Acreditava-se que a tecnologia iria liberar nosso tempo para atividades mais prazerosas. Algumas atividades foram extintas, mas continuamos trabalhando muito. A tecnologia digital trouxe a internet e daí vieram  redes sociais e aplicativos. Você consegue gerenciar seu tempo online?

É preciso ter muita atenção. Mídias digitais roubam seu tempo.  Obviamente, o tempo que você passa online tem um custo.

É inegável que a tecnologia digital trouxe coisas boas e positivas mas não se pode negar que também causa prejuízos. Estes  podem ser minimizados, mas não zerados.

(Este texto foi atualizado por conta da pandemia e também pela repercussão do filme O Dilema das Redes)

Por que o tempo encolheu?

Não, na prática, não encolheu. Mas os estímulos aumentaram tanto que fica cada vez mais difícil desconectar. Principalmente do smartphone.

Além disto, podemos ser encontrados 24 horas por dia. Se não dermos limites, se não desconectarmos, trabalhamos mais do que devemos. Ou nos distraímos demais com coisas que nem valem a pena.

Precisamos saber como nos dar limites para proteger nossa saúde física e mental. É importante desconectar. 

As redes sociais

As redes sociais distraem você. Sendo tão divertidas e informativas,  você estende o  tempo online. É prazer imediato.

O prazer pode vir por recontactar amigos e parentes. Ou por receber um “like” – mesmo que de pessoas desconhecidas ou distantes.

A médio e longo prazo, porém, seu bem estar pessoal pode diminuir. Tanto porque você não atinge seus objetivos como porque também fica assistindo a vida dos outros.

Mas não fique se culpando, achando que é uma pessoa fraca. Tudo é planejado para que seja assim. Existem programadores e designers que tornam este apelo quase irresistível. Assim, cada vez mais estamos viciados no que o mundo digital apresenta. 

A tecnologia digital e sua  vida amorosa

Além do impacto na esfera profissional, relacionamentos  amorosos e familiares também sofrem com o uso excessivo de tecnologia, em especial pelo uso excessivo do celular.

Na terapia individual  e em  terapia de casal, o smartphone  surge como queixa se o par amoroso fica muito tempo com o dispositivo. A outra pessoa se sente deixada de lado, abandonada.

Passa-se menos tempo interagindo – olho no olho ou mesmo dedicando tempo  ao toque e à sexualidade. 

Mais vida virtual, menos sexo real

Pesquisas relatam que as novas gerações têm menos relações sexuais do que as anteriores. O consumo de pornografia online aumentou – o que pode trazer disfunções sexuais, menos prazer.

O toque, estar junto, ter intimidade contribuem para os relacionamentos amorosos. E também aumentam a sensação de felicidade.

Mas a tecnologia parece se interpor entre os casais. Surpreende o número de casais que coabitam mas não têm relações sexuais – ou estas são muito esporádicas. São inúmeras as razões – mas nenhuma que seja positiva. E algumas são o uso da tecnologia. 

Dicas para minimizar o tempo online

Consultores de tecnologia apontam dicas para que se minimizem os problemas mentais, principalmente entre os jovens. 

Uma delas pode parecer radical: deletar os aplicativos do celular . Passar muito tempo online pode ter diferentes funções. . 

Online durante a pandemia

Em tempo de pandemia, a ordem era ficar em casa. Então, graças à internet, passou-se ao homeofficee. Era a forma de manter contacto e se relacionar com as pessoas queridas.

A tecnologia permitiu sobreviver neste tempo. As operadoras inclusive aumentaram a velocidade das conexões.

Porém, qual a medida? O quanto a vida vai poder voltar a ser o normal e nos deixar mais offline? O quanto o vício aumentou. Agora, quando você pode, você desconecta e vai ler, estudar, caminhar, meditar? Ou fica grudado(a) na tela?

Recentemente, o filme O Dilema das Redes mostrou que a tecnologia também é feita de forma a ser viciante. Desde a programação ao design dos smartphones. Assim, fica muito mais difícil de desconectar. 

Nomofobia

Desligar o celular dispara ansiedade. Já foi classificado um transtorno conhecido como nomofobia (no mobile phobia). Outra fobia tem a ver com o FOMO (fear of missing out) – ou seja, medo de perder alguma informação relevante.

Durante a pandemia, aumentou a busca por informações. Houve também uma enxurrada de informações falsas e contraditórias. E assim, aumentava o tempo online, checando informações. Não é à toa que aumentou  a  dificuldade de reduzir o tempo online.

Consequências de ficar muito tempo online

Cuidado. Tempo demais online pode afastar você das pessoas que estão próximas. Crianças sofrem demais com a falta de atenção e o tempo que lhes foi roubado.

Também é importante reservar tempo para atividades ao ar livre, para os exercícios físicos. O sedentarismo gera uma epidemia de obesidade.

Além disto, há os seus objetivos profissionais ou acadêmicos. Se você não os atinge, pode vir a acreditar que  não tem capacidade. Alguns esquemas mentais podem ser ativados, por razões que não são verdadeiras. 

Como o filme deixou claro, além das razões do contexto, há uma engenharia por trás disto. Então, lembre-se disto e preste atenção.

Caso você sinta que  desperdiça tempo precioso online, só se distraindo, procure ajuda  psicológica. Entenda por que e para que você faz isto.

Ficando consciente será mais fácil modificar o seu comportamento. E, assim,  ir na direção do que você é valioso pra você. 

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Thays Babo é Psicóloga Clínica, Mestre pela Puc-Rio, com formação em Terapia Cognitivo Comportamental  (TCC) e extensão em Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) pelo IPq (USP). Atualmente, faz formação em Terapia do Esquema, pela Wainer Psicologia.

Atende a jovens e adultos em terapia individual, de casal e pré-matrimonial,  em Copacabana. Durante a pandemia, todos os atendimentos são online.

Seu tempo online (Atualizado em 09 de outubro de 2020)