Ainda há pessoas que acreditam que psicoterapia é para quem não tem amigos e que um papo descontraído regado a uma cervejinha – ou café – substitui um processo de terapia. “Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”, diz a sabedoria popular.   Claro que ter amigos e amigas faz toda a diferença, ao longo de nossa vida, contribuindo para o nosso bem-estar. E mais ainda quando chegamos na vida madura. Mas, por mais fortes que sejam os laços de amizade,  os encontros acabam ficando mais raros – por conta da distância, dos requisitos familiares ou profissionais, pelo ciclo de vida – enfim, pelo corre-corre diário. 

carinho

Apesar do acúmulo de contatos hoje nas redes sociais, há um consenso que não é necessário ter centenas de amigos. Menos é mais. O que importa é a profundidade e a duração, a expressão do afeto, o tempo que dedicamos a estes laços, que não devem prender e não sufocam. Amigos verdadeiros se preocupam com nosso bem-estar, nosso desenvolvimento em todas as áreas. Têm carinho. Fica-se realmente feliz pelo sucesso do seu amigo ou da sua amiga. Não há competição. Não há puxadas de tapete. Não há intrigas. Nem ciúmes.

Ainda assim, por que a  psicoterapia é uma escolha para abrir e compartilhar seus problemas e segredos?

Destacamos algumas das principais diferenças entre vínculos de amizade e vínculos psicoterápicos

  • o setting terapêutico – o espaço do consultório não é um lugar de simples ‘bate papo’. É cuidadosamente preparado para acolher e manter a confidencialidade das conversas. A pessoa se sente segura para falar e tirar suas máscaras. Eventualmente, se chorar, não vai pensar no que as pessoas à volta estarão pensando. 
  • frequência e horário dos encontros – as consultas de terapia costumam acontecer, inicialmente, pelo menos uma vez por semana com horários previamente acordados – a flexibilidade tem ser combinada  entre as partes envolvidas.
  • em terapia, fala-se mais das dores emocionais, das dificuldades, do que incomoda. Daquilo que é difícil de contar para quem convive com a gente tão intimamente. Ou há muitos anos. Quem está em terapia conta as situações mais difíceis que enfrenta e também os aspectos que considera mais inaceitáveis. E o/a terapeuta não julga. Aceita. Acolhe. E trabalha sobre o assunto, às vezes aprofundando. Amigos às vezes tentam apaziguar a dor, por não saberem lidar com tanta emoção – o que não colabora para que a dor passe efetivamente. 

fazerterapia

  • Amigos e amigas muitas vezes tentam dissuadir dos projetos que julgam arriscados – dentro dos próprios valores e medos. Incomodam-se com as inquietudes, pois não sabem lidar com suas próprias . Não foram treinados para isto, não são psis.  E se o são, não podem ser seus psis. 
  • Como o/a psi não pertence ao mesmo círculo social, o/a cliente não precisa temer que os segredos sejam revelados para pessoas próximas o que se torna, para parte da clientela,  um dos aspectos mais atraentes da psicoterapia. Esta ausência de um relacionamento prévio, cliente-terapeuta,  deixa quem está em terapia mais à vontade, confortável, para se revelar – ainda que demorem algumas sessões para se estabelecer este vínculo.
  • Mesmo quando o/a terapeuta atende a várias pessoas que se conhecem, a confidencialidade das sessões e sigilo profissional são assegurados e mantidos.  

E você? Consegue se dar conta de mais algum ponto de diferença que indique a importância da psicoterapia para o crescimento pessoal, que se diferencie de uma boa amizade? Deixe seu depoimento. 

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Thays Babo é Psicóloga Clínica, Mestre pela Puc-Rio, com formação em TCC pelo CPAF-RIO e extensão em Terapia de Aceitação e Compromisso pelo IPq (USP). Atende a jovens e adultos em terapia individual ou de casal, no Centro do Rio e em Copacabana.

Amizade e Terapia – entenda a diferença
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