa. E de quem os usa.

Mas o tema específico deste post é o o Valentine´s Day, celebrado dia 14 de fevereiro em vários países e, adotado por alguns brasileiros também À parte o consumismo que datas comemorativas geram, é bom  celebrar aspectos felizes de nossa vida, vínculos saudáveis.

No entanto, quem não tem com quem  comemorar a data pode ficar frustrado, se relacionar seu  ‘sucesso pessoal’  a estar ou não  em um relacionamento amoroso. Enfim, como todas as outras celebrações do ano, nem todas as pessoas estarão felizes neste dia. E tudo bem. Então, o que resta? Encarar as dores de estar só. Sim, pode ser doloroso, como cantou o Queen em “Somebody to Love”, um ‘hino’ em que interpela Deus por estar só, depois de tanto esforço. Mas pode abrir questionamentos para o que se quer realmente, quais são os valores mais importantes que contribuem para a própria felicidade.

Na verdade, estar só pode ser uma escolha muito sábia, dependendo dos valores que se tem. Solitude é diferente de solidão, pode trazer mais paz e bem estar – afinal, nem todos os relacionamentos de longa duração são felizes. Alguns são abusivos. E outros, totalmente fakes, para posar, ou para não dividir bens.  

É sabido que nem tudo o que se posta nas redes sociais é real e que nem todos os relacionamentos são felizes como aparecem no Instagram ou no Facebook. Afinal, quem nunca presenciou um casal que mal se fala posar para fotos nas redes, como estando feliz? Os olhos não se fixam  um no outro e sim nos seguidores que tem em suas  redes sociais… Já viveu isto?namoros

  • E se o relacionamento em que se está é péssimo, para que continuar? É tão ruim assim ficar  só?
  • O quanto o namoro (ou casamento) é verdadeiro, união de amor, o quanto é só para ficar bem perante o olhar alheio?
  • É possível amar o outro sem verdadeiramente se amar?
  • Quais são os seus valores? O que espera de um relacionamento? O que quer para si?

vantagens

Várias indagações  podem ser feitas,  por quem quer ter uma vida com significado. Muita gente escolhe não se perguntar nada e viver na montanha russa dos relacionamentos, pelo vício nas emoções – mesmo nas ruins. Depende, e muito, dos modelos amorosos que a pessoa recebeu quando criança, e de como elaborou suas crenças sobre o amor. Nem sempre é fácil romper  padrões de desamor. Pelo medo da solidão algumas pessoas aceitam qualquer coisa. Mas, solitude – não solidão –  pode indicar sabedoria.

Se você hoje vive um relacionamento amoroso saudável, que faz com que você cresça, parabéns. Cuide deste vínculo, confie, esteja presente e agradeça à vida e a seu par  a oportunidade de crescimento pessoal.

E se assim não for, cuide de você em primeiro lugar. Veja que você merece carinho, cuidado, tudo o que você quer oferecer a outra pessoa, ofereça primeiro a si.

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E se estiver difícil, faça psicoterapia, para descobrir porque tem sido assim.

Nota: Se não conhece o pensador Zygmunt Bauman, faça uma pesquisa, procure o conceito de ‘liquidez’, presente em várias áreas da nossa vida, desde romances a amizades e trabalho .

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Thays Babo é psicóloga e Mestre em Psicologia Clínica, atende em Copacabana a jovens e adultos, em terapia individual, de casal e pré-matrimonial.

Valentine’s Day
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