As muitas mudanças sociais dos últimos 50 anos tornaram os relacionamentos amorosos muito instáveis. O sociólogo polonês Zygmunt Bauman criou o conceito da liquidez e mais especificamente “amor  líquido” (na entrevista, aos 4 min), que define bem o estado atual das coisas.

A revolução digital acelerou  as inovações, e as pessoas ainda estão aprendendo a lidar com o que surge de novidade a cada dia, ainda se adaptando e com muito sofrimento diante das incertezas amorosas.

A era digital e os relacionamentos amorosos

Redes sociais, como Facebook e Instagram, e aplicativos de relacionamentos, como Tinder e Happn, trouxeram grande instabilidade aos casais. Muitos se veem incapazes de se protegerem contra a tecnologia (ou contra o que imaginam que possa acontecer). Os  vínculos se fragilizaram – o que gera maior insegurança. Sem consciência sobre o que se passa, as pessoas se afastam do que querem mais profundamente: aceitação, acolhimento, pertencimento.

O que fazer para um relacionamento dar certo?

Um relacionamento  minimamente “estável” (na medida em que alguma estabilidade seja possível) demanda  ajustes, concessões e acordos. Autoavaliação, autocrítica e compromisso com os valores (individuais e do casal) fazem a diferença.

Os desafios amorosos da sociedade digital colocam em xeque várias crenças sobre os relacionamentos. Portanto, é fundamental conversar sobre elas – e algumas precisam ser questionadas e até descartadas.

Terapia de casal ou Terapia pré-matrimonial

Algumas crenças românticas  dificultam que se considere a terapia um recurso para melhorar um relacionamento amoroso. Uma delas é a de que, “se for amor ‘de verdade‘, tudo se resolverá por conta própria“. Pelos altos índices de separações que acontecem, talvez esteja havendo então pouco ‘amor de verdade’. Ou  divergências sérias entre o que cada  pessoa entende como amor ‘verdadeiro’.

Assim, a aversão ao trabalho psicoterapêutico impede que estes conceitos e valores sejam clarificados, ressignificados, acordados. Muitos casais mal se dão conta dos  valores que cada um traz.

É bom lembrar que os valores devem ser discutidos para cada casal. Não existem acordos ‘universais’. Como diz o senso comum, “o combinado não sai caro“.  

Michelle Obama, ex-primeira dama dos Estados Unidos, em uma entrevista  de 8 minutos ao programa Good Morning America sobre sua biografia,  falou da sua experiência com terapia de casal . 

http://time.com/f3c9683b-1233-49f9-a01d-4e4f0a38d866

Mesmo um casamento de décadas, bem sucedido, pode precisar de ajuda, algumas vezes, como contou Michelle:

“Eu conheço muitos casais jovens que lutam e pensam, de alguma forma, que há algo errado com eles”, disse  Michelle Obama. “Eu quero que eles saibam que Michelle e Barack Obama – que têm um casamento fenomenal e que se amam – … nós trabalhamos em nosso casamento e procuramos ajuda com nosso casamento quando precisamos.”

Depois desta autorrevelação, que tal considerar a possibilidade de buscar ajuda especializada para o seu relacionamento amoroso? Procure saber como a terapia de casal (ou mesmo a terapia pré-matrimonial) pode ajudar você e seu par.

Agende uma consulta, reveja alguns dos conceitos e crenças românticas que, ao contribuírem para o estabelecimento de expectativas inalcançáveis,  geram frustrações e provocam afastamento e desconexão, que é  ameaçador para o sucesso de um relacionamento amoroso. 

Referências

Beck, A. T . Love is never enough. New York: Harper & Row. 1988.

Harris, R.  Act with love: stop struggling, reconcile differences and strenghten your relationship with acceptance and commitment therapy . Oakland: New Harbinger Publications, 2009.

Lev, A., McKay, M.  Acceptance and commitment therapy for couples : a clinician’s guide to using mindfulness, values & schema awareness to rebuild relationships. Oakland: New Harbinger Publications, 2017

McKay, M.  Couple Skills (2nd Ed): making your relationship work. Oakland: New Harbinger Publications, 2006

Walser, R. D; Westrup, D . The mindful couple – how acceptance and mindfulness can lead you to the love you want. Oakland: New Harbinger Publications, 2009.

________________________________________

Thays Babo é psicóloga e publicitária, Mestre em Psicologia Clínica pela Puc-Rio, com formação em TCC pelo CPAF-RIO e extensão em Terapia de Aceitação e Compromisso pelo IPq (USP). Atende jovens e adultos em terapia individual, de casal e pré-matrimonial,  em Copacabana. 

Relacionamento amoroso – se você gosta, é claro que tem de cuidar.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.