Um dos primeiros aprendizados que se faz na psicoterapia é dar limites, a não deixar que invadam a sua vida e a mudem na direção do que você não quer ser ou fazer.  Nem sempre é fácil, se é um padrão de muitos anos. Pode ser ainda mais difícil quando são precisos  limites com as figuras parentais – pai e mãe. Afinal, a cultura sempre diz que pais e mães são perfeitos e, assim, dizer ‘não’ muitas vezes gera culpa e outros sentimentos ambivalentes. Mas e se o pai ou mãe não tiverem sido nem um pouco o que se espera deles, não tiverem sido pais suficientemente bons? Pode-se virar as costas e ir em frente? E ainda assim ser feliz?

Limites retrata  as dificuldades de  Laura (Vera Farmiga) em lidar com  um pai  nada convencional (Christopher Plummer, perfeito). Logo de cara percebe-se que o problema é antigo e que gera culpa: o filme  começa com Laura na sessão de terapia. Parte da crítica americana detonou o filme, achando que abusa de clichês, inclusive do road movie apesar dos elogios ao elenco. Quando se percebe, está se torcendo para o “bandido”. Mas, afinal, será que o “bandido”  é tão bandido assim?

O filme pode ser ótimo para se falar sobre valores, família (relações parentais, relação entre irmãs, com filho, com ex marido), sobre envelhecimento, rigidez, perdão,  abandono, escolhas erradas, bullying, drogas, mudanças, abertura… Muita coisa para um filme só? Pode ser.  Mas abre bons questionamentos também. 

Se não quer estragar um pouco a surpresa do filme, não assista ao trailer, que adianta muita coisa do roteiro

 

Limites são necessários, mas a rigidez em excesso pode impedir muita coisa boa de acontecer, muitas histórias de serem ressignificadas. Aprendizados como o de Laura também acontecem em   terapia: aprende-se a desenvolver flexibilidade, manter o bom humor e ternura, rever o que se passou. Muita coisa pode ser mudada, mesmo com pessoas aparentemente impossíveis. Procure ajuda psi, fale sobre o que lhe incomoda e perceba o quanto você pode ir em frente, ou não, sem se perder de si mesmo/a.

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Thays Babo é psicóloga, Mestre em Psicologia Clínica pela Puc-Rio. Com formação em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e extensão em Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), atende em Copacabana  a jovens,  adultos e idosos, em terapia individual, de casal ou terapia pré-matrimonial.

Limites – o que você precisa aprender sobre eles
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