comunicação está na base de problemas em todas as áreas da vida: profissional, familiar, amizade e também na relação amorosa. Há quem consiga ter problemas em todos os ambientes do seu dia-a-dia. Na psicoterapia individual ou de casal, o treino desta  habilidade social torna-se, então, fundamental.  Muitas pessoas simplesmente não se dão conta da forma com que se expressam (ou não) verbalmente. Muitas vezes, o/a psi precisa verificar: “Mas… você comunicou isto? Expressou o que estava pensando?” ou “Expressou seu sentimento?” já que muitas vezes se presume (erradamente) o que a outra pessoa pensou. Ou se espera que ela adivinhe pensamentos, sentimentos e desejos. 

Comunicação da família de origem

Nas famílias em que o estilo de comunicação  agressiva predomina. Alguns membros se tornam muito agressivos também – para se defender e contra atacar. Porém, há quem adote o estilo passivo, não enfrentando, para manter a paz (ou por dependência). Também há quem adota uma postura passivo-agressiva. Tais padrões de origem devem ser reconhecidos, pois tomando consciência é possível fazer mudanças e reconhecer quando se erra.  Nem sempre é fácil ou rápido, por terem sido aprendidos e repetidos por muitos anos. Tempo e esforço – ou melhor, consciência – são necessários para mudar tais padrões.  

Sendo didáticos, a comunicação pode ser entendida como um continuum: em uma extremidade, tem-se a comunicação passiva; na outra, a comunicação agressiva. O “caminho do meio” seria a comunicação assertiva. Mas há ainda um quarto modo: a comunicação passivo-agressiva.

Assertividade2

 

Estilos de Comunicação: Agressiva, passiva, passivo-agressiva

Pessoas agressivas, em geral,  intimidam e impõem sua vontade. Ganham ‘no grito’, por encontrarem muitas vezes, à sua volta, pessoas passivas que se submetem. Mas, e se a pessoa agressiva encontra uma outra igual? O clima pesa e os outros, ao redor, sofrem com a disputa… E apesar de muitas pessoas não se darem conta, a ironia também pode ser bem agressiva – mesmo que o tom de voz não se altere – dependendo do contexto. É bom prestar atenção na reação das pessoas. 

agressividade e a passividade são estilos mais evidentes. Fica mais difícil identificar o passivo-agressivo: às vezes, sua forma de revidar nem vem ao conhecimento imediatamente. É uma sabotagem aqui que se faz, uma casca de banana ali, sutil… Aparentando passividade ou até ‘pacifismo’, em algum momento, a pessoa retalia a agressão recebida. Ao invés de se posicionar, confrontar ou expor seus sentimentos, ‘sabota’. Exemplos: se for no trabalho, pode atrasar a entrega da sua parte fundamental, que acabará prejudicando a pessoa agressora. Faz corpo mole, não se compromete e acaba por prejudicar quem o humilhou. Numa relação amorosa, pode trair, só para ‘dar o troco’ – claro, tudo muito veladamente, pois foge da confrontação. No silêncio, faz coisas que minam o cotidiano. Há quem faça  isto sem se dar conta, sem estar consciente de seu modo de ser, agir e falar. Por não se enxergar, adotam comportamentos que acabam por afastar  de si as pessoas. 

Pessoas agressivas buscarão terapia, em geral,  por pressão dos outros ou por perceberem que têm se prejudicado.  As passivas ao perceberem que engolem muitos  ‘sapos’ desnecessariamente – o que muitas vezes repercute na saúde, física ou mental. Passivo-agressivas, muitas vezes, só descobrem na terapia o seu estilo.  

Assertividade

O modo ‘saudável’ de comunicação é predominantemente assertivo, com  comunicação clara e objetiva, em que se expressa a opinião e seus sentimentos. A pessoa assertiva também tem abertura para ouvir, aceitar sugestões e recusar as que não são razoáveis. Recusa o que não estiver de acordo com os valores pessoais. Mas a assertividade não é tão fácil de desenvolver espontaneamente. Afinal, para ser  assertiva, a pessoa tem de colocar  limites, correndo risco de desagradar. Há quem não queira corrê-lo, por este risco é  medo do confronto, ou de rejeição e abandono. Porém, não adotar este estilo, a longo prazo, terá  alto custo emocional. 

Apesar de parecer, à primeira vista, o melhor modo, em algumas situações, é importante se ter uma atitude passiva. Um exemplo é em caso em que se sofrem violências (como um assalto). A sobrevivência deve ser a prioridade. Portanto, é importante saber distinguir as situações (bem como ter noção do perigo…)

Assertividade

Não é preciso se julgar pelo seu estilo de comunicação – comece apenas observando. O modo como você fala  ajuda você a se aproximar dos valores que deseja na sua vida ou promove o afastamento deles?

Observe também se você costuma ser uma pessoa muito crítica. Mesmo que de forma suave,  não agressiva, raramente as críticas funcionam. E muitas vezes magoam. A psicoterapia ajuda você a desenvolver mais observação e aceitação; e menos julgamento. Com a autoobservação, vem o autocontrole e aí as suas relações naturalmente irão mudando. Você pode treinar  a sua comunicação – existem técnicas,  inclusive, para solicitar mudança de comportamento. A sua forma de falar  influi na disposição da pessoa  ouvir e ponderar sobre o que você pede. Assim, aumenta a chance de que mude e o relacionamento pode continuar de forma harmoniosa. Procure ajuda especializada, faça psicoterapia.  

Referências Bibliográficas:

Del Prette, Z. A. P; Del Prette, A.. In: Haase, V. G. Psicologia do desenvolvimento: contribuições interdisciplinares. Belo Horizonte: Editora Health, 2000. 

Portella, M. Estratégias de ths: treinamento em habilidades sociais.

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Thays Babo é psicóloga, Mestre em Psicologia Clínica pela Puc-Rio, na linha de Família e Casal. Atende jovens e adultos, em terapia individual ou de casal. Com formação em TCC pelo Cpaf-Rio, em 2015 cursou a extensão em ACT (conhecida no Brasil como Terapia de Aceitação e Compromisso), no IPq-USP. Atende em Copacabana.

Comunicação: desenvolva esta habilidade

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