Estudos no mundo inteiro mostram que jovens nascidos na era digital estão mais sujeitos a desenvolver depressão e outros problemas de humor. Em função do (mau) uso que fazem de seus smartphones, alguns ficam extremamente ansiosos quando recebem uma ligação, preferindo a comunicação por  whatsapp ou outro messenger. Consideram uma ‘intimidade’ forçada, principalmente quando não conhecem muito bem a pessoa. Pais e mães se queixam da recusa de seus filhos e filhas em atenderem, por se sentirem invadidos, dando preferência a se comunicarem por mensagens de texto. O diagrama abaixo parece piada mas representa a atitude de muitos jovens frente a ligações telefônicas. 

regras telef

Talvez a rejeição às ligações dos jovens se deva não só à praticidade, mas por não quererem lidar na hora com quem liga, sem poder ter algum controle. Telefones fixos sem identificador de chamadas estão sendo abolidos em muitos lares – provavelmente porque aumenta a ansiedade não saber, previamente, quem está do outro lado da chamada.

Mas, além de aspectos interrelacionais e prejuízos à saúde mental, o uso excessivo do smartphone também pode trazer prejuízos cognitivos e físicos, como,  por exemplo, a síndrome causada pela má postura do pescoço. Também é comum a queixa de tendinite, pela digitação excessiva de mensagens e também pelo uso das redes sociais.

celular pesc

A capacidade linguística é afetada – para a comunicação ser rápida, a linguagem é simplificada e a interpretação de texto e a  grafia muitas vezes saem prejudicadas. O que fazer, se é praticamente impossível não usar os smartphones, dispositivos criados para facilitar nossa vida? Aprender a lidar com a tecnologia de forma equilibrada é a única saída. Para isto, são necessários limites para si e negociar mudanças de comportamento nas relações próximas. Em casa, pais e mães devem dar exemplo e colocar limites.

Deixando a visão apocalíptica de lado, é importante reconhecer os inúmeros benefícios da tecnologia – podendo ser aliado, inclusive da conexão interpessoal. É tudo uma questão de gerenciar o uso do smartphone de forma que ele não prejudique os relacionamentos. Assim, a consultora de tecnologia Tchiki Davis elenca, na revista  Psychology Today,  6 maneiras para não deixar que isto aconteça:

1. Não substitua  as interações face-a-face por interações eletrônicas – algumas medidas são simples como, por exemplo, ao invés de se isolar, vendo séries (no celular, computador ou TV), convidar amigos para ir ao cinema. Manter as amizades não apenas as acompanhando nas redes sociais, dando “likes“: efetivamente demonstrar o quanto se gosta da companhia, marcando para encontrar. (No caso do Brasil, no momento, infelizmente a economia e a violência urbana dificultam, mas sempre há como pensar alternativas)
2. Não use seu smartphone enquanto estiver com outras pessoas – particularmente difícil, extremamente necessário. Quando somos nós que fazemos isto acreditamos que não nos distraímos mas, quando alguém faz isto conosco, tendemos a ficar incomodados, nos sentindo desprestigiados. E também há estudos de que as interações são menos prazerosas. E, no mínimo, menos mindful
3. Mantenha seu telefone fora de vista durante conversas significativas – com seu alto poder de distração, a mera presença do smartphone no ambiente pode prejudicar a qualidade da comunicação interpessoal, por reduzir a empatia e a atenção, dentre outras qualidades importantes para uma boa interação pessoal. Em conversas íntimas, ao compartilhar algo importante e íntimo, a pessoa pode ficar bastante triste ao perceber que você não está 100% presente.
4. Não deixe seu smartphone impedir você de se relacionar com estranhos – Tchiki Davis comenta,  na contramão do que os pais costumam dizer aos filhos, pequenos, o quanto socializar com estranhos é importante. O olho no olho faz diferença. Em transportes públicos, percebe-se que este contato visual diminuiu. Além disto, aplicativos como o GPS e WAZE também diminuem a urgência do contato interpessoal. Algumas habilidades sociais básicas, como, por exemplo, fazer perguntas a  estranhos, estão sendo praticamente eliminadas. E isto não necessariamente é bom

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5. Se você estiver on-line, seja ativo/a – muitas pessoas navegam e veem conteúdo nas redes sociais sem efetivamente interagir, sem deixar rastros. Assim, a rede social não cumpre a função de conectar as pessoas – e conexão é uma necessidade do ser humano, como animal social que é.
6. Em caso de dor, conecte-se com as pessoas pelo smartphone – apesar de parecer paradoxal a princípio, quando não há acesso às pessoas significativas próximas, é importante que se tenha a quem recorrer em situações de dor.

Ainda que algumas destas sugestões possam parecer difíceis de adotar, são extremamente úteis para preservar relacionamentos interpessoais. Também ajuda a preservar algumas habilidades sociais importantíssimas. Assim, apesar de terem sido dirigidas aos mais jovens, pessoas de todas as idades podem se beneficiar delas. Avalie o seu uso de redes sociais e outros aplicativos. Se perceber que ele tem afetado o seu humor, aumentando a ansiedade ou trazendo pensamentos depressivos, ou diminuído os seus relacionamentos interpessoais, não hesite: procure ajuda psicológica. 

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Thays Babo é psicóloga e Mestre em Psicologia Clínica pela Puc-Rio, na linha de Família e Casal. Com formação em TCC e extensão em ACT, atende no Centro e em Copacabana a jovens e adultos, em terapia individual ou de casal – inclusive pré-matrimonial.

Como usar o smartphone sem prejudicar suas relações
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